Eventos, Factos, Recomendações

Talento Portugal fora – crónicas de Verão, ep. 1

Praia Fluvial do CarvoeiroFindo o período estival e já de regresso ao activo, não resisto a partilhar alguns dos exemplos de “talento aplicado” que encontrei por esse país fora.

Tipicamente quando pensamos em talento, ou nos ocorre falar em gestão dos talentos nas multinacionais, ou em “estrelas desportivas” e transferências milionárias ou, no limite extremo televisivo, ocorrem-nos programas como o “Ídolos” ou o “Masterchef”. Hoje quero falar de outro tipo de talento, que permanece muitas vezes anónimo, ou, no mínimo, discreto.

É um tipo de talento que é feito de aplicação prática no quotidiano, produto da imaginação, esforço e excelência diários de muitos empresários e profissionais por esse Portugal fora, e que nos dão um retrato do País muito menos depressivo do que aquele que aparece nos jornais.

Já em tempos abordei este tema, em posts intitulados “Portugal no seu melhor” e outros equivalentes. Neles, falei de investigadores, banqueiros, CEO’s, atletas, criadores de todo o tipo, entre outros exemplos mais ou menos conhecidos.

Agora falo em pessoas mais comuns, mais discretas, que se ocupam de actividades mais mundanas (ou, pelo menos, vistas como tal!). Mas é precisamente por isso que têm tanto valor: fazem algo de bom, mesmo que não demos por isso de forma bombástica, e quase que damos o que de bom fazem como algo “natural”, como um dado adquirido. Mas não é. Razão pelo qual importa divulgar e acarinhar aquilo que fazem. E é isso que pretendo fazer com estas crónicas de Verão 😉

Começo por vos falar de um exemplo do que se faz bem neste país, do que pode ser um exemplo de excelência ao nível da iniciativa autárquica, neste caso: falo-vos da Praia Fluvial do Carvoeiro.

Para quem não conhece este belo exemplo de turismo e veraneio de qualidade, a Praia Fluvial do Carvoeiro situa-se na localidade que lhe dá o nome, a bela aldeia do Carvoeiro, que dista cerca de 25 minutos de Mação.

Esta praia é uma agradável surpresa para todos aqueles que a visitam, não só pelo enquadramento natural, mas também pela qualidade das suas infra-estruturas.

Tendo feito este ano nas férias um circuito de praias fluviais pela zona Centro de Portugal, tenho de dar o testemunho de que esta foi a que me mereceu o melhor “rate”! Falo-vos de uma praia escondida no meio do pinhal, completamente rodeada de natureza intocada, cuja paisagem vale só por si um prémio! Mas não pensem que o facto de ser isolada a torna menos sofisticada ou confortável: antes pelo contrário!

Esta praia dispõe de pessoal de apoio, incluindo nadadores-salvadores, está infraestruturada com zonas de areal e de relva, bem como bem fornecida de sombras. A zona de banhos está represada, o que significa que não sofre os problemas de falta de caudal em anos mais secos, mantendo sempre a água em circulação, o que garante a sua frescura, limpeza e oxigenação. Por isso mesmo, esta praia tem Bandeira Azul!

Dispõe de vários equipamentos que permitem ao visitante passar ali um dia agradável, como balneários, bar, parque de merendas, churrasqueiras, posto médico, parque de estacionamento e está dividida com zona de banhos para adultos e para crianças (o que permite que as crianças se divirtam à vontade e os pais possam descansar 😉 !).

O isolamento só se nota em algumas rupturas de stock no bar, porque os fornecedores só por lá passam uma vez por semana, mas isso é largamente compensado pela simpatia do pessoal que nos atende 🙂

A tranquilidade com que lá se goza um bom dia de praia leva a que recomende vivamente a que por lá passem a conhecer, ou que lá voltem a apreciar. Este é um bom exemplo de um espaço que foi bem pensado de raiz, bem intervencionado e que está a ser muito bem gerido pela Câmara Municipal de Mação. Parabéns!

Deixo-vos com um vídeo que noticia os prémios que esta praia já ganhou. Enjoy it! 😉

Factos, Recomendações, Trends

O talento está no lobo frontal!

