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A busca de propósito num mercado de agentes livres


A revolução dos agentes livres

O mundo está a mudar, a uma velocidade vertiginosa, fruto da aceleração que a revolução digital potenciou. Isso verifica-se em todas as dimensões da vida, mas nota-se de forma muito particular no mundo do trabalho. Uma das mais significativas mudanças passa pela transformação das relações de trabalho, que, à medida que os profissionais e as tecnologias se sofisticam, se tornam mais equilibradas do ponto de vista negocial.

A típica relação de subordinação entre empregado e empregador tende a esbater-se, evoluindo em muitos casos para uma relação de contratualização de performance, muitas vezes traduzida verdadeiramente num contrato de prestação de serviços, quantas vezes sem cláusula de exclusividade. Assistimos assim ao primado da liberdade dos agentes livres, que tendem a assumir as posições de maior destaque e valor nas organizações. Aquilo que o estudo da Toptal  chama de “external talent”.

A fome de propósito

Este tipo de talento, mais aberto ao mundo, com enorme mobilidade e empregabilidade, é extremamente difícil de reter nas organizações. Muitas vezes tenho dito que este é um tipo de talento que, temos de assumir de uma vez por todas, colabora com as organizações em missões temporárias e não definitivas, onde o significado da missão em si é tão ou mais importante que os outros tipos de recompensas proporcionadas em troca de um trabalho de elevadíssimo nível e qualidade.

Esta “fome de propósito”, típica da condição humana e tão consciencializada pela geração Y, tornou-se assim um driver motivacional essencial para a retenção do talento. De tal forma este tema é crítico, que as organizações procuram hoje criar “meaningful jobs” para os seus freelancers, como refere o artigo online da Harvard Business Review – “Make Work Meaningful for Your Freelancers, Too“. Neste artigo, destacam-se as diversas facetas da criação de um trabalho com propósito:

  • Progresso – os trabalhos com propósito perseguem metas evolutivas, em que o sentido de progresso é alimentado por feedback permanente, a ferramenta essencial do desenvolvimento profissional;
  • Autonomia – os trabalhos com propósito são desenvolvidos por profissionais que têm autonomia, flexibilidade e espaço para a criatividade e o pensamento crítico;
  • Equilíbrio – entre as diversas realizações profissionais, o lazer, o bem-estar e o fun;
  • Serviço – como um aluno meu ainda ontem me relembrava apaixonadamente, um trabalho com propósito é tão mais mobilizador quanto mais tangível seja a sua contribuição para fazer a diferença, para criar um mundo melhor;
  • Variedade – o caráter eclético do trabalho, a variedade de experiências, de desafios e de aprendizagens, é essencial para tirar as pessoas da sua zona de conforto e promover um sentido de progresso com forte atribuição de significado e valor;
  • Afiliação – o sentido de pertença a uma comunidade, a uma equipa que está unida por um objetivo comum é mais uma vez um forte atribuidor de significado aos contextos profissionais, bem como um potenciador da co-criação, da aprendizagem partilhada e, por fim, um possível mitigador do stress ocupacional.

Criar este tipo de “meaningful jobs”  e ajudar as pessoas a encontrar o seu “trabalho de paixão” deviam ser duas das nossas principais missões…

Deixo-vos com uma palestra minha sobre as novas tendências no mundo do trabalho, que dei há algum tempo atrás e que nos ajuda a perceber o grau de desafio que hoje a mudança nos coloca. Enjoy 🙂

 

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