Sendo um utilizador intensivo de tecnologia Windows e, mais recentemente um alegre utilizador dos dispositivos Android, acumulei ao longo dos tempos um extenso rol de argumentos contra o uso de dispositivos Apple.
Desde o velhinho argumento da incompatibilidade entre softwares (que caiu em desuso desde finais dos anos 90), ao argumento do preço elevado para o que oferece (desmontado nos últimos anos com a massificação da oferta de dispositivos da maçã a preços acessíveis), ao argumento mais filosófico de ser contra sistemas fechados, em que a liberdade do utilizador é controlada pelo fabricante, de tudo usei para resistir ao apelo da tecnologia mais sexy do planeta!
Mas a verdade é que os cada vez mais numerosos testemunhos sobre a facilidade da utilização, as experiências cada vez mais entusiasmantes a experimentar gadgets nas Apple Stores, e o cair por terra de falsos argumentos com o saber de experiência feito me levaram a por fim ceder.
Sobre este último ponto deixem-me dar um ou dois exemplos:
- falso argumento do dispositivos monobloco, que não permite trocar a baterias: diz-me a experiência que, quando uma bateria acaba por “morrer”, eu troco de dispositivo, aproveitando esse pretexto para actualizar o equipamento. Logo, para quê ter acesso à mesma?!
- falso argumento do software fechado, que não permite customização: diz-me a experiência que, sempre que eu lido com sistemas abertos, perco mais tempo a “kitar” o aparelho que a trabalhar com ele. Estudos internacionais comprovam que os dispositivos da Apple são os que têm a maior taxa de tempo consumido com o seu uso!
- falso argumento do sistema fechado, que não permite exportação de ficheiros: diz-me a experiência que, quando um sistema funciona bem, eu não passo a vida a mudar de formatos e dispositivos – tento é capitalizar a curva de experiência no máximo de fruição possível!
Bem, passemos à experiência iniciática propriamente dita: comecei de forma conservadora e prudente, com o gadget mais pequeno e barato da Apple – o iPod Shuffle!
Por apenas 49 euros, pareceu-me que o risco seria mínimo. Tratei de o comprar na loja online da Apple, que foi o primeiro passo de uma experiência única e inesquecível...
Comecemos pela compra em si: nunca tinha sido tão fácil perceber como é o produto, visualizá-lo e entender o que o mesmo oferece, e a troco de que preço. Simples, prático e fácil. Tão fácil como customizar (permite que coloquemos uma inscrição personalizada no aparelho e tem diversas opções de cor) e como comprar (uma transacção electrónica simples e fluida).
Vários dias antes do prazo previsto, já tinha recebido a encomenda. Assim que a desembrulhei, continuou a “experiência UAU“: abro a caixa e tenho o aparelho, os auscultadores e o cabo de ligação ao computador. Instruções? Apenas um micro-folheto, com 3 passos apenas.
Liguei o iPod ao PC (sim, PC com Windows!) e em 3 minutos estava tudo feito: o dispositivo foi reconhecido, abriu o iTunes e sincronizou as minhas músicas favoritas para o dispositivo... 3 minutos, sem erros e sem chatices!
Por fim, a fruição: música a meu gosto, num dispositivo ultra-portátil, extremamente simples de usar e com uma qualidade de som impressionante!
E eis que o meu velho hábito de ouvir música para lá do rádio do carro finalmente ressuscitou, quase 20 anos depois!
O mais engraçado é a história por detrás da concepção do iPod Shuffle... segundo vários relatos, os engenheiros da Apple andavam há vários meses à volta da miniaturização do iPod, sendo o principal obstáculo a miniaturização do écran. À boa moda de Steve Jobs, os engenheiros insistiam que o objectivo de miniaturização era impossível. Steve, usando o seu famoso “campo de distorção da realidade”, estabelecia convictamente que o objectivo era possível, e que eles iriam acabar por encontrar uma solução.
Num momento de impasse, Steve Jobs acabou por postular o impossível: “acabem com o écran” disse ele... a reacção foi de total estupefacção, até que ele acabou por explicar: para quê um écran, se no iPod o utilizador iria ter as suas músicas favoritas? A probabilidade de ele gostar de qualquer música que o dispositivo tocasse era imensamente elevada! Se por acaso o ouvinte não quisesse aquela música em concreto, bastava carregar no botão e passar à frente!
E sabem que mais meus amigos? O homem estava mais uma vez cheio de razão. Esse é um dos motivos pelo qual eu uso este leitor de música e nunca usei os que tive anteriormente! Gastei um minuto a perceber como funcionava e o resto do tempo a ouvir música!
E é esta simplicidade de uma experiência global e integrada que constitui o segredo da empresa de Cupertino. E que faz com que criem produtos dificilmente imitáveis...
Como verão depois, este foi o primeiro passo que dei no “appleverse”... mas não foi o último 😉
Deixo-vos com o keynote oficial de Steve Jobs sobre o iPod Shuffle de 4ª geração.
Enjoy it! 😉
