Domingo passado fiz arqueologia digital no Mentes Brilhantes. Removi links mortos de 2008. Algumas ideias também estavam mortas. Outras, apenas começavam a viver.
Domingo passado fiz arqueologia digital no Mentes Brilhantes.
Removi links para os estudos da McKinsey sobre a War for Talent. Mortos. O InnovationJam da IBM. Extinto. O blog do Connectbeam sobre social computing. Desaparecido.
Atualizei o link para Michael Jacobides na London Business School. Ainda lá. A investigação da Elvira Fortunato sobre microeletrónica. Ainda relevante. Robert Kaplan e o Execution Premium. Ainda leitura obrigatória.
A surpresa não foi saber que links sobreviveram. Foi constatar que ideias se tornaram mais acutilantes.
Um post de 2008 sobre redes sociais corporativas previu que a Web 2.0 iria redesenhar os RH através de programas de alumni, plataformas de mentoring e onboarding colaborativo. Na altura soava especulativo. Hoje é infraestrutura.
Um post sobre “vantagem arquitetural” — controlar indústrias através de orquestração em vez de propriedade — parecia abstracto em 2008. Em 2026 descreve a Google, a Apple e toda a economia de plataformas.
Mas o post que me assombra é de 2008. Chamei-lhe o Efeito Laplace. A razão pela qual os investimentos em talento falham: a direção foca-se em resultados tácticos imediatos em vez de visão estratégica a médio prazo. Quando o negócio vira, cortam o orçamento de talento primeiro. Depois o talento sai. Depois o negócio vira outra vez.
Escrevi isso antes da crise de 2008. Tenho visto empresas repetir o padrão em todos os ciclos desde então — um verdadeiro paradoxo de Ícaro organizacional.
Links mortos são fáceis de corrigir. Ideias mortas são mais difíceis de enterrar.
Qual é a ideia mais antiga que escreveu e que afinal estava adiantada, não errada?