Não, ao contrário do que pensam, este não é um post sobre neurociência.

Este é, seguramente, um post sobre talento e sobre escrita. mais concretamente, sobre blogs.

Comecemos pelo princípio…

Aqui há um par de anos fui professor na Católica Lisbon de um jovem talento chamado Bruno Moço. Como manda a tradição, este rapaz era uma mente brilhante que estudava Gestão enquanto se dedicava a uma panóplia de outras actividades, entre as quais o associativismo estudantil, nomeadamente através desse “viveiro de talento” que é a AIESEC.

Sempre que me cruzo com alguém da AIESEC já sei mais ou menos aquilo que vou encontrar: alguém para lá do convencional, com uma grande vontade de aprender e participar, com um sentido crítico apurado, um forte sentido de solidariedade e participação cívica. São muitas vezes vistos pelos colegas convencionais (mais numa onda de 24 de Julho, festas and so on) como um certo tipo de “cromos”, inofensivos mas estranhos. Porquê? Porque falam outra linguagem e têm outros interesses (mais vastos), resultado de uma maturidade desenvolvida à força de experiências internacionais, multiculturais e empreendedoras. Tipicamente, um AIESECer dá um excelente aluno 😉

E assim era o Bruno. Não me lembro que nota teve à minha cadeira, mas foi quase de certeza boa. Por alguma razão me lembro dele de forma vívida e positiva (ao fim de alguns milhares de alunos, isto só acontece com os melhores, sorry 🙂 ). Mas o tempo passou e tinha-lhe perdido o rasto.

No entanto, num daqueles acasos felizes da vida, aqui há dias tropecei na pegada digital do Bruno, através do seu blog “Lobo Frontal“. O Bruno, apesar dos seus vinte e poucos anos, sentiu uma necessidade de partilhar os seus pensamentos e reflexões com os outros, e criou este blog, de visual tão clean e brilhante como o seu pensamento, sem artifícios ou distratores. É apenas texto, e do bom 😉 !!!!

Recomendo vivamente a sua leitura! Não percam a quadrilogia “Oportunidades”…

Enjoy it! 😉

Reflexões, Trends

Talento Residente

Surge este post da leitura do brilhante artigo da Liz Wiseman, no HBR Blog, sob o título “Smart Leaders Get More Out of the Employees They Have“.

Neste artigo, a Liz explora um tema que me é cada vez mais caro, e que se torna cada vez mais pertinente nos tempos que correm: a gestão do talento residente.

E no que consiste a gestão do talento residente? Muito simples: na obtenção de performances de alto rendimento por parte dos colaboradores que já integram a nossa organização, em contraponto à “compra” de potenciais resultados superiores através da aquisição de novo talento para a organização.

Se quisermos, o que está aqui em jogo são duas filosofias diametralmente opostas:

  • Filosofia “War for Talent”: esta filosofia, herdeira directa da abordagem da McKinsey surgida nos anos 90, olha para o talento como um recurso escasso, que tem de ser adquirido num mercado em eterno combate pelos melhores. Foi com base nesta filosofia que se implementaram matrizes de 9 caixas como as da GE e da Bose ou da Johnson&Johnson. Estas ferramentas permitiam identificar os poucos “eleitos” que eram detentores do talento e nos quais se deveria apostar forte, como forma de garantir a criação de valor futuro. Esta abordagem, claramente exclusiva e elitista, apesar de poder ter um bom fundo (o princípio meritocrático, se aplicado nas matrizes de identificação de talento), não potenciava o desenvolvimento organizacional nem a melhoria da performance global. Levado ao extremo, pode levar ao colapso organizacional, pelo fenómeno de “endeusamento da irresponsabilidade talentosa”, como bem nos recorda Malcolm Gladwell quando nos conta como a Enron faliu;
  • Filosofia “Multiplicativa”: esta filosofia, mais recente, defende que todas as pessoas podem desenvolver os seus talentos. Esta é uma abordagem inclusiva e multiplicativa, que procura desenvolver todos os colaboradores que a empresa já tem, fazendo com que pessoas normais atinjam resultados extraordinários. É no fundo a filosofia de gestão do talento que usa o José Mourinho nas suas equipas de alto rendimento. Esta é uma abordagem mais prudente em termos de crise, pois não tende a inflaccionar os custos de estrutura com a aquisição de mais capital humano. De forma pragmática e focada, “trabalha-se com o que se tem à mão” 😉 !!!

