Reflexões, Trends

O estilo “startup”

Surge este post do visionamento de um excerto de uma entrevista dada pelo saudoso Steve Jobs, em que ele descreve a forma como a Apple gere as suas pessoas.

Confesso que o Steve consegue ser sempre uma fonte de inspiração, por muito tempo que passe 😉

Nesta entrevista, Steve explica a gestão das pessoas da Apple de forma muito simples, em torno de 2 ou 3 princípios básicos:

  1. As pessoas na Apple são geridas como se a empresa se tratasse de uma startup, semeando nas mesmas diariamente o entusiasmo de quem todos os dias cria algo de novo, inovador, e que fará a diferença;
  2. Na Apple não existem Comités. A responsabilidade de cada componente fundamental do negócio é atribuída a uma pessoa, que assume responsabilidade pelo seu desenvolvimento, sem politiquices pelo meio. Estes responsáveis juntam-se periodicamente e partilham aquilo que estão a fazer, num trabalho em equipa que procuram cultivar em todas as equipas de trabalho;
  3. Na Apple, o trabalho principal dos líderes é dinamizar o trabalho em equipa e a “sementeira” de ideias que podem fazer evoluir o negócio, num debate livre e aberto;
  4. A regra de ouro é que todos podem apresentar ideias e debatê-las, sem medo da posição hierárquica do interlocutor. Porquê? Porque o princípio é o de que deve ganhar a melhor ideia, e não a ideia do mais “graduado”. E o exemplo é cultivado por todos os líderes.

Quatro princípios que poderiam definir o chamado “estilo startup”… inspirador não?

Como Steve Jobs a certo ponto afirma, não podemos querer atrair pessoas talentosas para a nossa organização se não as deixarmos contribuir livremente com as suas boas ideias.

Não poderia estar mais de acordo!

Deixo-vos com o vídeo da entrevista ao Steve. Enjoy it! 😉

Trends

Talento nos Mercados Emergentes

20120620-150742.jpgSurge este post a propósito de um excelente artigo saído na McKinsey Quarterly intitulado “How Multinationals can attract the talent they need“.

Este é um artigo extremamente interessante, uma vez que ilustra uma realidade que nos parece muito distante, que se prende com os mercados emergentes, na região Ásia-Pacífico e na América do Sul.

Ao contrário do que se passa no deprimido Primeiro Mundo, a mobilidade do talento acompanha o dinamismo da economia, fazendo com que aquilo que a McKinsey chama a guerra pelo talento esteja, na sua perspectiva, ao rubro nestas regiões do Globo!

Para termos uma ideia do que isto significa, segundo um survey feito recentemente pela McKinsey na China, a rotação de executivos seniores situa-se entre os 30 e os 40% ao ano! Isto é apenas 5 vezes a média internacional!

Desta forma, as multinacionais enfrentam nos mercados emergentes um desafio novo, associado a uma enorme mobilidade do talento, pelo que têm de encontrar novas formas de se tornarem atractivas enquanto empregadores globais.

Sendo a retenção mais difícil, os custos de substituição também tendem a subir, uma vez que os custos de contratação nestes mercados para quadros talentosos é hoje mais cara que nos mercados maduros.

Por outro lado, a força das marcas locais tende a aumentar drasticamente, tornando mais difícil a conquista de talento nesses mercados por parte das multinacionais globais. A título de exemplo, a McKinsey refere que, na China, em 2010, 7 dos 10 empregadores mais atractivos são empresas chinesas, contra 2 em 10 em 2006! Este aumento da atractividade local não pode assim deixar de ser ignorado.

