Reflexões, Talento, Trends

Portugal (sempre) vale(u) a pena

Porque estamos todos contentes

Classic-portugal-1Não resisti a escrever este post depois de ler o post da minha amiga Rita no Facebook. A Rita teve a gentileza de me aceitar como amigo no Facebook apesar de só me aturar em contexto profissional. Esse gesto generoso foi uma benção para mim, que tive oportunidade de conhecer uma pessoa cujas facetas como ser humano são francamente inspiradoras e surpreendentes. Por isso mesmo, obrigado Rita 🙂

Ora o que é que Rita publicou que me motivou tanto a escrever? Bem a Rita soube colocar em belas palavras aquilo que nos vai na alma enquanto portugueses: um sentimento de grande orgulho e alegria por pertencermos a esta pequena-grande Nação, onde conseguimos feitos assinaláveis apesar das circunstâncias de partida serem desfavoráveis.

No caso dela em particular, o motivo de orgulho e satisfação era pleno, pois ela (tal como eu) torce pelo Glorioso e por isso teve razões para comemorar no sentido desportivo, para além do artístico e do transcendental.

Não resisto a citá-la, nas suas inspiradas e tocantes palavras:

“Parece que tomámos consciência de que o nosso país e os portugueses são fantásticos, mas a verdade é que a mudança começa em cada um de nós. Que ser autêntico num mundo de cópias vale ouro; que ter um coração grande onde cabe sempre mais um não é sinal de fraqueza, mas de grandeza. Percebemos que, permanecer humilde quando a arrogância se torna uma pandemia é ter nobreza de espírito e não pequenez.”

Estamos assim todos contentes, mas pelos motivos certos, quero acreditar.

Porque Portugal sempre valeu a pena

Apesar da nossa tendência para o pessimismo e para o fado, produto de uma pesada herança cultural (ver meu artigo), a verdade é que sempre tivemos, enquanto Nação, uma enorme capacidade de vencer a adversidade e de reinventar as nossas alavancas de prosperidade.

Sempre procurei neste blog destacar precisamente esse lado positivo de Portugal (ver posts anteriores) que estou convicto que assenta precisamente nos nossos activos intelectuais, na nossa capacidade de fazer fluir conhecimento entre nós, aceitando a diversidade, a diferença e a singularidade de todos aqueles que possam ter valor, de alguma forma.

Por isso sinto que este nosso país continua a ser um porto seguro para todos aqueles que queiram desenvolver os seus talentos, e sinto-o todos os dias, seja na multinacional onde trabalho, seja na universidade onde ensino, seja nas muitas outras coisas que faço. Essa aceitação da diferença, que é um exercício misto de humildade e sabedoria, é hoje algo que tanta falta faz num mundo onde proliferam as certezas indiscutíveis e as intolerâncias máximas, o fundamentalismo e a violência.

Por isso o significado simbólico deste fim-de-semana, onde no mesmo país pudemos celebrar essa homenagem ao amor pelo próximo e ao respeito pela diferença, com a visita do Papa Francisco, onde pudemos celebrar uma vitória desportiva conseguida com trabalho, determinação, humildade e elegância (nunca devemos baixar o nível ou descer a fasquia) e por fim onde pudemos viver uma vitória da criatividade, simplicidade e genuinidade (mas sempre, sempre, com substância e significado).

Por isso sim, Portugal é um país que sempre valeu a pena 😉

Deixo-vos com uma espectacular análise de Joana Capucho no DN Online sobre a portugalidade, uma excelente notícia sobre a nossa economia dada pelo Observador, ainda com um interessante vídeo sobre o nosso país visto pelos olhos de turistas. Enjoy 😉

Factos, Reflexões, Trends

Portugal continua a ser irrevogavelmente cool, pá!

ng3492544Não resisti a escrever este post após um frenético fim de semana recheado de notícias bombásticas que começaram ainda durante o meu regresso de Angola. Por momentos senti que estava a voltar para um país que não era aquele pelo qual estou apaixonado há mais de quatro décadas…

Na verdade, desde o Verão que temos sido confrontados com todo o tipo de notícias sobre uma espécie de lado lunar de Portugal, associado a um tipo de conduta que repudiamos da qual apenas vislumbrávamos a ponta do icebergue. Nos últimos meses o icebergue mostrou-se de forma crua, mostrando uma faceta da realidade que nos incomoda, percorrendo transversalmente o setor público e privado.