A Liz ainda nos fala sobre dois tipos de liderança que podem influenciar o desenvolvimento do talento: os “multipliers“, que aproveitam mais de 90% do talento que os rodeia, e os “diminishers”, que castram o talento à sua volta e não chegam a usar sequer 50% do talento que têm disponível!

Sobre esta abordagem não deixem de espreitar o meu post “Multiplicar Talento“.

Para terminar, deixo-vos com uma brilhante palestra da Liz Wiseman, precisamente sobre os Multipliers!

Enjoy it! 😉

Reflexões, Trends

O estilo “startup”

Surge este post do visionamento de um excerto de uma entrevista dada pelo saudoso Steve Jobs, em que ele descreve a forma como a Apple gere as suas pessoas.

Confesso que o Steve consegue ser sempre uma fonte de inspiração, por muito tempo que passe 😉

Nesta entrevista, Steve explica a gestão das pessoas da Apple de forma muito simples, em torno de 2 ou 3 princípios básicos:

  1. As pessoas na Apple são geridas como se a empresa se tratasse de uma startup, semeando nas mesmas diariamente o entusiasmo de quem todos os dias cria algo de novo, inovador, e que fará a diferença;
  2. Na Apple não existem Comités. A responsabilidade de cada componente fundamental do negócio é atribuída a uma pessoa, que assume responsabilidade pelo seu desenvolvimento, sem politiquices pelo meio. Estes responsáveis juntam-se periodicamente e partilham aquilo que estão a fazer, num trabalho em equipa que procuram cultivar em todas as equipas de trabalho;
  3. Na Apple, o trabalho principal dos líderes é dinamizar o trabalho em equipa e a “sementeira” de ideias que podem fazer evoluir o negócio, num debate livre e aberto;
  4. A regra de ouro é que todos podem apresentar ideias e debatê-las, sem medo da posição hierárquica do interlocutor. Porquê? Porque o princípio é o de que deve ganhar a melhor ideia, e não a ideia do mais “graduado”. E o exemplo é cultivado por todos os líderes.

Quatro princípios que poderiam definir o chamado “estilo startup”… inspirador não?

Como Steve Jobs a certo ponto afirma, não podemos querer atrair pessoas talentosas para a nossa organização se não as deixarmos contribuir livremente com as suas boas ideias.

Não poderia estar mais de acordo!

Deixo-vos com o vídeo da entrevista ao Steve. Enjoy it! 😉

Trends

Talento nos Mercados Emergentes

20120620-150742.jpgSurge este post a propósito de um excelente artigo saído na McKinsey Quarterly intitulado “How Multinationals can attract the talent they need“.

Este é um artigo extremamente interessante, uma vez que ilustra uma realidade que nos parece muito distante, que se prende com os mercados emergentes, na região Ásia-Pacífico e na América do Sul.

Ao contrário do que se passa no deprimido Primeiro Mundo, a mobilidade do talento acompanha o dinamismo da economia, fazendo com que aquilo que a McKinsey chama a guerra pelo talento esteja, na sua perspectiva, ao rubro nestas regiões do Globo!

Para termos uma ideia do que isto significa, segundo um survey feito recentemente pela McKinsey na China, a rotação de executivos seniores situa-se entre os 30 e os 40% ao ano! Isto é apenas 5 vezes a média internacional!

Desta forma, as multinacionais enfrentam nos mercados emergentes um desafio novo, associado a uma enorme mobilidade do talento, pelo que têm de encontrar novas formas de se tornarem atractivas enquanto empregadores globais.

Sendo a retenção mais difícil, os custos de substituição também tendem a subir, uma vez que os custos de contratação nestes mercados para quadros talentosos é hoje mais cara que nos mercados maduros.