Por fim, outro fenómeno paradoxal prende-se com o facto de a mobilidade dos quadros nos mercados maduros ter diminuído drasticamente. Aparentemente, os tempos incertos que vivemos levaram a que a disponibilidade desses quadros para trabalhar no exterior diminuísse, em vez de aumentar…

Perante esta situação, a McKinsey deixa algumas pistas para que as multinacionais possam renovar e robustecer a força e atractividade da sua marca como empregadores:

1. Mais alinhamento entre as políticas de gestão do talento e as necessidades do negócio, evitando os erros clássicos cometidos por exemplo pela Enron, que tornou a gestão do talento um fim em si mesmo, ignorando a sustentabilidade dos negócios e as reais necessidades de competências para os desenvolver;

2. Mais oportunidades de evolução internacional efectiva para os quadros dos mercados emergentes, evitando a eugenia organizacional e promovendo a diferença para lá da mera diversidade politicamente correcta para alimentar estatísticas de responsabilidade social (Cf. o meu post sobre eugenia organizacional e diversidade);

3. desenvolver mais o employer branding, apostando em: compensação competitiva, boas condições de trabalho, lideranças que apostam no desenvolvimento das pessoas e no envolvimento das equipas, bem como boa comunicação organizacional… Parece-vos familiar? 🙂 já a isso tinha feito referencia no meu post sobre employer branding;

4. Desenvolver um EVP – employer value proposition – local ajustado e customizado às necessidades dos mercados emergentes, sem perder a força global da marca (Cf. meu post sobre engagement marketing);

5. Criar políticas mais family-friendly, como fizeram a Nestlé e a Motorola na Ásia.

Recomendo vivamente a leitura do artigo integral, pois dá-nos em que pensar e relata muitas boas práticas.

Votos de boa leitura! 🙂

Reflexões, Trends

A felicidade como motor do talento

Retomo hoje a escrita no Mentes Brilhantes aproveitando uma pausa entre comboios na Estação de Campanhã, hoje particularmente mais animada tendo em conta a renovação do título do FC Porto.

Aproveito este “mood” animado para falar de um tópico curiosamente pouco na moda nos dias de crise que vivemos: a felicidade.

Tenho trabalhado este tema nos últimos dois anos, ajudando pessoas e organizações a aumentarem o seu “rácio de felicidade” e a descobrirem novos sentidos para o que fazem na vida. Tem sido uma jornada apaixonante e motivadora, apesar de ser totalmente contra a “corrente negativista” que abala o nosso velho continente europeu e este cantinho à beira mar plantado em especial 🙂

Aquilo que a experiência me mostra é que está muito mais na mão de cada um de nós decidir o que fazer com o que a vida nos dá do que aquilo que incicialmente pensaríamos. Tenho visto isso acontecer com executivos, com equipas, com pessoas normais e mesmo até com pessoas muito próximas, em circunstâncias muito difíceis, para não lhes chamar extremas… e é impressionante o poder da vontade humana!

No seguimento desta minha reflexão, que já começou com o meu post “Gestão da Felicidade“, não quis deixar de partilhar convosco uma palestra brilhante, feita em 2009 pelo notável Vishen Lakhiani, CEO da MindValley, uma empresa em ascensão que é um modelo exemplar de como a felicidade pode ser usada como uma ferramenta para a produtividade.

Nesta (longa) palestra, que dura mais de 50 minutos, cada palavra é uma fonte de inspiração, valendo cada minuto de visionamento, pelo entusiasmo e lucidez com que Vishen nos conta a sua história e os resultados que atingiu.

O fundador do MindValley apresenta alguns conceitos novos, como o de flow:
Flow is the mental state of operation in which a person in an activity is fully immersed in a feeling of energized focus, full involvement, and success in the process of the activity.
Este conceito vem da psicologia positiva, e tem um apelo tão significativo e poderoso que hoje constitui um dos princípios fundacionais da minha própria empresa e da sua missão!
Vishen defende ainda que é preciso uma combinação entre ser feliz no presente e ter uma visão para o futuro. Seguindo este raciocínio, explica-nos que podemos encontrar-nos num de quatro estádios, a saber:
  1. infelicidade no presente & sem visão para o futuro: o mais negativo, em que a pessoa está perdida e deprimida;
  2. felicidade no presente & sem visão para o futuro: o estado de felicidade transitória, pouco sustentável, sem profundidade;
  3. infelicidade no presente & visão para o futuro: stress do presente, típico de um escravo do status quo;
  4. felicidade no presente & visão para o futuro: estado de total rendimento e energização;
Escusado será perguntar-vos qual o estádio que ele procura que os seus colaboradores vivam, certo? 😉 Esta definição destes quatro estádios faz-me lembrar outra autora que muito admiro, e que é arauta da disciplina do pensamento olímpico, que é a Marilyn King. Se não a conhecem, não deixem de espreitar o site 🙂
Vishen dá-nos ainda 10 recomendações práticas para aumentar a felicidade nas nossas organizações, retiradas directamente da sua experiência na MindValley:
  1. Agradecer diariamente: na MindValley, criaram uma página no site para agradecerem uns aos outros as ajudas que recebem (alargando o conceito a clientes, inclusivé!);
  2. Celebrar o que correu bem: ponto obrigatório nas agendas das reuniões, para celebrar os sucessos e as conquistas e as realizações;
  3. Partilhar os lucros com os colaboradores numa base mensal: como forma de criar comprometimento sustentado, por oposição à “febre dos resultados de curto prazo”, gerada pelas stock options;
  4. Sweet sugar love machine“: software que permite a oferta de pequenas prendas aos colegas e pares, como forma de fomentar o apreço entre colegas;
  5. Regra – 45/5: não se trabalha mais de 45 horas por semana, sendo que 5 dessas horas deve ser investida em aprendizagem e estudo (dentro ou fora da empresa);
  6. Partilha de conhecimento: criaram uma plataforma de partilha de conhecimento que permite que cada colaborador ensine alguma coisa aos outros colegas;
  7. Meditação em grupo – criaram o hábito de meditar em grupo regularmente, como forma de reflectir sobre o futuro e visualizar o mesmo, mantendo a cabeça “limpa”, serena e focada;
  8. Patrocínio do “fun” na comunidade – a MindValley patrocina festas da cidade, como o Halloween, procurando praticar para fora aquilo que é praticado para dentro, conseguindo atrair talento inesperado para a empresa pela forma “cool” como funciona e interage com o meio envolvente;
  9. Stamina positiva” – como explica Vishen, a disseminação de pensamentos positivos na abordagem dos problemas potencia a aprendizagem, dando enfoque à solução em vez de dar enfoque ao erro;
  10. Fomentar experiências e conexões – desenvolver um network activo e vivo, que enriqueça as pessoas. A ideia é aumentar o grau de exposição dos colaboradores a mentes brilhantes, que possam ajudar as pessoas a crescer.

Termino deixando para vosso deleite o vídeo da palestra do Vishen. Enjoy it! 😉

Factos, Reflexões, Trends

Steve Jobs: o talento imortalizado

Hoje ao comprar o jornal, o meu dia ficou muito triste.

Morreu um dos mais emblemáticos heróis da minha geração: Steve Jobs. Um homem que, com recurso apenas ao engenho, à paixão pela perfeição e à estética, conseguiu mudar o mundo.

E mudar o mundo sem disparar uma bala é algo notável, e infelizmente menos comum do que desejaríamos 😦  No entanto, Steve Jobs conseguiu fazê-lo.

Steve Jobs não é um herói clássico.

Não foi um tipo bonzinho, do género Charlie Brown. Perdia a paciência com a incompetência ou a mediocridade. Não foi um tipo certinho, do género Clark Kent. Largou a universidade para cumprir o seu sonho. Não foi um tipo desenrascado, como o McGyver. Sabia que a perfeição era possível e ela estava nos detalhes obsessivamente preparados.

Ao contrário do Bill  Gates, fundador da Microsoft (que é um cromo simpático que gostaríamos de ter ao pé de nós, do tipo “Nuno Markl da informática”), Steve Jobs é aquele tipo de cromo que gostaríamos de ser um dia. Bill Gates é porreiro e simpático. Steve Jobs é uma referência. Ponto final.

E isto é escrito por alguém que (ainda) não comprou um único produto da Apple!

Mas deixem-me confessar-vos… tenho passado a vida a sonhar como seria ter comprado 🙂 E isto é a “mística” que Steve Jobs criou: o poder de um conceito que alia a estética à funcionalidade, a paixão à fiabilidade, a sofisticação à simplicidade, e que desperta nas pessoas o desejo.

Eu sou aquele consumidor que (como muitos, certamente), se esmifra para ter o último ultrabook da moda, com 8 GB de RAM e um disco SSD ultra-rápido, mas com Windows (clientela oblige 😦 !). Por isso, o meu desporto favorito depois é kitar o dito ultrabook com skins a imitar o Mac OS X Lion!

Eu sou aquele early adopter que se rendeu à Google e ao universo Android. Por isso escrevo os meus post do meu Samsung Galaxy S II, considerado por muitos como o melhor smartphone Android do mercado, mais conhecido por ser o melhor “iPhone killer“!! E também já não largo o meu Asus Eee Pad transformer, considerado o melhor tablet Android da actualidade, que tem tudo o que o iPad não tem, e no qual passo a vida a instalar skins do iPad!!!

Portanto, meus amigos, vejam só: mesmo quando consumimos outros “gadgets” fora do universo Mac, a verdade é que a referência por excelência para explicar o que quer que seja sobre eles ou as tendências de consumo que levaram à sua aquisição, acabam SEMPRE por ir parar ao universo criativo de Steve Jobs!

Mas para além dos ícones tecnológicos que deixa como legado, o que Steve Jobs deixa como sinal mais marcante da sua passagem pelo mundo pode ser resumido numa célebre frase que usou nm discurso na Universidade de Stanford, em 2005: “stay hungry, stay foolish“. Com esta frase, Steve resumia o essencial da sua filosofia de vida: devemos permanecer com “fome” de realização, com “fome” de criação, bem como nunca esquecendo de alimentar a “loucura” dos nossos sonhos, que são o que nos dá sentido à vida e nos faz progredir, evoluir, perseverar.

E Steve foi um exemplo vivo de como se pode praticar esta filosofia de vida, que potencia os nossos talentos e ajuda a cumprir os nossos sonhos, que acabam por ser o nosso legado, o testemunho da nossa passagem por este mundo.

E devemos aproveitar essa passagem ao máximo, vivendo cada momento não como se fosse o último, mas o único que temos, pois não sabemos se a jornada será curta ou longa. E é essa condição de mortalidade, em que a vida é uma benção efémera e preciosa, que nos faz querer fazer coisas com sentido, que nos faz querer deixar a nossa marca no mundo. De facto, se fôssemos imortais, podíamos deixar essa (árdua) tarefa sempre para amanhã. Mas não podemos, e por isso vivemos a correr atrás da vida, com mais ou menos prazer, com mais ou menos consciência do valor daquilo que fazemos.

Como Steve Jobs dizia “Tens de encontrar a tua paixão. Se ainda não a encontraste, continua a procurar. Não te conformes. Lembrar-me de que vou estar morto em breve é a ferramenta mais importante que encontrei para me ajudar nas grandes decisões da vida…”.

Steve Jobs viveu a vida como a proclamou: intensamente e com prazer, até ao último suspiro. Que o exemplo dele nos inspire. Vou sentir a falta dele…

Em sua homenagem, para além da nova imagem do “Mentes Brilhantes”, deixo-vos um caderno especial sobre Steve Jobs do Expresso, o vídeo com o depoimento emocionado do seu parceiro de negócios Steve Wozniak, um vídeo que recorda o percurso notável da Apple e um vídeo final evocativo deste verdadeiro herói dos nossos tempos.

Enjoy it! 😉

Factos, Reflexões

Talento Felino

Apresento-vos o Baltazar. Este elegante felino preto de olhos amarelos fez-me companhia na última década, e ensinou-me como a inteligência e a personalidade não são apanágio exclusivo da espécie humana.

Vindo de uma ninhada de gatos de campo da região de Torres Novas, o Baltazar foi salvo in extremis do seu destino provável (um primeiro e último “banho”), para se poder dedicar a uma vida de ócio, prazer, brincadeira e sabedoria na companhia de humanos urbanos, sedentos de um exemplo vivo das maravilhas que a natureza pode fazer…

Sempre acreditei que ter animais em casa é útil e pedagógico:

  • Desenvolve o sentido de responsabilidade e a chamada “generatividade” – pulsão para cuidarmos de alguém;
  • Promove o respeito pela vida e pela natureza;
  • Potencia o respeito pela diversidade;
  • Faz-nos desenvolver os afectos;
  • Faz-nos companhia;
  • Leva-nos à permanente surpresa e descoberta, pela observação de reacções e façanhas animais;
  • Dá-nos lições de humildade (como por vezes um animal pode ser mais generoso que um humano);
  • Dá-nos lições de paciência (conquistar um gato é uma tarefa impossível, que requer uma “serenidade oriental”);
  • Também nos dá despesas extra (comida, bebida, areia, veterinário e estofos – ó ceús, os estofos!)

Ainda e sempre, o balanço é positivo. À falta de um, lá em casa são 3 gatos, para criar verdadeiro estofo de educador 🙂 E é tão bom 😉

O Baltazar foi sempre o líder do grupo, mas um autêntico cavalheiro para com a sua menina Constança (a gata). Mesmo quando estava doente, não deixava de ter um gesto de afecto para nós. E o seu apetite era voraz, ao ponto de ter chegado a comer um atacador (que regorjitou aparatosamente dia e meio depois).

Poderia estar aqui a tarde inteira a contar episódios dele, que ainda não seria suficiente para ilustrar aquele verdadeiro talento felino…

O Baltazar deixou-nos a 27 de Abril. Levei-o de volta para onde nasceu: Torres Novas. Mas eu continuo a ser o dono de 3 gatos…

Afinal, o Baltazar só não mora lá em casa: mas vive connosco na mesma 😉 nos nossos corações!

Continuação de bom Verão!

Eventos, Factos, Recomendações, Trends

Portugal na Frente

Como os leitores do Mentes Brilhantes já certamente repararam, neste blog não alinhamos com o registo pessimista e depressivo que invade o nosso país, tão carente de auto-estima nesta fase menos fácil da sua História.

Apesar da Troika, apesar do rate de “lixo” da Moody’s, a verdade é que há neste país uma enorme massa de gente com talento e que, todos os dias, ajuda a construir um futuro que queremos intransigentemente que seja próspero e falado em português!

Por isso, optamos por divulgar o que se faz bem em Portugal, optamos por divulgar os talentos individuais e colectivos que existem em Portugal, acreditando que a divulgação dos bons exemplos terá um efeito virtuoso e multiplicador.

Assim, optamos por dizer bem, sem perder naturalmente o sentido crítico. Dizer bem, elogiar, apesar de pouco em voga, não custa dinheiro e faz bem aos visados e àqueles que precisam de ser inspirados.

E sabem o que é fantástico? É descobrir que não estamos sós nesta “cruzada positiva”! 🙂 Acabei de descobrir um grupo fantástico no Facebook, chamado “Portugal na Frente“. E o que faz este grupo? Simples. Adoptou como missão divulgar notícias positivas sobre Portugal.

Os membros deste grupo procuram encontrar notícias que ilustrem o que se faz de bom e positivo em Portugal, os seus maiores méritos e feitos. E sabem qual a novidade interessante? É que para lá dos clichés nacionalistas a que assistimos no famoso vídeo produzido para os finlandeses e que podemos encontrar facilmente no Youtube, a verdade é que há uma imensa quantidade de pessoas e realizações, por vezes pouco divulgadas, que provam que em Portugal se fazem coisas de elevadíssima qualidade, ao nível do melhor que se faz no mundo!

Recomendo vivamente que adiram a este grupo no Facebook,para que ele passe dos 270 actuais “militantes” para os muitos milhares de contribuidores positivos 🙂

Termino com um vídeo que ilustra de forma simples e clara por que devemos amar e ter orgulho no nosso país. Enjoy it! 😉

Eventos, Factos, Reflexões, Trends

A Res Publica vista por um empresário

Surge-me este post por ocasião da tomada de posse ontem do XIX Governo, que marca seguramente um virar de página nos destinos do nosso país.

É curioso constatar como a nossa forma de ver o mundo muda conforme as nossas circunstâncias e vivências…

Até há dois anos atrás, quando na minha actividade profissional eu me limitava a trabalhar para alguém e esperar um ordenado ao fim do mês, lembro-me que olhava para as eleições como olha um adepto de um clube de futebol para um “derby”: basicamente, torcemos pelo nosso “favorito” e tudo o que de mal aconteça é culpa do adversário ou do árbitro 😉

Dei por mim a mudar radicalmente a minha perspectiva sobre a condução dos destinos da nossa Res Publica quando me tornei empresário. De facto, a responsabilidade de desenvolver um negócio, de gerar receitas, de gerar emprego, de fazer boas transacções e de pagar salários fez com que deixasse de olhar para as eleições como um simples membro de uma claque…

Para mim, mais importante que ganhar o meu “favorito”, o que se tornou absolutamente prioritário é que das eleições saiam soluções governativas estáveis, que durem uma legislatura e que permitam que a economia funcione.

Sejamos claros: não advogo o absoluto pragmatismo tecnocrático dos executivos, devidamente liofilizados numa solução governativa “apolítica”! Isso não existe e todos nós temos preocupações e preferências que devem justificar a opção que se traduz no nosso voto. Sempre votei em consciência e confesso que não entendo quem se queixa da vida e nunca votou, ou quem se abstém de escolher, votando em branco…

Todavia, após a expressão de liberdade que é a opção por via do voto, aquilo que para mim é importante é que o país funcione, e que haja condições para que nos deixem trabalhar.

Ao longo dos últimos tempos, confesso que sentia que Portugal estava semi-esquizofrénico… na verdade, via um país nos noticiários que podia ser definido pela palavra “desastre”, tal era o turbilhão de notícias sobre a crise e as ameaças que pairavam sobre nós. Por outro lado, sempre que saía à rua, encontrava um país diferente: o país de quem continuou a trabalhar, com a serenidade possível, garantindo que tudo continuava a funcionar da melhor forma.

É pois desse país que falo: daqueles que, todos os dias, usam o seu talento para fazer cumprir Portugal. E repito: agora deixem-nos trabalhar!

Não quero deixar de dar aqui uma nota de apreço e esperança relativamente ao novo elenco governativo. Confesso foi uma agradável surpresa por:

  1. Ser um governo de caras novas”, que potencia um refrescamento na forma de fazer política e de olhar os problemas;
  2. Ser um governo com uma média etária surpreendentemente nova, que potencialmente quebra com a tradição de um certo “carreirismo político”;
  3. Ser um governo com uma boa dose de “estrangeirados”, que trazem mundo à governação;
  4. Ser um governo com uma boa dose de independentes, que trazem espírito crítico à governação;
  5. Ser um governo pequeno, que é um exemplo virtuoso e que encoraja a eficácia.

Quero destacar do elenco governativo dois nomes, que me parecem bons exemplos do que pode ser esta mudança de ciclo:

  • Nuno Crato – um dos nomes mais conceituados da nossa Ciência, Nuno Crato é um democratizador da Matemática em Portugal, um divulgador de ciência e um acérrimo defensor do mérito. Dele podemos esperar o melhor para a Educação e Ciência;
  • Paulo Macedo – gestor de renome, que tive o privilégio de conhecer no Millennium BCP, foi talvez o Director Geral dos Impostos mais competente que Portugal já teve. Ninguém melhor para profissionalizar uma área como a Saúde, que precisa de ser eficiente sem deixar de cumprir a sua imprescindível missão.

Resta-me desejar que este Governo tenha a melhor sorte possível, a bem de Portugal. Independentemente das minhas opções pessoais, estes seriam sempre os meus votos enquanto empresário português.

Votos de bom trabalho! 😉

Factos, Recomendações, Trends

IM (a fan!)

Descobri ontem uma verdadeira pérola do talento português: a IM Magazine!

Esta é uma espantosa publicação, que se assume como uma revista exclusivamente online, mas que tem tudo o que revistas de referência têm: grafismo de excelência, conteúdos inteligentes, interessantes e divertidos, investigação temática, colaboradores de qualidade, em suma, jornalismo ao nível de uma Monocle, uma Wired ou uma Intelligent Life, mas em formato digital e bilingue (português/inglês).

Esta revista, dirigida pela Ana Teresa Silva, também ela um talento em ascensão, assume particular originalidade pela missão que abraça: divulgar o que o mundo tem de melhor, as melhores práticas, os bons exemplos, os protagonistas da mudança positiva que se constrói todos os dias!

E sabem que mais: esta é uma revista lida actualmente em 142 paises!

Num momento tão depressivo, em que só se fala de coisas negativas, descobrir a IM Magazine foi uma lufada de ar fresco!

Parabéns à IM Magazine e a todos os que a constroem dia a dia!

Deixo-vos com um vídeo sobre as pessoas de que a IM fala… de certeza que se vão querer juntar à “tribo” 😉

Enjoy it 🙂

Reflexões, Trends

Gestão da Felicidade

O Mentes Brilhantes andou silencioso quase um par de meses, graças a uma agenda de trabalho que tem crescido a um ritmo quase tão avassalador quanto os juros da nossa dívida soberana!

Aos leitores do Mentes Brilhantes o meu pedido de desculpas, mas por vezes a realidade não-digital faz valer os seus argumentos 😉

Ao longo destes dois meses, entre as muitas coisas que fui fazendo, uma em particular mereceu para mim particular destaque e carinho. Estive a correr o país de Norte a Sul, ao serviço de um cliente meu, fazendo palestras sobre uma área de investigação/acção que tenho vindo a explorar em conjunto com outra colega minha: a gestão da felicidade.

Esta é uma área de investigação recente, em que uma das pioneiras é a Barbara Fredrickson, cujo contributo para a aplicação prática da gestão da felicidade nas nossas vidas pessoais, mas também na vida das organizações é absolutamente significativo e relevante!

Esta é uma área específica de aplicação da Psicologia Positiva, que aqui tenho referido frequentemente, e cuja relevância para o futuro de todos nós me parece inegável: todos almejamos a ser melhores pessoas, mais equilibradas e realizadas (faz parte da natureza humana)!

E curiosamente, os avanços da ciência nos mais variados campos (psicologia, neurologia, gestão, etc.) permitem hoje a cada um de nós, simples cidadãos do mundo, conhecer-nos a nós próprios e melhorar, desenvolvendo estratégias para sermos pessoas mais felizes.

E não falo da felicidade do consumo, que é uma das doenças deste século, a par do stress: falo isso sim da felicidade que deriva da capacidade que temos de descobrir o nosso sonho, a nossa missão de vida, o propósito que nos mobiliza e transcende.

Só depois de descobrirmos isso poderemos rever as nossas prioridades, e concentrarmo-nos nos aspectos da vida que são verdadeiramente relevantes, valiosos e inadiáveis para nós (e quantos de nós passam anos a adiar o que verdadeiramente vale a pena porque andamos muito ocupados a ganhar dinheiro para comprar mais um plasma de 50 polegadas…).

Depois de descobrirmos o que é realmente importante, temos de aprender a dizer não, optando pelo que verdadeiramente vale a pena, de forma inteligente e positiva, desenvolvendo a resiliência necessária para não nos desviarmos dos nossos objectivos.

Este passo tem de ser dado a par com a necessidade de descobrirmos os nossos pontos fortes, para que nos possamos concentrar neles e possamos brilhar. É o nosso talento que nos diferencia, e não a tentativa de sermos medianos em tudo, para não destoar dos grupos em que nos inserimos (pessoal e profissionalmente).

Assim, ser diferente não é mau, é apenas diferente! E se for uma diferença que nos permita ganhar vantagem competitiva, tanto melhor!

Assim se constrói a felicidade: fazendo uma caminhada de vida que nos permita chegar a um estádio onde fazemos o que verdadeiramente gostamos e somos recompensados por isso 🙂

E os estudos da Barbara Fredrickson vêm precisamente corroborar esta perspectiva! No seu livro Positivity, a autora revela-nos algumas descobertas interessantes, das quais destaco:

  • as pessoas felizes têm melhores desempenhos, ou seja, criam um chamado ciclo virtuoso. Ao serem mais positivas, interagem de forma mais positiva e potenciam a obtenção de melhores resultados mais facilmente, pois geram consensos e adesão com menos esforço;
  • as pessoas felizes ganham mais, ou seja, ao terem melhores desempenhos, têm maiores recompensas. Um estudo por ela feito ao longo de 14 anos comprova que as pessoas felizes podem ganhar mais 30% que as pessoas que o não são! Logo, o dinheiro não traz felicidade, mas a felicidade pode trazer dinheiro!!!
  • a felicidade atinge-se como estádio autónomo e constante a partir de um rácio de positividade de 3:1, ou seja, quando os pensamentos positivos superam os negativos no nosso quotidiano numa proporção de 3 para 1! Como o conseguimos? Praticando, praticando, praticando… mas sobre isso falaremos mais tarde.

Sobre a felicidade e a Barbara deixo-vos ainda uma peça do Sun com uma mini-entrevista à autora, bem como um vídeo da Barbara sobre emoções positivas.

Enjoy it e façam o favor de serem felizes 😉

Reflexões, Trends

Recompensa e motivação

Surge este post de um excelente contributo do Luís Matias, meu aluno no curso Saber Liderar, que não resistiu a enviar-me um excelente vídeo do Youtube, após o debate que tivemos na aula acerca de recompensa e motivação.

Neste debate, discutimos a diferença entre recompensas intrínsecas e recompensas extrínsecas, ou seja, até que ponto conseguimos motivar-nos apenas com a expectativa de uma recompensa financeira, ou se será necessário algo mais, que funcione como atribuidor de sentido e vitamina energizadora do nosso esforço discricionário.

Naturalmente que eu acredito que é necessário algo mais, e a minha própria experiência de vida o confirmou, para lá das excelentes teorias de Herzberg ou Maslow.

Na verdade, quando somos aumentados, muito rapidamente o incremento financeiro que sofremos passa a ser incorporado no nosso nível de vida, tendo um impacto diminuto, senão mesmo marginal na nossa motivação.

Clarifico desde já que não estou a afirmar que o dinheiro não é importante: é, e muito, mas apenas no sentido que é necessário para mantermos adequados níveis de satisfação… e isso nada tem a ver com motivação.

Ou seja, se não houver dinheiro lá em casa para pagar o colégio das crianças, tenderemos a andar insatisfeitos e preocupados, não conseguindo o focus necessário para desenvolvermos uma actividade profissional de excelência – e isto é destruição de valor. Todavia, se ganharmos um salário percebido como “justo”, isso previne a destruição de valor, mas não garante maior criação de valor, pois isso depende da nossa motivação para fazer melhor.

E a motivação é activada por recompensas intrínsecas à nossa profissão, como a atribuição de maiores responsabilidades ou desafios, oportunidades de aprendizagem ou reconhecimento profissional (todas eles ligadas à progressão de carreira, ao sentido atribuído à profissão e ao inevitável conjunto de aspirações para o futuro).

O vídeo que aqui partilhamos, foca-se no resultado de alguns recentes estudos que apontam para as seguintes conclusões:

  • o dinheiro só é eficiente como motivador em actividades simples e repetitivas (pouco sofisticadas);
  • qualquer actividade que implique o recurso ao pensamento criativo, à tomada de decisão e à análise das situações, tem no dinheiro um motivador que tipicamente prejudica a performance;
  • os melhores motivadores alternativos nestes casos são:
  1. A autonomia, ou seja, a liberdade para criar, para encontrar soluções para os problemas, para deixar a sua marca no trabalho feito;
  2. A excelência, ou seja, o encorajamento para a procura da melhoria contínua, para o prazer de fazer bem (mastery);
  3. O propósito, ou seja, o motivo inspirador que justifica existencialmente e moralmente a actividade profissional.

Curiosamente, estes motivadores são genericamente aceites como enablers do desenvolvimento de talento… não será por acaso, concerteza 😉

Deixo-vos aqui dois textos muito interessantes sobre o tema:

The Power of Intrinsic Rewards

THE FOUR INTRINSIC REWARDS THAT DRIVE EMPLOYEE ENGAGEMENT

Por fim, o vídeo que deu origem a este post… obrigado Luís!

Enjoy it 😉 !!!

E ainda… um genial vídeo com uma palestra do brilhante Dan Pink, que em plenas TED Talks tão bem explica esta temática: