Desafios, Reflexões

Não acredito no fracasso

FuckUpNights-3-754431Tive o privilégio de participar o mês passado num evento fabuloso chamado “Fuckup Nights”, na Reitoria da Universidade de Lisboa.

É um evento dedicado a empreendedores, em que diversos oradores convidados são desafiados a falar das suas histórias de fracasso e superação.

Eu tive o gosto de ir lá contar a minha história, e explicar porque não acredito no fracasso.

Dedico esta palestra à minha mãe e a todos com quem tanto aprendi.

Podem ouvi-la aqui. Enjoy 🙂

Desafios, Reflexões

Crónicas de Tempos Impossíveis III

IMG_05442013 vai ser seguramente para muitos de nós um dos anos mais duros e marcantes da nossa vida. Por boas e más razões certamente, porque mesmo num contexto em que se configura uma tempestade perfeita, como aquele que vivemos em Portugal, o que a vida nos ensina é que a mesma é sempre feita de coisas boas e más, mesmo que nós só prestemos atenção a uma das categorias.

Se eu quisesse colocar o chapéu do pessimista, recordar-me-ia certamente do que me custou abandonar um projecto empresarial onde coloquei mais de 4 anos de entusiasmo, esforço e trabalho… sim, sair da Alter Via não foi fácil. Mas foi uma grande lição de vida, pela resiliência que foi necessário ter, pelas competências de gestão e negociação que desenvolvi, pelo orgulho que tenho em não ter esquecido nenhum colaborador nem ter deixado nenhum membro da minha equipa desamparado.

Se eu quisesse colocar o chapéu do nostálgico, lembrar-me-ia do Sebastião, o meu felino lindo, companheiro de mais de uma década, que decidiu deixar-nos em Abril passado e seguir viagem para o paraíso dos felinos, mas que o fez com uma lealdade e amizade inesquecíveis, não querendo deixar de passar os seus últimos instantes nos nossos braços. Mas prefiro recordá-lo e homenageá-lo através das memórias que a mais nova felina lá de casa – a Diana – me desperta, com as suas brincadeiras e arranhadelas constantes.

Se eu quisesse colocar o chapéu do dramático lembrar-me-ia de outros entes queridos, que sofrem mais do que deviam e que persistem em permanecer por cá numa prova de supremo afecto e sacrifício por aqueles que amam. Mas prefiro recordar os momentos, mesmo que breves, em que os vejo sorrir.

Em contrapartida a estes chapéus, eu insisto em colocar o chapéu do optimista e do esperançoso. E por isso dou graças por estar exausto, a meio da mais violenta maratona lectiva que alguma vez tive na Católica Lisbon School, o que me fez recordar algo que eu já sabia: a alegria de partilhar o que sei e de tocar na vida dos outros é algo que me preenche de forma tão poderosa, que me faz transcender tão para lá dos limites corriqueiros, que atribui tanto significado à minha jornada neste mundo, que ser professor jamais será uma actividade opcional na minha vida. Não é negociável, pura e simplesmente 🙂

Como esperançoso militante que sou, prefiro celebrar hoje o pequeno feito de ter ajudado uma amiga a arranjar um emprego, após anos e anos a tentar. Pequeno feito para mim, que gostaria de conseguir ajudar um pouco mais as dezenas de pedidos de ajuda que me chegam todos os dias. Mas prefiro celebrar uma pequena vitória de cada vez. E saber que ela tinha tido ontem o seu primeiro dia de trabalho já me fez valer a pena todo o ano de 2013, apesar de ainda irmos a meio da jornada 🙂

Como optimista crónico que sou, não pude deixar de aceitar este mês o convite que os meus amigos João Paulo e Carlos me fizeram para me juntar a eles numa recente e muito fresca aventura empresarial: a Cranberry.

Apesar de ser um annus horribilis em termos de actividade económica, este é também um momento de oportunidades para quem queira arriscar e acredite no seu valor. Por outro lado, ao visitar o escritório da Cranberry, ainda a cheirar a novo, onde pululam profissionais jovens e menos jovens, oriundos dos mais diversos sectores de actividade, mas todos imbuídos de uma alegria, orgulho, boa-disposição e criatividade imparáveis, o único pensamento que me ocorreu foi: como é possível não integrar esta equipa?