Por outro lado, a força das marcas locais tende a aumentar drasticamente, tornando mais difícil a conquista de talento nesses mercados por parte das multinacionais globais. A título de exemplo, a McKinsey refere que, na China, em 2010, 7 dos 10 empregadores mais atractivos são empresas chinesas, contra 2 em 10 em 2006! Este aumento da atractividade local não pode assim deixar de ser ignorado.

Por fim, outro fenómeno paradoxal prende-se com o facto de a mobilidade dos quadros nos mercados maduros ter diminuído drasticamente. Aparentemente, os tempos incertos que vivemos levaram a que a disponibilidade desses quadros para trabalhar no exterior diminuísse, em vez de aumentar…

Perante esta situação, a McKinsey deixa algumas pistas para que as multinacionais possam renovar e robustecer a força e atractividade da sua marca como empregadores:

1. Mais alinhamento entre as políticas de gestão do talento e as necessidades do negócio, evitando os erros clássicos cometidos por exemplo pela Enron, que tornou a gestão do talento um fim em si mesmo, ignorando a sustentabilidade dos negócios e as reais necessidades de competências para os desenvolver;

2. Mais oportunidades de evolução internacional efectiva para os quadros dos mercados emergentes, evitando a eugenia organizacional e promovendo a diferença para lá da mera diversidade politicamente correcta para alimentar estatísticas de responsabilidade social (Cf. o meu post sobre eugenia organizacional e diversidade);

3. desenvolver mais o employer branding, apostando em: compensação competitiva, boas condições de trabalho, lideranças que apostam no desenvolvimento das pessoas e no envolvimento das equipas, bem como boa comunicação organizacional… Parece-vos familiar? 🙂 já a isso tinha feito referencia no meu post sobre employer branding;

4. Desenvolver um EVP – employer value proposition – local ajustado e customizado às necessidades dos mercados emergentes, sem perder a força global da marca (Cf. meu post sobre engagement marketing);

5. Criar políticas mais family-friendly, como fizeram a Nestlé e a Motorola na Ásia.

Recomendo vivamente a leitura do artigo integral, pois dá-nos em que pensar e relata muitas boas práticas.

Votos de boa leitura! 🙂

Reflexões, Trends

A felicidade como motor do talento

Retomo hoje a escrita no Mentes Brilhantes aproveitando uma pausa entre comboios na Estação de Campanhã, hoje particularmente mais animada tendo em conta a renovação do título do FC Porto.

Aproveito este “mood” animado para falar de um tópico curiosamente pouco na moda nos dias de crise que vivemos: a felicidade.

Tenho trabalhado este tema nos últimos dois anos, ajudando pessoas e organizações a aumentarem o seu “rácio de felicidade” e a descobrirem novos sentidos para o que fazem na vida. Tem sido uma jornada apaixonante e motivadora, apesar de ser totalmente contra a “corrente negativista” que abala o nosso velho continente europeu e este cantinho à beira mar plantado em especial 🙂

Aquilo que a experiência me mostra é que está muito mais na mão de cada um de nós decidir o que fazer com o que a vida nos dá do que aquilo que incicialmente pensaríamos. Tenho visto isso acontecer com executivos, com equipas, com pessoas normais e mesmo até com pessoas muito próximas, em circunstâncias muito difíceis, para não lhes chamar extremas… e é impressionante o poder da vontade humana!

No seguimento desta minha reflexão, que já começou com o meu post “Gestão da Felicidade“, não quis deixar de partilhar convosco uma palestra brilhante, feita em 2009 pelo notável Vishen Lakhiani, CEO da MindValley, uma empresa em ascensão que é um modelo exemplar de como a felicidade pode ser usada como uma ferramenta para a produtividade.

Nesta (longa) palestra, que dura mais de 50 minutos, cada palavra é uma fonte de inspiração, valendo cada minuto de visionamento, pelo entusiasmo e lucidez com que Vishen nos conta a sua história e os resultados que atingiu.

