Desafios, Eventos, Trends

Fundação Talento: construir o futuro de Portugal

Estive ontem no jantar de lançamento da Fundação Talento em Lisboa. Foi um prazer e uma honra fazer parte desta iniciativa, um verdadeiro movimento da sociedade civil ao serviço do futuro de Portugal.

Antes de mais quero deixar uma palavra de apreço e admiração para o meu amigo Tiago Forjaz, um dos maiores visionários da minha geração, que ousa sonhar em grande e que se atreve a ser consequente, empreendendo.

O Tiago teve um sonho: fazer do talento a força motriz da competitividade do nosso país. Contra todos os “velhos do Restelo”, contra todas as adversidades, o Tiago tem vindo a construir este sonho nos últimos anos:

  • Primeiro com a iniciativa Star Tracking – a Odisseia do Talento, uma já lendária jornada pela diáspora em que descobriu o imenso talento português espalhado pelo mundo;
  • Depois criando a rede The Star Tracker – a mais inovadora e exclusiva das redes sociais e globais de talento português, com o propósito de ligar o talento espalhado pelo mundo, que ontem já congregava mais de 31.000 membros e, a partir de hoje, sabe-se lá quantos mais (sim: finalmente já podemos convidar talento sem restrições numéricas!);
  • Agora lançando a Fundação Talento, cuja missão é descobrir e apoiar o talento português, transformando-o na nossa imagem de marca no mundo.

Os trabalhos ainda agora começaram: os mais de 600 fundadores que se juntaram em 15 cidades do mundo já contribuíram com centenas de referenciações de talentos a apoiar e de talentos a convidar para Senadores da Fundação.

Mas este esforço de mapeamento agora é global: toda a sociedade civil pode participar!

Por isso, meus amigos, vamos a isso! A Fundação Talento precisa do vosso contributo!

Ao Tiago o meu grande abraço: parabéns pela iniciativa e continua a sonhar! Só assim construímos o Portugal dos nossos filhos…

Deixo-vos com alguns vídeos relacionados com o tema.

Enjoy it 😉

Desafios, Reflexões

Star Tracker: a minha pátria é a língua portuguesa!

lusofonia2Nas Conferências da Lusófona onde estive a semana passada, um dos temas mais falados foi precisamente o Star Tracker – o portal do talento português, fundado pelo Tiago Forjaz e seus parceiros de empreendedorismo.

A certa altura, quando se referiu que o Star Tracker era exclusivamente dedicado ao talento português, gerou-se um grande burburinho na sala…

… o que não é de espantar, tendo em conta que grande parte dos alunos da Lusófona são oriundos de países de língua portuguesa como Angola, Cabo Verde, Moçambique, Guiné ou Brasil. Qual não foi a surpresa deles ao saberem que só poderiam aceder ao Star Tracker se tivessem, no mínimo, dupla nacionalidade, podendo ostentar assim o “rótulo da portugalidade”!

Confesso que compreendi perfeitamente o incómodo gerado na sala, ao sentir a frustração latente de tantos jovens talentos (que pensam e falam em português), que, mesmo querendo, não se poderiam juntar ao “mundo Star Tracker”…

Tenho orgulho em ser um dos membros fundadores do Star Tracker, e de ter participado entusiasticamente no seu crescimento e dinamização. Tenho pensado e participado na discussão sobre o seu futuro – cf. o meu post “Star Tracking – que futuro?” -, e sou acérrimo defensor dos seus princípios fundacionais e distintivos.

Estes princípios, tão amplamente debatidos, especialmente após o evento do Campo Pequeno, têm sido alvo de forte reflexão e polémica, especialmente apimentada pelas intervenções desassombradas e intelectualmente provocatórias do meu estimado Paulo Querido (um dos decanos da blogosfera, com um património de debates que lhe ganjeou até hoje um amplo número de fãs e de inimigos fidagais 😉 ).

Apesar de tal polémica, continuo convicto de que:

  • O Star Tracker é imensamente inovador, por ser mais do que uma rede social, extravasando o seu conceito para algo maior: uma verdadeira comunidade;
  • Para uma comunidade existir, têm de existir comunalidades fortes. No LinkedIn, por exemplo, a comunalidade limita-se ao interesse comum em usar uma montra de empregabilidade à escala global. E por aí se fica. Ficamos ligados e promovemo-nos e pronto. E já não é nada mau, meus amigos 🙂 !
  • No Star Traker existe para além disso a paixão em português (seja lá o que isso for – é algo que se sente, não se racionaliza), e o sentido de pertença a um grupo exclusivo, especial (por isso a rede ser fechada e só crescer “por convite”).

Não me interessa se chamam aos seus membros presunçosos ou elitistas: o que é um facto indesmentível é que esta rede é pujante e viva, os seus elementos têm afinidades e interesses fortes, têm uma predisposição para efectivamente se ajudarem uns aos outros (eu já comprovei isso pessoalmente) e defendem-se acerrimamente uns aos outros (às vezes para lá do racional, como o Paulo Querido bem sabe 😉 ).

Assim, a verdade é que os princípios fundacionais funcionam!

Todavia, acho que o que está bem ainda pode evoluir, pelo que na conferência lancei um convite ao Alex (sócio do Tiago nesta aventura em rede), que estendo ao Tiago como um desafio: atrevam-se a repensar o âmbito da rede!

Em vez do Star Tracker se assumir como a “rede global do talento português”, porque não assumir-se como a “rede global do talento em português”?

Não amigos, não é semântica: é paixão mesmo 😉 !

Só quem não esteve ainda em Luanda, no Mindelo, na Praia ou em S. Paulo pode achar que somos apenas 15 milhões espalhados pelo Mundo… a verdade é que somos mais de 200 milhões, pois a nossa pátria é a língua portuguesa!

E o Tiago e o Alex sabem disso, certo? Tu, Tiago,  nasceste na África do Sul. E tu, Alex, nasceste no Brasil…

Vamos a isso? 😉

Votos de boa reflexão 🙂

Reflexões

O talento não tem idade

O blog De Rerum Natura hoje inspira-me profusamente à escrita. Começo por este post, que já vinha sendo alimentado por um fórum animado na rede The Star Tracker.

Todavia, após ter lido o excelente post “Um professor que se reforma não é apenas um professor que se reforma“, da autoria da Helena Damião, não quis deixar de retomar o assunto aqui no meu blog.

E o tema toca na já irritante moda de que talento tem a ver com idade, que se cruza com o preconceito de que, a partir de certa idade, as pessoas já não prestam para trabalhar. Ora, a verdade é que a natureza humana e o funcionamento do cérebro provam que é precisamente ao contrário!

O acumular de experiência, o desenrolar de uma história de vida rica, faz com que sejamos capazes de tomar melhores decisões em menos tempo, à medida que vamos envelhecendo. E isso, desde que feito com alguma perícia, permite compensar largamente a diminuição do “ritmo sináptico”, ou seja, o desacelerar da velocidade de processamento do cérebro, uma vez que o recurso à nossa “hard drive” (memória), cheia de informação relevante, nos diminui o esforço de processamento e análise das situações.

Na prática, as pessoas são como o vinho do Porto graças à sua capacidade de aprendizagem: ou seja, melhoram com a idade.

O João Lobo Machado, no The Star Tracker, lançou este mesmo debate, pois considera (e bem) que é comum, associar o conceito de talento a um jovem. Todavia, como ele próprio refere, o talento está relacionado com as qualidades e com os desempenhos e, logo, não tem idade.

O João realça no seu fórum a diferença de tratamento dado a um Professor Catedrático, por exemplo, que poderá estar no pleno gozo das suas funções quando celebra 70 anos e, querendo continuar a leccionar, todavia não o pode fazer (mesmo havendo vontade das Universidades e reconhecimento dos alunos). Contudo, um cidadão pode candidatar-se à Presidência da República com 80 anos ou exercer o cargo de deputado ou continuar a exercer a sua profissão de médico ou advogado.

O João conclui com uma frase que poderia ter sido dita pela Helena Damião: “Estranhamente, parece que em Portugal os mais “velhos” (que, neste âmbito são, factualmente, mais experientes), são descartados e votados ao ostracismo.”. Pois é…

Eu estou totalmente de acordo com o João e a Helena. Os talentos não têm idade: os talentos brilham, independentemente dos critérios ou rótulos que lhes queiramos colocar!

O caso dos professores universitários é perfeitamente paradigmático: lembro-me de assistir à aula de jubilação do Prof. Mário Murteira (na foto), no ISCTE, em que ele salientava que ao jubilar-se não iria desaparecer, mas sim apenas entrar num registo menos regulado pelos horários, pelo que “continuaria a estar por lá” (e ainda bem!). Outro exemplo que me ocorre é o Prof. Xavier Pintado, na Universidade Católica, que hoje com cerca de 80 anos ainda continua a participar activamente na vida académica. E muitos outros poderíamos concerteza referir (o João relembrou-me logo a seguir o exemplo do Prof. Adriano Moreira).

Quando associamos talentos a jovens estamos a confundir talentos com “elevados potenciais”, o que são coisas muito diferentes. Sobre isso recomendo a leitura do meu post “Talento: um conceito a 3D“.

Ao dispensarmos talento por critérios como a idade estamos a destruir valor, ou a canalizá-lo para outros caminhos (sim, porque os talentos continuarão a voar alto, independentemente do que queiramos fazer com eles: está na sua natureza) – sobre este tópico sugiro a leitura do meu post “O Paradoxo de Ícaro“.

Ao prosseguirmos a nossa busca por talento, importa pois não nos deixarmos iludir pelos nossos preconceitos: o talento não tem idade, apenas brilho 🙂 !

Votos de boa leitura e reflexão 😉 !

Desafios, Eventos, Trends

Star Tracking: que futuro?

Na 6ª feira passada celebrou-se o primeiro aniversário da iniciativa Star Tracking – A Odisseia do Talento. Foi a 26 de Setembro de 2007 que se realizou o primeiro encontro entre 80 portugueses na cidade de Madrid.

Desde então muito aconteceu: a rede The Star Tracker uniu mais de 15.000 talentos espalhados pelo Mundo e a “onda” de orgulho “Proudly Portuguese” culminou com o evento Star Tracking Lisboa 2008, no Campo Pequeno, onde se reuniram mais de 700 talentos para celabrar esta nova forma de intervenção social – pela positiva, em rede, com orgulho e espírito empreendedor.

Ao fim de um ano de aventura, importa pensar o futuro. Foi aliás o que aconteceu logo após o evento em variadíssimos fóruns onde o tema se começou a discutir.

Este é um tópico que merece, naturalmente, reflexão interna, mas que me parece igualmente merecedor de contributos “extra-rede”, razão pelo qual abro este post no meu blog, apesar de o ir replicar na rede.

Na minha perspectiva, há que considerar alguns aspectos fundamentais:

  • manter o espírito fundacional – apesar do avento da web 2.0 ser incontornável (cf. post Web 2.0), se se cair na tentação de vender a rede a um grande player internacional (tipo Google ou similar), os fundadores obterão uma mais-valia certamente merecida, mas a rede provavelmente acabará, pois dificilmente um player global vai conseguir entender o conceito “proudly portuguese” (1º factor diferenciador);
  • manter a rede selectiva – se se cair na tentação de fazer crescer a rede indiscriminadamente (para ganhar volume, como faz o LinkedIn), provavelmente perder-se-á o 2º factor diferenciador – o conceito de “world class network”;
  • manter a rede livre – se se cair na tentação de regular demasiado a forma de funcionamento da rede, limitando a liberdade dos seus membros (censurando temas de fóruns, por exemplo), a rede perde o seu 3º factor diferenciador – a dinâmica resultante da livre iniciativa. Se deixarmos o “mercado” funcionar, iniciativas menos elegantes ou inteligentes não terão expressão relevante no seio da rede;
  • manter a rede simples – a rede deve manter-se focada naquilo que interessa: manter as pessoas ligadas, e deixá-las interagir em função dos seus interesses comuns;
  • manter a iniciativa viva – para além da rede social e da sua plataforma, há um vasto leque de iniciativas possíveis para manter a “onda” viva e animada, permitindo às pessoas encontrarem-se pessoalmente. Um evento por trimestre de carácter mais “intimista” (grupos até 50 pessoas) e uma iniciativa anual de larga escala (tipo Campo Pequeno) são essenciais para manter o movimento vivo e pulsante;

Este é apenas um modesto contributo para um debate que hoje envolve milhares de talentos por todo o mundo.

Todos os contributos extra-rede são bem vindos neste post. Comentem e sugiram, ok?

Deixo-vos com dois vídeos que recordam o nascimento da iniciativa e o evento do Campo Pequeno (agora já com pós-produção 🙂 !).

Enjoy it 😉 !

 

 

Eventos

Star Tracking Lisboa 2008: proudly portuguese!

Ontem ocorreu no Campo Pequeno um evento a todos os títulos notável: o encontro global de talentos Star Tracking Lisboa 2008, que fechou um périplo mundial pela rede global de talentos portugueses espalhados pelo mundo, e que passou por Londres, Paris, Madrid ou Nova Iorque.

Porque considero este evento notável:

  1. pela capacidade de mobilização em torno do lema “proudly portuguese”
  2. pela “democratização” do conceito de talento, não numa lógica de nivelar por baixo, mas sim numa lógica de elevar o nível de aspiração e ambição
  3. pela afirmação do valor que temos enquanto pátria
  4. pela “montra” de talentos gerada, e pelos bons exemplos partilhados
  5. pelo espírito positivo vivido
  6. pelo orgulho que transbordava na sala
  7. pela projecção mediática conseguida: o país precisa de saber que o talento existe e precisa de elevar a sua auto-estima
  8. pelo envolvimento dos mais altos responsáveis do país (e o que isso simboliza)
  9. pelo capital de esperança gerado
  10. pela responsabilidade e expectativa que todos sentimos em prosseguir esta caminhada

Foi um evento de grande monta, complexo, que poderia ter eventualmente corrido melhor em alguns aspectos, como hoje já se discutia nos (exigentes) fóruns da rede The Star Tracker, mas que foi globalmente um sucesso.

Ao Tiago Forjaz, ao Pedro Brito e toda a restante equipa que rodeia estes talentos de quem tenho o orgulho de ser amigo, os meus mais sinceros parabéns.

Tivemos oportunidade de fazer network, pudemos rever também caras conhecidas, pudemos testemunhar exemplos marcantes de talento e partilhar sonhos com talentos portugueses de projecção mundial.

Destaco as intervenções dos 3 convidados: Camilo Rebelo (arquitecto de renome mundial), Paulo Taylor (o “pai” do famoso EBuddy, sabiam?) e do Ricardo Diniz (velejador solitário que vai dar a volta ao mundo).

Que os seus exemplos sejam inspiradores para todos nós.

Para quem queira saber mais sobre o The Star Tracker, deixo-vos aqui a opinião da conhecida jornalista Laurinda Alves (leiam os comentários, que são vários e extremamente interessantes!)

Para quem queira saber mesmo como foi, aqui vai a reportagem integral, generosamente cedida pelo “blog amigo” – Lugar do Conhecimento (não percam, está excelente!).

Destaque ainda para a inovação lançada ontem à noite na rede The Star Tracker: os Talent Tags. Pela primeira vez, o nosso talento deixa de ser definido pelo nosso CV, pelos nossos títulos, pelo nosso “pedigree”, e passa a ser definido pelos atributos e qualidades que os outros vêm em cada um de nós.

Esta inovação, absolutamente inédita, é talvez o maior contributo para a gestão do talento e para a humanização das redes sociais feito nos últimos tempos. Mais uma vez estão de parabéns!

Proudly Portuguese! Sempre!