Apesar de doloroso, prefiro um país onde se enfrentam estes “demónios” frontalmente, e faço votos para que a Justiça funcione de forma desassombrada, imparcial e implacável. Mas o que me recuso é a reduzir o nosso país a estes factos, a esta faceta menos positiva. Apesar de tudo o que se vai passando neste cantinho à beira mar plantado, a verdade é que Portugal continua a ser a casa de gente de enorme mérito e de enorme qualidade, que realiza feitos memoráveis e que, todos os dias, se atreve a fazer a diferença. Mas sobre isso fala-se pouco.

Por isso mesmo decidi aqui falar um pouco do lado de Portugal que me apaixona. Um Portugal que continua a ser irrevogavelmente cool 🙂

Apesar da crise e da Troika, Portugal continua a ter polos de excelência e de enorme desenvolvimento e notoriedade. Sabiam que em 2014 Portugal conquistou 15 prémios no World Travel Award? Pois é, o turismo e a hotelaria portugueses estão no top of mind mundial, apesar de todas as dificuldades. E isto graças a milhares de heróis anónimos que vão fazendo do nosso país um lugar onde apetece voltar muitas e muitas vezes 😉

Mas não só de turismo se faz este país. Sabem por exemplo que, este ano, três dos quatro melhores vinhos do mundo são portugueses, segundo a Wine Spectator? Para um país com a nossa dimensão isto é verdadeiramente notável, e ilustra a verdadeira revolução que o setor vinícola português sofreu na última década. Hoje produzimos do melhor que se faz no mundo, e o resto do mundo sabe-o 🙂 Faz-nos bem recordar…

2014-11-21 21.32.53Sabem que em 2014 Portugal ganhou mais duas distinções nos Óscares da gastronomia, tendo já 14 restaurantes no Guia Michelin? Isto para não falar dos excelentes chefs que têm expandido o seu talento à escala global. Exemplo vivo disso foi a fantástica refeição que fiz a semana passada no fabuloso Kitanda da Esquina, em Luanda, do chef Vítor Sobral, um verdadeiro exemplo de talento português à escala intercontinental!

Mas Portugal também se faz de protagonistas meritórios, mais ou menos mediáticos. Foi em 2014 que Carlos do Carmo recebeu o Grammy Latino de Carreira, premiando um percurso artístico de notável qualidade e projeção. Foi também este ano que Cristiano Ronaldo recebeu a Bota de Ouro pela terceira vez, feito particularmente notável para um atleta tão jovem mas com um talento à escala global, que é hoje o mais universal cartão de visita do país. E foi também em 2014 que uma equipa de bombeiros lusos se afirmou entre as melhores do mundo, num exemplo de que os heróis portugueses são muitas vezes gente anónima, simples gente deste povo tão valoroso 🙂

Mas 2014 não se ficou por aqui… também na ciência damos cartas. Alcino J. Silva, nome incontornável da investigação molecular, venceu o Best Leader Awards EUA 2014 na categoria de Award Applied Science and Technology e Ana Júlia Cavaleiro, investigadora portuguesa, foi premiada pela NASA. Notável, não acham?

Por fim, três exemplos de excelência em domínios distintos: a arquiteta Inês Lobo venceu este ano o prémio internacional ArVision – Women and Architecture, mostrando que a arquitetura portuguesa, que já conta com dois prémios Pritzker, continua a dar cartas. Também a portuguesa Marta Rodrigues Cordeiro e Cunha foi eleita a melhor aluna de MBA do mundo, o que mais uma vez é notável se considerarmos o quão minúsculos somos do ponto de vista territorial!

E por fim, por falar em dar novos mundos ao mundo, não queria deixar de destacar a minha Católica Lisbon School of Business & Economics, que se encontra entre as 50 melhores business schools do mundo e entre as 25 melhores da Europa, atraindo para Portugal um vasto leque de professores e alunos internacionais. Dá orgulho pertencer a esta equipa…

É este Portugal que eu amo, é deste Portugal que eu me lembro todos os dias… apesar do resto 😉

Deixo-vos um pequeno vídeo que ilustra este conceito de proudly portuguese. Enjoy it! 🙂

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Portugal faz irrevogavelmente bem – parte 5

shapeimage_1Enquanto continua a nossa silly season, em que Portugal se torna cada vez mais inovadoramente belga, provando-se que o país funciona ainda assim sem governo, eu cá vou continuando a minha demanda por bons exemplos nacionais.

Hoje quero falar-vos do Ricardo Sousa, um jovem extraordinariamente talentoso que, aos 14 anos, criou uma plataforma online de partilha de textos – a Textos & Companhia. Esta plataforma transformou-se num sucesso, com a adesão de mais de 2000 autores, e foi o pontapé de saída para uma caminhada cheia de sucessos.

O Ricardo decidiu aprender a programar sozinho, e três anos depois organizava uma conferência internacional para empreendedores tecnológicos – a SWITCH Conference. Assim, aos 17 anos, estava a gerir um evento com um orçamento de 25.000 euros!

Hoje, com 21 anos, é fundador e CEO da ColorElephant, uma empresa de serviços de marketing e webdesign que trabalha para a BMW e para a Microsoft.

Parabéns Ricardo, por nos inspirares a sonhar com um futuro melhor. Construí-lo depende apenas da nossa vontade…

Deixo-vos com uma intervenção do Ricardo na conferência TEDx Atenas. Um portento! Enjoy it 😉

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Portugal é um sítio irrevogavelmente saboroso! – parte 4

9u16b8Continua a minha cruzada para divulgar o que de bom se faz neste país ou por portugueses no mundo.

Hoje é a vez de destacar a Iogurteria do Bairro.

A história conta-se duma penada: dois jovens portugueses decidiram fazer uma viragem de 180 graus nas suas carreiras profissionais e investir o seu próprio dinheiro num pequeno negócio altamente saboroso 😉 . A Iogurteria do Bairro, a funcionar no Centro Comercial do Campo Pequeno, oferece iogurte e gelados de iogurte, com coberturas de todos os sabores, durante todo o ano e com preços altamente acessíveis. Para ajudar à festa, têm uma oferta óptima e extremamente saborosa para quem, como eu, não pode comer açúcar: o seu gelado natural adoçado com stévia é do melhor que há, e pode levar toppings sem açúcar como sementes de girassol ou nozes (e que bons que ficam!).

Carlos Pinheiro, de 26 anos e formado em Gestão, detetou um nicho de mercado quando se deslocou a Espanha, onde a oferta de gelados de iogurte é bastante vasta, em contraste com o nosso Portugal. Carlos juntou-se ao amigo Pedro Leitão, designer, e rapidamente montaram a Iogurteria, que foi inaugurada no início de Abril. Os dois amigos investiram o seu próprio capital e garantem que “o negócio está a correr bem e recomenda-se”.

Já lá fui pessoalmente e posso garantir que, neste caso, o espírito empreendedor se aliou a uma excelente qualidade do produto (aquilo é mesmo delicioso!) e a um atendimento de enorme simpatia e calor humano 🙂 Fiquei fã e não quero outra coisa!

É possível escolher entre o iogurte natural cremoso, o gelado de iogurte, batidos e ainda o picolé. Depois, é só escolher entre as muitas coberturas disponíveis que vão desde o chocolate derretido, aos frutos variados. Além do sabor absolutamente viciante, estas sobremesas têm a enorme vantagem de terem menos calorias do que os gelados tradicionais e no caso do gelado adoçado com stévia, poderem ser bem tolerados por diabéticos.

Parabéns Carlos e Pedro! Votos de muito sucesso!

Deixo-vos com um pequeno filme sobre sobremesas sem açúcar. Enjoy it!

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Portugal tem uma narrativa porreira, pá! – parte 3

portugal (2)Deixo já hoje aqui o meu post de amanhã sobre coisas boas feitas em Portugal.

Desta feita, o testemunho é dado a uma unidade industrial de excelência que temos em Tondela, bem no centro do nosso Portugal profundo.

Estou a falar da Brose, que fabrica fechaduras para os BMW, mas também elevadores de portas e outros componentes, e não só para esta marca de carros alemã, mas para várias outras.

A Brose foi objecto de reportagem no Caderno de Economia do Expresso desta semana, mas tem sido objecto de outras notícias ao longo do tempo. Composta por mais de uma centena de profissionais talentosos e esforçados, a Brose de Tondela é uma das unidades industriais do Grupo Brose que mais se tem destacado pelos seus bons resultados, e está este ano a recrutar 50 empregados, em pleno contraciclo com a economia nacional.

O que faz a excelência, hem? 🙂

E eu posso atestar pessoalmente este caso, pois tive o privilégio de trabalhar com esta equipa, e sei como são do melhor que há neste país. É nestas alturas que apetece clamar “proudly portuguese”!

Deixo-vos com um pequeno filme sobre o grupo Brose. Enjoy it! 🙂

Factos

Portugal no seu melhor (apesar do FMI)

Nestes tempos conturbados, em que o FMI nos bate à porta, não quis deixar de dar nota de 3 exemplos de que nos devemos orgulhar:

  1. António Horta Osório, o primeiro português a liderar um dos mais importantes bancos britânicos – o Lloyds (depois não digam que os povos do sul não sabem lidar bem com números 😉 !);
  2. António Barreto, o pai da Pordata, que estreou a sua primeira exposição de fotografia, provando que nunca é tarde para revelar os nossos talentos ocultos!
  3. Vítor Frutuoso, Manuel Alves de Oliveira, Nelson de Carvalho e Fernando Andrade, autarcas que, à frente das Câmaras de (respectivamente) Marvão, Ovar, Abrantes eAguiar da Beira, conseguiram provar que, com engenho, arte e determinação, se pode reduzir o endividamento das autarquias entre 48% e 82%!

A todos eles os nossos parabéns!

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Portugal no seu melhor!

Continuando a onda positiva com que quis abrir o ano de 2010,  quero partilhar convosco dois casos do que se faz de melhor no nosso país, e que provam que as novas gerações são muito mais prometedoras do que alguns arautos da desgraça nos querem fazer crer!

Deixem-me falar-vos primeiro da Liliana Fernandes: esta jovem de 28 anos mudou-se há um ano para Fontainebleau, para fazer o MBA do INSEAD. Nesse âmbito desenvolveu um projecto empresarial na área das telecomunicações, cuja qualidade a levou a conquistar o terceiro lugar no INSEAD Business Venture Competition, entre 480 alunos de todo o mundo (ver notícia).

A história da Liliana ilustra o perfil dos talentos do futuro: está recheada de ambição, cosmopolitismo e determinação.

Licenciou-se em Economia na Nova em 2003 e fez Erasmus na Holanda. Começou a carreira na Deloitte e em 2005 volta à universidade, para uma pós-graduação em Finanças. Em 2006 lança-se na sua “aventura global”, indo trabalhar para a Greenwich Consulting, Em Paris e Bruxelas. Em 2007 regressa a Portugal, indo para a KPMG e em 2009 vai então para Fontainebleau, para o MBA do INSEAD.

A partir de agora, a Liliana integra a lista de honra dos alumni de uma das mais prestigiadas business shools do mundo. Parabéns, Liliana!

O outro caso que vos trago é o da Margarida Melo, jovem investigadora e docente portuguesa da Universidade de Coimbra que, com apenas 29 anos, ganhou o Prémio Michelle Cuozzo, da Università degli Studi di Roma (ver notícia).

Margarida Melo desenvolveu a sua tese de doutoramento na área da Geometria Algébrica, tendo desenvolvido uma aplicação informática para reforçar a segurança de comunicações encriptadas.

O prémio, que  atinge um valor de 12 mil euros, visa recompensar o trabalho desta investigadora que, desde há 4 anos, reforça a equipa do Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Parabéns, Margarida!