O fundador do MindValley apresenta alguns conceitos novos, como o de flow:
Flow is the mental state of operation in which a person in an activity is fully immersed in a feeling of energized focus, full involvement, and success in the process of the activity.
Este conceito vem da psicologia positiva, e tem um apelo tão significativo e poderoso que hoje constitui um dos princípios fundacionais da minha própria empresa e da sua missão!
Vishen defende ainda que é preciso uma combinação entre ser feliz no presente e ter uma visão para o futuro. Seguindo este raciocínio, explica-nos que podemos encontrar-nos num de quatro estádios, a saber:
  1. infelicidade no presente & sem visão para o futuro: o mais negativo, em que a pessoa está perdida e deprimida;
  2. felicidade no presente & sem visão para o futuro: o estado de felicidade transitória, pouco sustentável, sem profundidade;
  3. infelicidade no presente & visão para o futuro: stress do presente, típico de um escravo do status quo;
  4. felicidade no presente & visão para o futuro: estado de total rendimento e energização;
Escusado será perguntar-vos qual o estádio que ele procura que os seus colaboradores vivam, certo? 😉 Esta definição destes quatro estádios faz-me lembrar outra autora que muito admiro, e que é arauta da disciplina do pensamento olímpico, que é a Marilyn King. Se não a conhecem, não deixem de espreitar o site 🙂
Vishen dá-nos ainda 10 recomendações práticas para aumentar a felicidade nas nossas organizações, retiradas directamente da sua experiência na MindValley:
  1. Agradecer diariamente: na MindValley, criaram uma página no site para agradecerem uns aos outros as ajudas que recebem (alargando o conceito a clientes, inclusivé!);
  2. Celebrar o que correu bem: ponto obrigatório nas agendas das reuniões, para celebrar os sucessos e as conquistas e as realizações;
  3. Partilhar os lucros com os colaboradores numa base mensal: como forma de criar comprometimento sustentado, por oposição à “febre dos resultados de curto prazo”, gerada pelas stock options;
  4. Sweet sugar love machine“: software que permite a oferta de pequenas prendas aos colegas e pares, como forma de fomentar o apreço entre colegas;
  5. Regra – 45/5: não se trabalha mais de 45 horas por semana, sendo que 5 dessas horas deve ser investida em aprendizagem e estudo (dentro ou fora da empresa);
  6. Partilha de conhecimento: criaram uma plataforma de partilha de conhecimento que permite que cada colaborador ensine alguma coisa aos outros colegas;
  7. Meditação em grupo – criaram o hábito de meditar em grupo regularmente, como forma de reflectir sobre o futuro e visualizar o mesmo, mantendo a cabeça “limpa”, serena e focada;
  8. Patrocínio do “fun” na comunidade – a MindValley patrocina festas da cidade, como o Halloween, procurando praticar para fora aquilo que é praticado para dentro, conseguindo atrair talento inesperado para a empresa pela forma “cool” como funciona e interage com o meio envolvente;
  9. Stamina positiva” – como explica Vishen, a disseminação de pensamentos positivos na abordagem dos problemas potencia a aprendizagem, dando enfoque à solução em vez de dar enfoque ao erro;
  10. Fomentar experiências e conexões – desenvolver um network activo e vivo, que enriqueça as pessoas. A ideia é aumentar o grau de exposição dos colaboradores a mentes brilhantes, que possam ajudar as pessoas a crescer.

Termino deixando para vosso deleite o vídeo da palestra do Vishen. Enjoy it! 😉

Factos, Reflexões, Trends

Steve Jobs: o talento imortalizado

Hoje ao comprar o jornal, o meu dia ficou muito triste.

Morreu um dos mais emblemáticos heróis da minha geração: Steve Jobs. Um homem que, com recurso apenas ao engenho, à paixão pela perfeição e à estética, conseguiu mudar o mundo.

E mudar o mundo sem disparar uma bala é algo notável, e infelizmente menos comum do que desejaríamos 😦  No entanto, Steve Jobs conseguiu fazê-lo.

Steve Jobs não é um herói clássico.

Não foi um tipo bonzinho, do género Charlie Brown. Perdia a paciência com a incompetência ou a mediocridade. Não foi um tipo certinho, do género Clark Kent. Largou a universidade para cumprir o seu sonho. Não foi um tipo desenrascado, como o McGyver. Sabia que a perfeição era possível e ela estava nos detalhes obsessivamente preparados.

Ao contrário do Bill  Gates, fundador da Microsoft (que é um cromo simpático que gostaríamos de ter ao pé de nós, do tipo “Nuno Markl da informática”), Steve Jobs é aquele tipo de cromo que gostaríamos de ser um dia. Bill Gates é porreiro e simpático. Steve Jobs é uma referência. Ponto final.

E isto é escrito por alguém que (ainda) não comprou um único produto da Apple!

Mas deixem-me confessar-vos… tenho passado a vida a sonhar como seria ter comprado 🙂 E isto é a “mística” que Steve Jobs criou: o poder de um conceito que alia a estética à funcionalidade, a paixão à fiabilidade, a sofisticação à simplicidade, e que desperta nas pessoas o desejo.

Eu sou aquele consumidor que (como muitos, certamente), se esmifra para ter o último ultrabook da moda, com 8 GB de RAM e um disco SSD ultra-rápido, mas com Windows (clientela oblige 😦 !). Por isso, o meu desporto favorito depois é kitar o dito ultrabook com skins a imitar o Mac OS X Lion!

Eu sou aquele early adopter que se rendeu à Google e ao universo Android. Por isso escrevo os meus post do meu Samsung Galaxy S II, considerado por muitos como o melhor smartphone Android do mercado, mais conhecido por ser o melhor “iPhone killer“!! E também já não largo o meu Asus Eee Pad transformer, considerado o melhor tablet Android da actualidade, que tem tudo o que o iPad não tem, e no qual passo a vida a instalar skins do iPad!!!

Portanto, meus amigos, vejam só: mesmo quando consumimos outros “gadgets” fora do universo Mac, a verdade é que a referência por excelência para explicar o que quer que seja sobre eles ou as tendências de consumo que levaram à sua aquisição, acabam SEMPRE por ir parar ao universo criativo de Steve Jobs!

Mas para além dos ícones tecnológicos que deixa como legado, o que Steve Jobs deixa como sinal mais marcante da sua passagem pelo mundo pode ser resumido numa célebre frase que usou nm discurso na Universidade de Stanford, em 2005: “stay hungry, stay foolish“. Com esta frase, Steve resumia o essencial da sua filosofia de vida: devemos permanecer com “fome” de realização, com “fome” de criação, bem como nunca esquecendo de alimentar a “loucura” dos nossos sonhos, que são o que nos dá sentido à vida e nos faz progredir, evoluir, perseverar.

E Steve foi um exemplo vivo de como se pode praticar esta filosofia de vida, que potencia os nossos talentos e ajuda a cumprir os nossos sonhos, que acabam por ser o nosso legado, o testemunho da nossa passagem por este mundo.

E devemos aproveitar essa passagem ao máximo, vivendo cada momento não como se fosse o último, mas o único que temos, pois não sabemos se a jornada será curta ou longa. E é essa condição de mortalidade, em que a vida é uma benção efémera e preciosa, que nos faz querer fazer coisas com sentido, que nos faz querer deixar a nossa marca no mundo. De facto, se fôssemos imortais, podíamos deixar essa (árdua) tarefa sempre para amanhã. Mas não podemos, e por isso vivemos a correr atrás da vida, com mais ou menos prazer, com mais ou menos consciência do valor daquilo que fazemos.

Como Steve Jobs dizia “Tens de encontrar a tua paixão. Se ainda não a encontraste, continua a procurar. Não te conformes. Lembrar-me de que vou estar morto em breve é a ferramenta mais importante que encontrei para me ajudar nas grandes decisões da vida…”.

Steve Jobs viveu a vida como a proclamou: intensamente e com prazer, até ao último suspiro. Que o exemplo dele nos inspire. Vou sentir a falta dele…

Em sua homenagem, para além da nova imagem do “Mentes Brilhantes”, deixo-vos um caderno especial sobre Steve Jobs do Expresso, o vídeo com o depoimento emocionado do seu parceiro de negócios Steve Wozniak, um vídeo que recorda o percurso notável da Apple e um vídeo final evocativo deste verdadeiro herói dos nossos tempos.

Enjoy it! 😉