Desafios, Eventos, Factos, Trends

A Mente que nos Move

1415478_593179397421597_692776808_oEscrevo este post para dar testemunho de uma das minhas mais recompensadoras experiências de 2013, que consistiu em dar uma palestra TED.

Para quem não conheça, as palestras TED tiveram início há 27 anos, juntando inovadores das áreas da Tecnologia, Entretenimento e Design. As TED Talks tansformaram-se  numa plataforma global de partilha de ideias e num ponto de ligação para a comunidade global de indivíduos que acreditam no poder das ideias que merecem ser divulgadas. TED convida os principais pensadores do Mundo a partilharem as suas ideias durante 18 minutos, tendo já incluído anónimos e personalidades como Bill Gates, Al Gore, Isabel Allende, Philippe Starck, Gordon Brown, Bill Clinton, Frank Gehry, Paul Simon, Sir Richard Branson, Bono, etc.

Os TEDx, um programa de eventos locais, foram criados pelo TED em 2009, com o objetivo de passar a mensagem de que as ideias merecem ser divulgadas. Estes eventos são totalmente preparados e coordenados de forma independente e têm o intuito de juntar pessoas para a partilha de experiencias de sucesso. Os eventos TEDx são organizados nas cidades de todo o mundo, tendo por base o lado humano e a inovação.

O convite para participar surgiu do meu bom amigo Pedro Coelho, dinamizador do TEDx Boavista, evento que foi lançado em 2012 no coração da cidade do Porto e no qual tive o privilégio de assistir praticamente da primeira fila. A experiência foi fabulosa e, em meu entender, a repetir no ano seguinte. O que eu não imaginava era que iria lá voltar em 2013 como orador 🙂 Se assistir foi um prazer, colaborar foi um privilégio! Obrigado, Pedro!

O mote deste ano no TEDx Boavista era “Move a Mente”, num claro desafio aos oradores para inspirar a plateia com ideias que movessem a nossa mente, que espelhassem o nosso poder criativo e que potenciassem o nosso potencial cerebral. E foi esse o desafio que eu procurei cumprir, com uma palestra intitulada “Mindbuddy: o cérebro como um companheiro de jornada”. O mote desta comunicação foi assim subordinado não ao que nos move a mente, mas sim à mente que nos move 😉

A mensagem que eu procurei passar nos 18 minutos que me estavam concedidos centrava-se no uso que podemos dar ao cérebro como facilitador das nossas performances ao longo da vida. Como imaginam, com um tema destes e a minha tradicional indisciplina, acabei por consumir o dobro do tempo, para desespero da equipa organizativa! 😉 Para me penitenciar, já me propus fazer parte da equipa de staff do evento de 2014, procurando compensar com trabalho árduo os 36 minutos de puro prazer que tive na edição de 2013 🙂

A minha intervenção passou assim por dar um testemunho na primeira pessoa de como usar técnicas muito simples para, por exemplo não agatalhar, ou seja, para não nos deixarmos dominar pelo stress de tal forma que nos vemos limitados a um potencial cerebral equivalente ao do nosso gato lá de casa (sem ofensa para todos os belos felinos que nos alegram os lares!). Sobre o tema do agatalhanço, já escrevi aliás um post detalhado, sob o título “Como (não) agatalhar a malta… ou a neurociência ao serviço da liderança!”. Para evitar o agatalhanço, descrevi brevemente uma técnica conhecida como Freeze Frame, que consiste numa técnica de projeção muito simples que nos permite em poucos segundos baixar os níveis de ansiedade e reduzir o ritmo cardíaco e a pressão arterial. Para quem queira treinar, explico brevemente na palestra como o fazer 😉

Para além desta técnica, explico outras técnicas simples, baseadas na observação ativa e visualização, como formas de “levar o cérebro ao ginásio”, melhorando os caminhos sinápticos que se reforçam com estas práticas de treino mental. Também apresento técnicas de treino como a técnica pre-mortem, que nos ajuda a revenir os imprevistos, tornando-os previstos.

A palestra termina com uma explicação breve de como podemos usar técnicas simples para desenvolvermos um estádio de felicidade que nos torne mais produtivos e resilientes. O essencial destas técnicas está desenvolvido em dois posts meus: “A felicidade como motor do talento” e “Gestão da Felicidade“.

Deixo-vos com o vídeo da minha palestra. Enjoy it 😉

Reflexões, Trends

Recompensa e motivação

Surge este post de um excelente contributo do Luís Matias, meu aluno no curso Saber Liderar, que não resistiu a enviar-me um excelente vídeo do Youtube, após o debate que tivemos na aula acerca de recompensa e motivação.

Neste debate, discutimos a diferença entre recompensas intrínsecas e recompensas extrínsecas, ou seja, até que ponto conseguimos motivar-nos apenas com a expectativa de uma recompensa financeira, ou se será necessário algo mais, que funcione como atribuidor de sentido e vitamina energizadora do nosso esforço discricionário.

Naturalmente que eu acredito que é necessário algo mais, e a minha própria experiência de vida o confirmou, para lá das excelentes teorias de Herzberg ou Maslow.

Na verdade, quando somos aumentados, muito rapidamente o incremento financeiro que sofremos passa a ser incorporado no nosso nível de vida, tendo um impacto diminuto, senão mesmo marginal na nossa motivação.

Clarifico desde já que não estou a afirmar que o dinheiro não é importante: é, e muito, mas apenas no sentido que é necessário para mantermos adequados níveis de satisfação… e isso nada tem a ver com motivação.

Ou seja, se não houver dinheiro lá em casa para pagar o colégio das crianças, tenderemos a andar insatisfeitos e preocupados, não conseguindo o focus necessário para desenvolvermos uma actividade profissional de excelência – e isto é destruição de valor. Todavia, se ganharmos um salário percebido como “justo”, isso previne a destruição de valor, mas não garante maior criação de valor, pois isso depende da nossa motivação para fazer melhor.

E a motivação é activada por recompensas intrínsecas à nossa profissão, como a atribuição de maiores responsabilidades ou desafios, oportunidades de aprendizagem ou reconhecimento profissional (todas eles ligadas à progressão de carreira, ao sentido atribuído à profissão e ao inevitável conjunto de aspirações para o futuro).

O vídeo que aqui partilhamos, foca-se no resultado de alguns recentes estudos que apontam para as seguintes conclusões:

  • o dinheiro só é eficiente como motivador em actividades simples e repetitivas (pouco sofisticadas);
  • qualquer actividade que implique o recurso ao pensamento criativo, à tomada de decisão e à análise das situações, tem no dinheiro um motivador que tipicamente prejudica a performance;
  • os melhores motivadores alternativos nestes casos são:
  1. A autonomia, ou seja, a liberdade para criar, para encontrar soluções para os problemas, para deixar a sua marca no trabalho feito;
  2. A excelência, ou seja, o encorajamento para a procura da melhoria contínua, para o prazer de fazer bem (mastery);
  3. O propósito, ou seja, o motivo inspirador que justifica existencialmente e moralmente a actividade profissional.

Curiosamente, estes motivadores são genericamente aceites como enablers do desenvolvimento de talento… não será por acaso, concerteza 😉

Deixo-vos aqui dois textos muito interessantes sobre o tema:

The Power of Intrinsic Rewards

THE FOUR INTRINSIC REWARDS THAT DRIVE EMPLOYEE ENGAGEMENT

Por fim, o vídeo que deu origem a este post… obrigado Luís!

Enjoy it 😉 !!!

E ainda… um genial vídeo com uma palestra do brilhante Dan Pink, que em plenas TED Talks tão bem explica esta temática: