Factos, Trends

A minha quarta incursão pelo “Appleverse”

E eis que finalmente o ciclo fecha-se: com a minha quarta incursão pelo “appleverse” concluí a aquisição do último igadget que me faltava: o espantoso iPhone 4S.

Mais uma vez a história repete-se: eu era possuidor do melhor smatphone Android do momento: o fantástico Samsung Galaxy S II. Equipado com um imenso écran super-amoled, um poderoso processador e memória a rodos, o Galaxy S II funcionava de forma rápida e fluida, com uma imensidão de aplicações que o Google Play me oferecia.

E todavia, a experiência de utilização voltou a fazer da Apple a grande vencedora.

É absolutamente espantoso como um terminal que, visto apenas pelas especificações técnicas, é inferior ao Galaxy S II, acaba depois por vencê-lo em toda a linha pela fluidez e facilidade com que tudo funciona de forma integrada.

Em primeiro lugar, a rapidez da curva de aprendizagem: sendo já utilizador de um iPad, de um iPod e de um MacBook Air, ao fim de 5 minutos a máquina estava perfeitamente dominada na compreensão das suas funcionalidades.

Em segundo lugar, a fluidez do sistema operativo: zero crashes, nenhuma lentidão, nenhum restart. Mais impecável seria impossível.

Em terceiro lugar, o écran: apesar de mais pequeno, o écran retina display tem maior definição e cansa menos a vista.

Em quarto lugar, o chassis monobloco em alumínio e o tamanho: caso para dizer que menos é mais no caso do tamanho (mais manuseável) e mais é menos no caso do peso (mais pesado=mais segurança e conforto no manuseio e mais robustez no chassis). Já para não falar na elegância, claro…

Em quinto lugar a integração: um tipo tira uma foto no iPhone e segundos depois ela está em todos os iDevices que estejam ligados à net! Impecável!

Em sexto lugar a solução de geolocalização: o cruzamento de fontes faz com que o TMNdrive arranque em 3 segundos e nunca falhe!

Em sétimo e último lugar a gestão de energia: a bateria dura, dura, dura!

Recomendo vivamente! Abraços aos “applefollowers” e mais uma vez o meu obrigado à Apple 😉

 

Reflexões, Trends

O estilo “startup”

Surge este post do visionamento de um excerto de uma entrevista dada pelo saudoso Steve Jobs, em que ele descreve a forma como a Apple gere as suas pessoas.

Confesso que o Steve consegue ser sempre uma fonte de inspiração, por muito tempo que passe 😉

Nesta entrevista, Steve explica a gestão das pessoas da Apple de forma muito simples, em torno de 2 ou 3 princípios básicos:

  1. As pessoas na Apple são geridas como se a empresa se tratasse de uma startup, semeando nas mesmas diariamente o entusiasmo de quem todos os dias cria algo de novo, inovador, e que fará a diferença;
  2. Na Apple não existem Comités. A responsabilidade de cada componente fundamental do negócio é atribuída a uma pessoa, que assume responsabilidade pelo seu desenvolvimento, sem politiquices pelo meio. Estes responsáveis juntam-se periodicamente e partilham aquilo que estão a fazer, num trabalho em equipa que procuram cultivar em todas as equipas de trabalho;
  3. Na Apple, o trabalho principal dos líderes é dinamizar o trabalho em equipa e a “sementeira” de ideias que podem fazer evoluir o negócio, num debate livre e aberto;
  4. A regra de ouro é que todos podem apresentar ideias e debatê-las, sem medo da posição hierárquica do interlocutor. Porquê? Porque o princípio é o de que deve ganhar a melhor ideia, e não a ideia do mais “graduado”. E o exemplo é cultivado por todos os líderes.

Quatro princípios que poderiam definir o chamado “estilo startup”… inspirador não?

Como Steve Jobs a certo ponto afirma, não podemos querer atrair pessoas talentosas para a nossa organização se não as deixarmos contribuir livremente com as suas boas ideias.

Não poderia estar mais de acordo!

Deixo-vos com o vídeo da entrevista ao Steve. Enjoy it! 😉

Recomendações, Trends

A minha terceira incursão pelo “Appleverse”

Como podem os leitores constatar, a minha aventura pelo “appleverse” não pára. De facto, depois de começar pelo iPod e continuar pelo iPad, era chegada a hora de fazer a verdadeira grande “migração tecnológica”: largar os PC’s e passar a usar um Mac!

Assim, deixem-me apresentar-vos a minha recente coqueluche informática: o fantástico MacBook Air de 13″.

É curioso como a conversão ao “appleverse” é poderosa: antes eu tinha um ultrabook da Toshiba com Windows 7, 8 Gb de RAM, 256 GB de SSD e um processador Core i7.

O meu actual MacBook Air não é tão potente: apesar de ter também 256 Gb de SSD, tem apenas 4 Gb de RAM e o processador é um Core i5. Todavia, o que  é absolutamente surpreendente é que esta máquina, com características inferiores mas com o fantástico sistema operativo OSX Lion bate 10 a zero a prestação do Toshiba!

Porquê? Porque o sistema corre de forma fluida e eficiente, é muito mais intuitivo e não tem qualquer tipo de bug! Aqui nota-se de forma poderosa as vantagens de uma abordagem integrada entre software e hardware, pois a verdade é que eu nunca fiquei com o computador lento, nunca “crashou”, nunca precisei de o reinicializar e nunca perdi tempo a gerir ineficiências!

Também o clássico tema das incompatibilidades com o ecossistema Windows se revelou uma falsa questão: o ecossistema Apple tem uma coisa fantástica chamada App Store, onde encontro sempre uma aplicação que me ajuda quando me cruzo com algum ficheiro incompatível. E o mais fantástico é que as apps para o fazer ou são gratuitas ou são significativamente acessíveis em termos de preço!

Por outro lado, a curva de aprendizagem é notavelmente rápida, pois os sistema é extremamente intuitivo, e é muito fácil encontrar excelentes tutoriais que nos ensinam como tirar proveito do OSX Lion! Por outro lado, a máquina vem dotada de fantásticas possibilidades, como o conjunto de “smart gestures” que podemos usar com o trackpad do Mac, que se torna um verdadeiro auxiliar do utilizador.

Para além disso, A Microsoft tem uma suite do Office especificamente para Mac, o que resolve a maioria das necessidades de interacção com utilizadores Microsoft. Por outro lado, as soluções Apple para produtividade são óptimas: não imaginam como é mais fácil fazer uma apresentação em Keynote em vez do velhinho e quadradão Powerpoint ! Além disso, ficam muito mais giras 🙂

Posso dizer hoje com segurança e conhecimento de causa que a minha produtividade cresceu em pelo menos 50% com o uso desta máquina, já para não falar do gozo na sua utilização, que teve uma progressão estratosférica.

Pequenos pormenores como cabo de alimentação MagSafe mostram o cuidado que a Apple coloca nos pormenores: o sistema de fixação por ímanes faz com que tropeçar no cabo de alimentação deixe de ser uma preocupação! Por outro lado a leveza, o finíssimo e elegante chassis unibody em alumínio e o excelente écran fazem deste MacBook Air uma máquina imbatível!

Já agora, deixem-me acabar com alguns mitos: o MacBook não aquece muito apesar de não ter o clássico ruído da ventoinha, e a bateria tem um rendimento fabuloso, que pode variar entre as cinco e as nove horas de utilização, graças ao magnífico software de gestão de energia. E sim nunca mais me preocupei com vírus ou malware (apesar de ter naturalmente instalado um software antivírus, o que continuo a recomendar vivamente).

Por tudo isto, e apesar de ter resistido firmemente durante 25 anos ao “appleverse”, posso agora confirmar que migrar para o ecossistema Apple foi uma das melhores decisões dos últimos tempos! Mais uma vez, obrigado Steve Jobs! 😉

Abraços e até breve! 😉

Factos, Recomendações, Trends

A minha segunda incursão pelo “Appleverse”

Surge este post para partilhar convosco o meu segundo passo nesse verdadeiro processo de evangelização na “experiência Apple”, por muitos conhecida como “Appleverse“.

O primeiro passo, como vos tinha contado, tinha sido a aquisição (prudente e conservadora) de um iPod Shuffle, baratinho, mas em que a percepção de relação preço/qualidade foi tão imensamente potente que não resisti ao apelo de dar o passo seguinte, uns meros 15 dias depois.

E foi assim que avancei para a aquisição do meu iPad2!

Atenção aos antecedentes deste consumidor: eu já era o feliz detentor daquele que era o melhor tablet Android do mercado até então – o fantástico Asus EeePad Transformer, munido de um potente processador, um écran fantástico, um teclado acoplável que o transformava quase num netbook e ligações de todo o género e feitio!

E ainda assim, fui comprar o iPad? Porquê??!!! Passo a explicar…

A experiência prévia com o Asus ensinou-me algumas lições básicas sobre os tablets:

  1. Quem quer um tablet para substituir o computador, privilegiando a portabilidade mas dando ao mesmo um uso totalmente versátil, é melhor tirar o cavalinho da chuva: os tablets são consumidores de conteúdos por excelência, mas mesmo com um teclado wireless não asseguram a edição profissional de conteúdos como faz um computador. E se isso for indispensável na vossa actividade, vão acabar por usar os dois na mochila ou na pasta!
  2. Um teclado acoplável é um conceito muito interessante, mas apenas se não se verificar a primeira premissa: o que acabei por fazer foi trazer o Asus sem teclado na mochila (bem mais leve, por sinal),e não dispensar o portátil;
  3. Esqueçam a conectividade 3g: não faz sentido pagar uma segunda tarifa de dados se já tivermos um smartphone. Em 90% do tempo estamos em local com acesso a wi-fi, e no resto do tempo é mais prático usar o smartphone como router wi-fi.

Assumidas estas 3 lições básicas, tratei de transaccionar o Asus para alguém que lhe podia dar melhor uso do que eu, e tratei de apontar para a alternativa que melhor me servia: um iPad 2 Wi-fi com 32 Gb de capacidade. A relação qualidade/preço é bem interessante, é mais leve e a experiência de utilização é francamente superior!

A experiência UAU confirmou-se desde a primeira vez que o liguei: com 3 ou 4 perguntinhas apenas, o iPad tinha-se automaticamente configurado e estava pronto a funcionar! A fluidez do seu funcionamento, a rapidez e fiabilidade das aplicações, a qualidade do écran e dos conteúdos da App Store são argumento verdadeiramente imbatíveis, que fazem deste aparelho um companheiro indispensável do meu dia-a-dia.

Mais uma vez se confirma a visão certeira de Steve Jobs, ao insistir num ecossistema fechado, em que tudo, mas mesmo tudo, é testado exaustivamente face a uma única plataforma de hardware: em quase cinco meses de uso intensivo, nem uma única vez o iPad 2 crashou ou ficou lento. O seu funcionamento é simplesmente perfeito, e a duração da sua bateria é verdadeiramente imbatível.

É mais caro que os outros tablets? Não, especialmente se tivermos em conta o que conseguimos fazer com ele: a nossa produtividade sobre de tal forma que ele se torna impressionantemente barato!

Depois de o comprar, aprendi uma nova lição: ele só é meu enquanto não chego a casa! 🙂

A partir daí passa a ser propriedade exclusiva dos meus filhotes e da minha mulher! Até irmos para a cama, “nem o cheiro”!

… por isso mesmo, estou a pensar seriamente comprar outro 😉 e voltará a ser o 2, que o 3 não compensa o diferencial de preço!

Deixo-vos com o keynote de Steve Jobs sobre o iPad2. Enjoy it! 😉

Factos, Recomendações, Trends

A minha primeira incursão pelo “Appleverse”

Serve este post para vos apresentar em primeira mão a minha primeira incursão no universo da Apple – o appleverse -, ao qual estoicamente resisti nos últimos 25 anos!

Sendo um utilizador intensivo de tecnologia Windows e, mais recentemente um alegre utilizador dos dispositivos Android, acumulei ao longo dos tempos um extenso rol de argumentos contra o uso de dispositivos Apple.

Desde o velhinho argumento da incompatibilidade entre softwares (que caiu em desuso desde finais dos anos 90), ao argumento do preço elevado para o que oferece (desmontado nos últimos anos com a massificação da oferta de dispositivos da maçã a preços acessíveis), ao argumento mais filosófico de ser contra sistemas fechados, em que a liberdade do utilizador é controlada pelo fabricante, de tudo usei para resistir ao apelo da tecnologia mais sexy do planeta!

Mas a verdade é que os cada vez mais numerosos testemunhos sobre a facilidade da utilização, as experiências cada vez mais entusiasmantes a experimentar gadgets nas Apple Stores, e o cair por terra de falsos argumentos com o saber de experiência feito me levaram a por fim ceder.

Sobre este último ponto deixem-me dar um ou dois exemplos:

  • falso argumento do dispositivos monobloco, que não permite trocar a baterias: diz-me a experiência que, quando uma bateria acaba por “morrer”, eu troco de dispositivo, aproveitando esse pretexto para actualizar o equipamento. Logo, para quê ter acesso à mesma?!
  • falso argumento do software fechado, que não permite customização: diz-me a experiência que, sempre que eu lido com sistemas abertos, perco mais tempo a “kitar” o aparelho que a trabalhar com ele. Estudos internacionais comprovam que os dispositivos da Apple são os que têm a maior taxa de tempo consumido com o seu uso!
  • falso argumento do sistema fechado, que não permite exportação de ficheiros: diz-me a experiência que, quando um sistema funciona bem, eu não passo a vida a mudar de formatos e dispositivos – tento é capitalizar a curva de experiência no máximo de fruição possível!

Bem, passemos à experiência iniciática propriamente dita: comecei de forma conservadora e prudente, com o gadget mais pequeno e barato da Apple – o iPod Shuffle!

Por apenas 49 euros, pareceu-me que o risco seria mínimo. Tratei de o comprar na loja online da Apple, que foi o primeiro passo de uma experiência única e inesquecível…

Comecemos pela compra em si: nunca tinha sido tão fácil perceber como é o produto, visualizá-lo e entender o que o mesmo oferece, e a troco de que preço. Simples, prático e fácil. Tão fácil como customizar (permite que coloquemos uma inscrição personalizada no aparelho e tem diversas opções de cor) e como comprar (uma transacção electrónica simples e fluida).

Vários dias antes do prazo previsto, já tinha recebido a encomenda. Assim que a desembrulhei, continuou a “experiência UAU“: abro a caixa e tenho o aparelho, os auscultadores e o cabo de ligação ao computador. Instruções? Apenas um micro-folheto, com 3 passos apenas.

Liguei o iPod ao PC (sim, PC com Windows!) e em 3 minutos estava tudo feito: o dispositivo foi reconhecido, abriu o iTunes e sincronizou as minhas músicas favoritas para o dispositivo… 3 minutos, sem erros e sem chatices!

Por fim, a fruição: música a meu gosto, num dispositivo ultra-portátil, extremamente simples de usar e com uma qualidade de som impressionante!

E eis que o meu velho hábito de ouvir música para lá do rádio do carro finalmente ressuscitou, quase 20 anos depois!

O mais engraçado é a história por detrás da concepção do iPod Shuffle… segundo vários relatos, os engenheiros da Apple andavam há vários meses à volta da miniaturização do iPod, sendo o principal obstáculo a miniaturização do écran. À boa moda de Steve Jobs, os engenheiros insistiam que o objectivo de miniaturização era impossível. Steve, usando o seu famoso “campo de distorção da realidade”, estabelecia convictamente que o objectivo era possível, e que eles iriam acabar por encontrar uma solução.

Num momento de impasse, Steve Jobs acabou por postular o impossível: “acabem com o écran” disse ele… a reacção foi de total estupefacção, até que ele acabou por explicar: para quê um écran, se no iPod o utilizador iria ter as suas músicas favoritas? A probabilidade de ele gostar de qualquer música que o dispositivo tocasse era imensamente elevada! Se por acaso o ouvinte não quisesse aquela música em concreto, bastava carregar no botão e passar à frente!

E sabem que mais meus amigos? O homem estava mais uma vez cheio de razão. Esse é um dos motivos pelo qual eu uso este leitor de música e nunca usei os que tive anteriormente! Gastei um minuto a perceber como funcionava e o resto do tempo a ouvir música!

E é esta simplicidade de uma experiência global e integrada que constitui o segredo da empresa de Cupertino. E que faz com que criem produtos dificilmente imitáveis…

Como verão depois, este foi o primeiro passo que dei no “appleverse”… mas não foi o último 😉

Deixo-vos com o keynote oficial de Steve Jobs sobre o iPod Shuffle de 4ª geração.

Enjoy it! 😉

 

Factos, Reflexões, Trends

Ainda sobre Steve Jobs

Surge este post devido às diversas mensagens que tenho vindo a receber sobre o texto que publiquei em homenagem a Steve Jobs, por altura do seu falecimento.

Muitas delas são críticas inflamadas ao post, ou porque são admiradores de Bill Gates (poucos), ou porque odeiam Steve Jobs (uns quantos).

Fui devidamente informado das virtudes do patrão da Microsoft (filantropia, através da Fundação Bill & Melinda Gates, por exemplo, a democratização da computação, etc.).

Fui ainda mais bem informado dos defeitos do líder da Apple (mau feitio, egocentrismo, desprezo pelos concorrentes, desprezo pela liberdade dos utilizadores, etc.).

Pois bem, meus caros, coloquemos os pontos nos i’s:

  • neste blog eu publico a minha opinião, que é só minha e com a qual podem e devem discordar quando tal se justifique;
  • publico todas as críticas e comentários, desde que usem o blog para tal e não sejam incorrectos ou mal-educados;
  • conheço bem os méritos do “tio Bill” e admiro-o bastante – basta consultarem as minhas referências ao mesmo no Mentes Brilhantes;
  • conheço bem os defeitos que o Steve tinha, mas não acho que tal lhe retire o mérito das suas realizações e do seu exemplo.

Sugiro que façam uma breve leitura à biografia não-oficial do Steve: lá terão oportunidade para perceber a grandeza da sua visão e a pequenez dos seus defeitos, mas também perceberão que Steve evoluiu ao longo dos tempos, e cresceu como homem e empreendedor (como qualquer ser humano, aliás).

Ter sido despedido da Apple, ter sido pai ou ter sido vítima de um cancro do pâncreas são apenas exemplos de episódios que o transformaram profundamente, fazendo dele uma pessoa melhor, mais humilde e mais sábia.

Deixo-vos um vídeo da sua apresentação no MacWorld de S. Francisco em 2000. Nesse vídeo, em que ele anuncia o seu regresso como CEO pleno à Apple, Steve é ovacionado de forma entusiástica, mas não hesita em dedicar essa ovação a todos aqueles que trabalharam na Apple com dedicação e empenho. “Um extraordinário trabalho de equipa” e “o melhor trabalho do mundo” são as palavras por ele usadas para definir o que era trabalhar com os profissionais da empresa de Cupertino…

Vejam o vídeo, e digam sff se podemos chamar a este homem egocêntrico 😉

Por fim, deixo-vos outro vídeo, o do famoso discurso de Stanford, mas desta vez legendado em português! É sempre bom revê-lo 🙂

Enjoy it! 😀

Factos, Reflexões, Trends

Steve Jobs: o talento imortalizado

Hoje ao comprar o jornal, o meu dia ficou muito triste.

Morreu um dos mais emblemáticos heróis da minha geração: Steve Jobs. Um homem que, com recurso apenas ao engenho, à paixão pela perfeição e à estética, conseguiu mudar o mundo.

E mudar o mundo sem disparar uma bala é algo notável, e infelizmente menos comum do que desejaríamos 😦  No entanto, Steve Jobs conseguiu fazê-lo.

Steve Jobs não é um herói clássico.

Não foi um tipo bonzinho, do género Charlie Brown. Perdia a paciência com a incompetência ou a mediocridade. Não foi um tipo certinho, do género Clark Kent. Largou a universidade para cumprir o seu sonho. Não foi um tipo desenrascado, como o McGyver. Sabia que a perfeição era possível e ela estava nos detalhes obsessivamente preparados.

Ao contrário do Bill  Gates, fundador da Microsoft (que é um cromo simpático que gostaríamos de ter ao pé de nós, do tipo “Nuno Markl da informática”), Steve Jobs é aquele tipo de cromo que gostaríamos de ser um dia. Bill Gates é porreiro e simpático. Steve Jobs é uma referência. Ponto final.

E isto é escrito por alguém que (ainda) não comprou um único produto da Apple!

Mas deixem-me confessar-vos… tenho passado a vida a sonhar como seria ter comprado 🙂 E isto é a “mística” que Steve Jobs criou: o poder de um conceito que alia a estética à funcionalidade, a paixão à fiabilidade, a sofisticação à simplicidade, e que desperta nas pessoas o desejo.

Eu sou aquele consumidor que (como muitos, certamente), se esmifra para ter o último ultrabook da moda, com 8 GB de RAM e um disco SSD ultra-rápido, mas com Windows (clientela oblige 😦 !). Por isso, o meu desporto favorito depois é kitar o dito ultrabook com skins a imitar o Mac OS X Lion!

Eu sou aquele early adopter que se rendeu à Google e ao universo Android. Por isso escrevo os meus post do meu Samsung Galaxy S II, considerado por muitos como o melhor smartphone Android do mercado, mais conhecido por ser o melhor “iPhone killer“!! E também já não largo o meu Asus Eee Pad transformer, considerado o melhor tablet Android da actualidade, que tem tudo o que o iPad não tem, e no qual passo a vida a instalar skins do iPad!!!

Portanto, meus amigos, vejam só: mesmo quando consumimos outros “gadgets” fora do universo Mac, a verdade é que a referência por excelência para explicar o que quer que seja sobre eles ou as tendências de consumo que levaram à sua aquisição, acabam SEMPRE por ir parar ao universo criativo de Steve Jobs!

Mas para além dos ícones tecnológicos que deixa como legado, o que Steve Jobs deixa como sinal mais marcante da sua passagem pelo mundo pode ser resumido numa célebre frase que usou nm discurso na Universidade de Stanford, em 2005: “stay hungry, stay foolish“. Com esta frase, Steve resumia o essencial da sua filosofia de vida: devemos permanecer com “fome” de realização, com “fome” de criação, bem como nunca esquecendo de alimentar a “loucura” dos nossos sonhos, que são o que nos dá sentido à vida e nos faz progredir, evoluir, perseverar.

E Steve foi um exemplo vivo de como se pode praticar esta filosofia de vida, que potencia os nossos talentos e ajuda a cumprir os nossos sonhos, que acabam por ser o nosso legado, o testemunho da nossa passagem por este mundo.

E devemos aproveitar essa passagem ao máximo, vivendo cada momento não como se fosse o último, mas o único que temos, pois não sabemos se a jornada será curta ou longa. E é essa condição de mortalidade, em que a vida é uma benção efémera e preciosa, que nos faz querer fazer coisas com sentido, que nos faz querer deixar a nossa marca no mundo. De facto, se fôssemos imortais, podíamos deixar essa (árdua) tarefa sempre para amanhã. Mas não podemos, e por isso vivemos a correr atrás da vida, com mais ou menos prazer, com mais ou menos consciência do valor daquilo que fazemos.

Como Steve Jobs dizia “Tens de encontrar a tua paixão. Se ainda não a encontraste, continua a procurar. Não te conformes. Lembrar-me de que vou estar morto em breve é a ferramenta mais importante que encontrei para me ajudar nas grandes decisões da vida…”.

Steve Jobs viveu a vida como a proclamou: intensamente e com prazer, até ao último suspiro. Que o exemplo dele nos inspire. Vou sentir a falta dele…

Em sua homenagem, para além da nova imagem do “Mentes Brilhantes”, deixo-vos um caderno especial sobre Steve Jobs do Expresso, o vídeo com o depoimento emocionado do seu parceiro de negócios Steve Wozniak, um vídeo que recorda o percurso notável da Apple e um vídeo final evocativo deste verdadeiro herói dos nossos tempos.

Enjoy it! 😉

Recomendações, Reflexões, Trends

As cinco disciplinas dos inovadores

Surge este post da leitura de um artigo muito interessante da Harvard Business School, intitulado “Five Discovery Skills that Distinguish Great Innovators“, e que apresenta o excelente livro de Jeff Dyer, Hal Gergersen, e Clayton M. Christensen, com o apelativo título de “The Innovator’s DNA“.

Neste livro, os autores divulgam as suas principais conclusões relativas à criatividade e inovação, lançando algumas pedradas no charco relativamente a algumas ideias feitas.

A primeira ideia feita a ser questionada prende-se precisamente com o carácter quase “iluminado” da criatividade, segundo as suas concepções mais populares.

Os lugares comuns apontam a criatividade como um “dom” que só alguns têm a sorte de possuir, como algo que é herdado pelo código genético que nos define ou como algo que deriva do chamado “factor geral de inteligência”, que é segundo os autores que defendem esta teoria da inteligência, a explicação para as nossas capacidades cognitivas, que seriam em grande parte herdadas.

Ora os estudos mais recentes feitos a este nível provam que apenas 30% da produção criativa pode ser explicado por factores herdados, o que evidencia que a criatividade pode, em grande medida, ser aprendida, treinada e praticada!

Já desde há mais de 20 anos que o conceituado Robert Sternberg  defende esta perspectiva, no seu modelo triárquico da inteligência, em que a inteligência criativa assume um papel destacado. Mas é sempre bom haver mais estudos que comprovam empiricamente esta concepção de inteligência como um conceito dinâmico e desenvolvimental.

Assumido o pressuposto de que a criatividade pode ser aprendida, treinada e desenvolvida, os autores partem para as cinco disciplinas dos inovadores, ou seja, as cinco skills que podem ser treinadas e que distinguem os grandes inovadores dos restantes indivíduos.

As cinco disciplinas dos inovadores, segundo os autores são:

  1. Associating – esta é a skill central dos inovadores, ou seja, a capacidade de associar ideias e conceitos por forma a produzir novas construções, novos modelos e respostas, que muitas vezes derivam de associações não tradicionais, oriundas de disciplinas distintas, resultando numa conjugação eclética também conhecida como “efeito Medici“. Associar é aquilo que Steve Jobs referiu como “connecting the dots“…
  2. Questioning – uma das capacidades centrais dos criativos e inovadores consiste na capacidade de fazer boas perguntas. Praticar a arte de questionar de forma sistemática e construtiva, procurando compreender o porquê das coisas, com mente aberta e espírito crítico conjugados, é uma das formas mais eficazes de poder associar ideias e conceitos de forma produtiva. Quem não questiona não aprende e não conhece, como já o velho Sócrates sabia 😉
  3. Observing – perguntar sem observar é como conhecer apenas as coisas superficialmente. A curiosidade de um bom perguntador só pode ser eficazmente alimentada pela sgacidade de um bom observador. A arte de observar implica a conjugação da disciplina da atenção (tão dispersa no nosso mundo global e digital), com as disciplinas da paciência e da persistência (que permita uma observação consistente, profunda e não “apressada”).
  4. Networking – os grandes inovadores não funcionam em circuito fechado, como já vimos em anteriores posts… o ser criativo é um ser aberto ao mundo, sedento de aprendizagem e partilha. Assim, a capacidade de gerar boas redes de conhecimento são uma condição indispensável para a criação de alto valor acrescentado – algo a que se pode chamar inovação colaborativa
  5. Experimenting – por fim, a quinta disciplina dos grandes inovadores é a experimentação, ou seja, a capacidade de passar à prática novas ideias e testá-las. Algo a que Robert Sternberg chamaria de inteligência prática

Deixo-vos ainda um link para um primeiro artigo do INSEAD  sobre este excelente livro, outro link para uma excelente sinopse do livro com um vídeo do autor, e por fim com um vídeo interessante sobre o tema e um dos seus autores.

Enjoy it 😉

Reflexões

Management Fashion: que Steve Jobs nos inspire…

manag_fashionSurge este post de uma pequena provocação do meu amigo David Veloso, que me mandou um brilhante post por ele escrito no seu blog Notas e Pensamentos, cujo título é “O custo da inoperância“.

Este é um post extremamente bem escrito, que nos cai em cima como um balde de água fria. Fria de realidade, por mais agreste que a mesma pareça.

E por vezes necessitamos desse “choque térmico intelectual”, para não nos esquecermos do longo caminho que ainda há a percorrer.

Procuro passar neste blog uma mensagem pedagógica e de esperança. Todavia, a verdade é que muito do que defendo ainda está por acontecer nas organizações portuguesas  (e não só…).

O David começa por enumerar o clássico problema das “agendas individuais”, que minam muitas vezes a necesária genuinidade empresarial. Tal acontece, na minha opinião, porque a maioria das nossas organizações ainda não percebeu a verdadeira importância de trabalhar com as pessoas e não contra elas – cf. meu post Marx e o talento -, o que em parte deriva de ainda trabalharmos num verdadeiro paradigma de poder e não de colaboração – cf. meu artigo A Pesada Herança de Roma.

Enquanto os nossos líderes (e também os nossos liderados) insistirem em ver o mundo pelos óculos da Revolução Industrial, dificilmente poderemos ambicionar a um estádio mais avançado das organizações, em que a meritocracia prospere e a comunicação seja feita com transparência, sem o recurso (imoral) a consultores para fazerem o trabalho menos simpático.

Este é aliás um tema que me passou a ser particularmente caro, seja pelos 3 anos que passei no Comité Executivo de uma multinacional de consultoria, seja pelo facto de hoje ser Partner de uma consultora. E, de facto, há vários usos possíveis (virtuosos e menos virtuosos) para os consultores:

  • o primeiro, tal como o próprio nome indica – consultor – diz-nos que ele serve para ser consultado 🙂 ! Isto significa colocar o seu conhecimento ao serviço de uma determinada organização, para resolver um determinado tipo de problema. Esse conhecimento ou é sectorialconhecimento de um negócio, mercado ou sector de actividade -, ou é funcionalconhecimento de um determinado processo, metodologia ou framework de trabalho. Todavia, seja num caso ou noutro, deve ser posto ao serviço da criação de valor;
  • o segundo, passa pelo uso não virtuoso dos consultores, que servirão para procrastinar uma decisão (adiando-a até à apresentação de um estudo infindável e inconclusivo que serve para acabar de vez com o processo de tomada de decisão), ou para a justificar internamente (no caso de decisões difíceis e impopulares, em que os consultores fazem de “bode expiatório” para o qual o odioso do tema é transferido).

Naturalmente que defendo intransigentemente o primeiro uso, e repudio de forma igualmente intransigente o segundo uso. Repudiei-o enquanto executivo, ao contratar serviços de consultoria, e repudio-o igualmente enquanto empresário, recusando-me a vender serviços para esse fim.

A consultoria é uma actividade nobre, pilar da actual economia do conhecimento, e deve, em particular no nosso país, ser dignificada e colocada no lugar de prestígio que merece!

… mas claro que isso só se consegue através do exemplo que todos os consultores terão (e deverão) dar, todos os dias, através de uma prática profissional exigente (e eticamente intransigente)!

Sim, porque isso da ética não é apenas uma buzzword dos tempos que correm, mas um imperativo incontornável dos negócios modernos – cf. o meu post Da ética das empresas.

Assim, como diz o David e muito bem, deveriam as empresas ligar menos às modas da gestão – um verdadeiro fenómeno de management fashion -, de forma a deslumbrar-nos menos com discursos vazios mas elegantes, assumindo uma postura mais espartana, de verdadeira gestão pelo rigor e pelo respeito, em que a ética da implementação prevaleça sobre a mera gestão de expectativas, da qual o exemplo mais gritante é a perspectiva redutora de que gerir o talento é apenas gerir sucessões: quem conheça pessoas verdadeiramente talentosas sabe que não é assim – cf. meu post O Paradoxo de Ícaro -… e sabe dos riscos de termos nas nossas organizações um imenso potencial por explorar

Ao David o nosso muito obrigado por mais este banho de reflexão: não poderíamos estar mais de acordo! Todavia termino com uma mensagem de esperança: o caminho é para a frente e o progresso (virtuoso) é inevitável numa economia de mercado livre, como Steve Jobs tão bem nos ensina com a sua lição de vida, demonstrando que se pode criar valor com a ética de implementação de que vos falava (o que não impede a Apple de ser uma empresa sexy 😉 !)

Reflexões

Steve Jobs revisitado

stevejobsDei por mim há pouco tempo atrás a mostrar aos meus alunos de MBA o vídeo do mítico discurso de Steve Jobs em Stanford – “You’ve got to find what you love“.

Mostrei-lhes o vídeo no âmbito de uma cadeira de inovação, por achar que o mesmo seria um exemplo inspirador do pensamento de um dos líderes mais inovadores de todos os tempos.

Sabia que era igualmente uma grande lição de vida (um pouco “herética” para usar numa universidade, uma vez que Steve começa o seu discurso dizendo que não precisou de acabar o curso para ter sucesso 😉 ).

O que não esperava foi que o revisitar desta fantástica peça de comunicação me levasse a reflectir de novo sobre as três grandes lições de Steve Jobs, percebendo como elas são igualmente preciosas numa óptica de gestão do talento.

E quais são essas três lições? Simples:

  • “Connecting the dots” – ou seja, aprender continuamente e aproveitar tudo o que a vida nos oferece para crescermos e desenvolver capacidades e talento. Diz o Steve Jobs, e cheio de razão, que muitas vezes passamos por experiências que nos são muito valiosas no futuro, mas que só percebemos isso mais tarde. Comigo passou-se isso das mais diversas formas: por exemplo, ao fazer teatro amador aos vinte anos de idade, jamais saberia como isso me iria ser útil décadas mais tarde na actividade de professor universitário (onde também se pisam as tábuas de muitos palcos 😉 !). Perceber como podemos aproveitar essas experiências é uma atitude de atenção e uma disciplina de aprendizagem permanente que se desenvolve, que não dispensa uma boa dose de psicologia positiva, uma vez que temos de olhar para os factos não esquecendo que mesmo a experiência mais desanimadora tem um lado bom e proveitoso – resta saber se estamos dispostos a encontrá-lo…
  • “Love what you Do” – ou seja, apreciar o que criamos, fazer o que gostamos e reinventar o gosto por aquilo que fazemos. Quando desenvolvemos esta disciplina de prazer criativo, concentramo-nos em fazer o que gostamos muito de fazer e desenvolvemos a capacidade de fazê-lo muito bem. Esta disciplina de excelência pelo prazer é o princípio do desenvolvimento do talento pelos pontos fortes e pelo factor P (de prazer). Mais uma vez, a psicologia positiva entra na equação;
  • “Follow your Dream” – ou seja, perseguir o sonho que dá sentido à nossa vida, não esquecendo que todos somos finitos e mortais, e que importa deixar a nossa marca no mundo, através daquilo que fazemos. Nada é mais poderoso que a noção do legado que queremos deixar: é ele o atribuidor de significado aos nossos actos, o farol que ilumina o nosso caminho e nos motiva para levantar todos os dias da cama com vontade de fazer coisas que nos fazem brilhar os olhos. De facto, sem sonho não há progresso…

Se pensarmos nisto a sério, percebemos que estas são grandes lições não só para nós, enquanto indivíduos com talentos, mas também para as organizações, enquanto entidades aglutinadoras de talentos e potenciais criadoras de valor.

Obrigado Steve, pela reflexão a que nos encorajas quando nos falas da tua vida 🙂

Como acepipe final, deixo-vos aqui uma colectânea multimédia dos discursos de Steve Jobs.

Enjoy it 😉 !