E assim aqui estou, mais uma vez a trilhar novos caminhos, com um gosto imenso por esta enorme aventura que é viver 🙂

Deixo-vos com uma pequena peça de reportagem da TVI24 sobre o livro “GRH de A a Z“, da RH Editora, que tive o enorme privilégio de coordenar em conjunto com o meu grande amigo Augusto Lobato Neves, que lidera uma equipa também igualmente fantástica, que todos os anos marca o mundo dos recursos humanos, com publicações e eventos da maior qualidade. Enjoy it 😉

 

Reflexões

Crónicas de Tempos Impossíveis I

2017004802O Mentes Brilhantes esteve parado nos últimos três meses, em grande parte devido aos tempos impossíveis que vivemos, e que tanto tempo me consomem…

Seguramente que 2012 deve ter sido o ano mais difícil de sempre para qualquer português vivo. Não vale a pena discorrer sobre as peripécias e dificuldades de 2012: basta ler os jornais ou andar pela rua para percebermos o que foi 2012 e o que será 2013. Prefiro pois falar dos ensinamentos que tirei deste ano.

Os anos difíceis são anos seguramente reveladores, pois é nos momentos de adversidade que as pessoas verdadeiramente se revelam. Foi por isso um ano muito proveitoso, em que tive oportunidade de:

  • ter agradáveis surpresas com muita gente que se revelou de grande honestidade, rectidão, solidariedade e espírito de sacrifício, mostrando de que fibra se fazem os verdadeiros lutadores, “heróis anónimos” desta sociedade em que vivemos;
  • ter surpresas menos agradáveis, com pessoas que eram para mim uma referência de vida mas que se revelaram muito abaixo das minhas expectativas (especialmente no campo dos valores morais);
  • desenvolver um enorme respeito por colaboradores que infelizmente tive de dispensar, e que geriram esse momento com enorme dignidade e elegância;
  • desenvolver uma intolerância visceral por gente que só sabe falar de direitos e jamais abre a boca para falar de deveres. Gente que cultiva uma postura de total improdutividade, destruindo valor sem qualquer peso na consciência. Uns por preguiça, outros por incompetência, mas todos encontrando sempre uma justificação externa a si mesmos para não produzirem e irem vivendo à conta de quem trabalha e é produtivo. Para esses, a minha tolerância é zero!
  • desenvolver as minhas skills de negociação até ao limite: nada como tempos difíceis para aguçar as nossas competências mais críticas 😉
  • desenvolver ainda mais a resiliência: aprendi (ou melhor, recordei) que mesmo nos momentos mais difíceis há sempre uma porta que se abre ou alguém que nos ajuda a fazer a caminhada…
  • ganhar um enorme respeito e admiração (se é que pode ser maior do que aquele que já tinha) pela minha mana, cunhado e sobrinha, que enfrentam com valentia tempos verdadeiramente impossíveis (eles sabem do que falo);

Por muito difíceis que sejam os tempos, há sempre coisas boas que acontecem e que nos fazem achar que valeu mesmo a pena. Evoco aqui algumas delas, sob pena do resumo ser algo injusto, porque incompleto:

  • Foi o ano em que nasceu a minha sobrinha Bea e o meu primo Francisco (o renovar das gerações é sempre um momento de genuína alegria 🙂  );
  • Foi também o ano em que a Diana se juntou ao Sebastião e à Constança (sim, estou a falar dos meus gatos!);
  • Foi o ano em que decidi retomar o meu doutoramento em força (Deus, dai-me forças para acabar isto até Abril!);
  • Foi o ano em que dei algumas das minhas melhores aulas de sempre (aos meus alunos, o meu sentido obrigado 🙂  );
  • 604071_434678983248599_52663879_nFoi o ano em que finalmente saiu o meu segundo livro – Equipas de Alto Rendimento – , cujo lançamento me fez ver os muitos amigos que tenho (mesmo que esteja anos sem os rever);
  • Foi o ano em que a minha Ana fez uma certificação cuja sigla nunca recordo, mas que é um verdadeiro atestado da sua enorme competência 🙂 ;
  • Foi o ano em que concluímos essa verdadeira odisseia que foi a obra colectiva “GRH de A a Z“, cujo lançamento já em Janeiro foi mais uma vez fonte de grandes alegrias!
  • Foi o ano em que o meu amigo Pedro Rebelo concluiu a sua licenciatura e deu o grito do Ipiranga, mudando de vida num acto de verdadeira iluminação e coragem 🙂 Muito me orgulho de ter dado um “empurrãozito” nesse sentido 😉
  • Foi o Ano em que o Afonso começou o seu percurso no Coro de Pequenos Cantores da Portela, provando que o talento surge de onde menos esperamos (nunca sonhei que ele tivesse a voz que tem 🙂  ).
  • E também foi o ano em que me tornei um “Apple User” integral, com todos os idevices que possam imaginar, verdadeiramente convertido ao Appleverse! E meus amigos, para além da minha produtividade ter duplicado, acreditem que trabalhar passou a ser bem mais divertido 😉

Certamente que a lista ficou incompleta, mas terei oportunidade de a completar no futuro.

O principal deste “míni-balanço” é a conclusão a que chego: mesmo nestes tempos impossíveis, vale a pena continuar a jornada 🙂 Assim saibamos navegar por estes mares tempestuosos e possamos saborear as coisas boas que todos os dias nos acontecem…

… Céus, que tempos emocionantes estes 😉

Até já!

Recomendações, Reflexões

Síndroma do Contentamento: uma questão de perspectiva

pastsignEstando em fase de releituras, foi muito interessante rever um artigo genial da Lucy Kellaway, escrito no Financial Times em Maio passado, com o título “Recusa, Medo, Resignação e um certo Contentamento“.

Nele, a autora constata, por observação do seu quotidiano, um fenómeno a que poderíamos chamar a “Síndrome do Contentamento“: segundo a Lucy, parece que a natureza humana nos impele a não ficar demasiado tempo deprimidos com as más notícias (leia-se crise), muito provavelmente porque não aguentaríamos essa “espiral depressiva”.

De onde provém essa constatação? Do facto de observar um conjunto de amigos ou conhecidos que, após estarem fortemente preocupados e ou pessimistas com a crise, meses depois a olhavam com outros olhos, mais positivos, apesar de nada de substancial ter mudado!

Parece de loucos, não acham? Pois não é!

Aquilo que a Lucy constata é que a natureza humana nos permite olhar para a realidade de diversas perspectivas, e acontece que algumas são mais adequadas que outras para reagirmos e superarmos os obstáculos que a vida nos coloca pela frente!

O nosso cérebro, tão complexo mas tão perfeito, ao interpretar a informação correspondente a uma realidade, atribui-lhe uma determinada valoração, mais ou menos positiva, mais ou menos negativa. Do que é que isso depende? De várias coisas:

  1. da nossa história de vida passada;
  2. dos significados positivos ou negativos que atribuímos aos episódios mais marcantes;
  3. das aprendizagens que realizámos em face desses episódios;
  4. da nossa auto-estima (desenvolvida em função da nossa história de vida);
  5. da nossa percepção de capacidade (acreditamos em nós?);
  6. do nosso locus de controle (o meu destino depende de mim?).

Da conjugação destes diversos factores resulta a forma como olhamos o mundo:

  • olhamos para o copo meio-cheio ou meio-vazio?
  • temos a ousadia de mudar o que podemos e a sabedoria de não tentar mudar o que não podemos?
  • calibramos as nossas expectativas em função disso e aprendemos a ser felizes?
  • combinamos ambição e realismo e agimos de forma a seguir em frente?

Da forma como olhamos o mundo resulta a nossa capacidade de regeneração, ou resiliência, que nos permite olhar para os obstáculos com o optimismo para que tenhamos a coragem e o engenho de descobrir novas formas de superar as dificuldades, de nos transformarmos e crescermos, em suma… de fazer brilhar os nossos talentos 🙂

Votos de boa reflexão 😉

Recomendações, Trends

Roots of resilience: capitalismo criativo e ambiente

wrr_smUma breve nota para um post em que tropecei, intitulado “World resources 2008: roots of resilience – growing the wealth of the poor”.

Neste post é dado destaque ao World Resources Report 2008, do World Resources Institute, que foca a relação de interdependência existente entre a pobreza e a defesa do meio ambiente.

O desenvolvimento de resiliência económica, social e ambiental é defendida por via da criação de um novo tipo de empresas, orientadas para a defesa do meio ambiente, para a criação de prosperidade para os mais pobres e para a defesa do bom uso dos recursos locais, como agentes de mudança económica e social.

Esta via de transformação implica:

  • o ownership da gestão destas empresas por parte de membros das classes mais pobres (parte interessada na sua prosperidade e na boa gestão dos recursos locais);
  • a necessidade destas empresas terem a capacidade instalada de gerar negócios baseados na natureza e na defesa do meio ambiente, sendo todavia rentáveis;
  • o desenvolvimento de uma network entre empresas e stakeholders, comprometidos na defesa do meio ambiente como enabler da sua prosperidade

Esta nova perspectiva ganha grande complementaridade com as temáticas do capitalismo criativo e do microcrédito que já apresentei neste blog.

Novas tendências para o futuro, certamente…

Votos de boa leitura 🙂

Recomendações, Reflexões

Resiliência: a vitamina essencial do talento

O post de hoje surge da leitura de um artigo de opinião publicado no Diário Económico da passada segunda feira.

Nele, o sociólogo Francesco Alberoni, sob o título “Catástrofe“, fala-nos de uma característica psicológica chamada resiliência.

Nesse artigo, Alberoni evoca os grandes momentos de crise que todos enfrentamos mais tarde ou mais cedo na vida.

Seja a morte de um ente querido, um problema de saúde ou um “trambolhão” na nossa carreira profissional, esses momentos têm sempre características comuns: a sensação de perda, a vivência de sentimentos contraditórios face a nós e aos outros, a potencial perda de auto-estima, entre outros.

Ou seja, aquilo que Alberoni caracteriza como catástrofe.

Destas situações podemos sair de duas formas:

a) ou numa espiral descendente, caindo potencialmente na depressão e cedendo às dificuldades;

b) ou numa espiral ascendente, enfrentando as dificuldades e reinventando-nos na adversidade;

Como já referi anteriormente num artigo de opinião – A Pesada Herança de Roma -, muito da nossa vida depende da nossa perspectiva da vida e da forma como ela evolui.

Se acreditarmos que o nosso destino depende fundamentalmente das nossas acções (e não de qualquer factor externo ou superior), tenderemos a resistir melhor às adversidades. Chama-se a isso em psicologia locus de controle interno.

Se aliarmos a isto a capacidade de desenvolver um auto-conceito robusto, em que conhecemos bem as nossas limitações e potencialidades, sabendo e conseguindo pedir ajuda nos momentos em que precisamos, então estaremos em condições de poder concretizar todo o nosso potencial de desenvolvimento. A isto Lev Vigostski chamou desenvolvimento proximal.

A conjugação destes dois factores permite potenciar a resiliência, que mais não é que uma atitude de superação, de reconstrução, só possível a quem desenvolva uma disciplina de auto-conhecimento, de humildade, mas também de ambição.

É um misto de sentido crítico, capacidade de análise e profunda vontade de ir mais longe.

Na verdade, aquilo que o Nelson Évora e a Vanessa Fernandes tão bem demonstraram nestes Jogos Olímpicos de Pequim, e que tantos outros atletas portugueses revelaram não ter.

Seja pela falta de ambição que alguns denotaram, seja pela reacção ao insucesso, algumas vezes traduzidas em declarações infelizes, quando não mesmo patetas (quem esqueçe o inqualificável comentário “de manhãzinha, só mesmo na caminha” de Marco Fortes?!! ), a verdade é que a nossa delegação olímpica acabou por nos deixar com uma sensação de amargo na boca.

Não sejamos no entanto injustos: a má impressão mediática que alguns provocaram não pode confundir-se com o comportamento exemplar de muitos dos nossos atletas olímpicos que, mesmo não ganhando medalhas, demonstraram brio e vontade de ir sempre mais além.

Que o exemplo do Nélson e da Vanessa seja inspirador para todos nós…

Assim concluo este breve post sobre a resiliência, característica comum a todos os talentos que conheço, voltando a recomendar a leitura do excelente artigo do também talentoso Alberoni.

Não nos esqueçamos que a resiliência não é um dom inato, mas sim algo que se pode aprender e treinar.

Vamos a isso? 😉