Desafios, Reflexões

Crónicas de Tempos Impossíveis III

IMG_05442013 vai ser seguramente para muitos de nós um dos anos mais duros e marcantes da nossa vida. Por boas e más razões certamente, porque mesmo num contexto em que se configura uma tempestade perfeita, como aquele que vivemos em Portugal, o que a vida nos ensina é que a mesma é sempre feita de coisas boas e más, mesmo que nós só prestemos atenção a uma das categorias.

Se eu quisesse colocar o chapéu do pessimista, recordar-me-ia certamente do que me custou abandonar um projecto empresarial onde coloquei mais de 4 anos de entusiasmo, esforço e trabalho… sim, sair da Alter Via não foi fácil. Mas foi uma grande lição de vida, pela resiliência que foi necessário ter, pelas competências de gestão e negociação que desenvolvi, pelo orgulho que tenho em não ter esquecido nenhum colaborador nem ter deixado nenhum membro da minha equipa desamparado.

Se eu quisesse colocar o chapéu do nostálgico, lembrar-me-ia do Sebastião, o meu felino lindo, companheiro de mais de uma década, que decidiu deixar-nos em Abril passado e seguir viagem para o paraíso dos felinos, mas que o fez com uma lealdade e amizade inesquecíveis, não querendo deixar de passar os seus últimos instantes nos nossos braços. Mas prefiro recordá-lo e homenageá-lo através das memórias que a mais nova felina lá de casa – a Diana – me desperta, com as suas brincadeiras e arranhadelas constantes.

Se eu quisesse colocar o chapéu do dramático lembrar-me-ia de outros entes queridos, que sofrem mais do que deviam e que persistem em permanecer por cá numa prova de supremo afecto e sacrifício por aqueles que amam. Mas prefiro recordar os momentos, mesmo que breves, em que os vejo sorrir.

Em contrapartida a estes chapéus, eu insisto em colocar o chapéu do optimista e do esperançoso. E por isso dou graças por estar exausto, a meio da mais violenta maratona lectiva que alguma vez tive na Católica Lisbon School, o que me fez recordar algo que eu já sabia: a alegria de partilhar o que sei e de tocar na vida dos outros é algo que me preenche de forma tão poderosa, que me faz transcender tão para lá dos limites corriqueiros, que atribui tanto significado à minha jornada neste mundo, que ser professor jamais será uma actividade opcional na minha vida. Não é negociável, pura e simplesmente 🙂

Como esperançoso militante que sou, prefiro celebrar hoje o pequeno feito de ter ajudado uma amiga a arranjar um emprego, após anos e anos a tentar. Pequeno feito para mim, que gostaria de conseguir ajudar um pouco mais as dezenas de pedidos de ajuda que me chegam todos os dias. Mas prefiro celebrar uma pequena vitória de cada vez. E saber que ela tinha tido ontem o seu primeiro dia de trabalho já me fez valer a pena todo o ano de 2013, apesar de ainda irmos a meio da jornada 🙂

Como optimista crónico que sou, não pude deixar de aceitar este mês o convite que os meus amigos João Paulo e Carlos me fizeram para me juntar a eles numa recente e muito fresca aventura empresarial: a Cranberry.

Apesar de ser um annus horribilis em termos de actividade económica, este é também um momento de oportunidades para quem queira arriscar e acredite no seu valor. Por outro lado, ao visitar o escritório da Cranberry, ainda a cheirar a novo, onde pululam profissionais jovens e menos jovens, oriundos dos mais diversos sectores de actividade, mas todos imbuídos de uma alegria, orgulho, boa-disposição e criatividade imparáveis, o único pensamento que me ocorreu foi: como é possível não integrar esta equipa?

E assim aqui estou, mais uma vez a trilhar novos caminhos, com um gosto imenso por esta enorme aventura que é viver 🙂

Deixo-vos com uma pequena peça de reportagem da TVI24 sobre o livro “GRH de A a Z“, da RH Editora, que tive o enorme privilégio de coordenar em conjunto com o meu grande amigo Augusto Lobato Neves, que lidera uma equipa também igualmente fantástica, que todos os anos marca o mundo dos recursos humanos, com publicações e eventos da maior qualidade. Enjoy it 😉

 

Eventos, Factos, Recomendações, Trends

Ainda sobre optimismo: Flash Mob no Aeroporto da Portela

Não resisti a partilhar um vídeo que me foi simpaticamente enviado pela Ana Santos, do ONRH, sobre a Flash Mob no Aeroporto da Portela.

A publicidade viral está na moda, sendo um dos sub-produtos mais potentes da Web 2.0, e as Flash Mobs são uma das suas variantes mais interessantes e galvanizadoras, onde um grupo de pessoas surge subitamente do meio da multidão, executando uma performance ao vivo para um público aleatório, nos locais mais inesperados.

A TAP aproveitou muito bem a época natalícia para experimentar este tipo de publicidade, e este vídeo que convosco partilho é  já um dos mais vistos pelo público português na Internet.

Como bem diz a Ana Santos, este é “um vídeo que representa um verdadeiro incentivo ao optimismo, ao dinamismo, à inovação e à mudança.” … nem mais!

Obrigado, Ana, pela partilha!

Enjoy it 🙂

Recomendações, Trends

Actua Contra a Crise!

Nada como começar 2010 numa onda positiva! Assim, e no seguimento natural do último post, damos aqui destaque ao Movimento ACC – Actua Contra a Crise!

O que é o ACC? Um movimento que nasce como um grande projecto de responsabilidade corporativa da Inforpress. O objectivo é criar um movimento para actuar contra a crise, explicar as histórias que merecem ser contadas e contagiar com o exemplo dos grandes líderes de pequenas, médias e grandes empresas de Portugal e Espanha.

Este blog fala apenas de feitos contados pelos próprios protagonistas, na primeira pessoa, assinados e com foto. Em 15 linhas, os presidentes de empresas contam que acções desenvolveram para superar com entusiasmo o contexto que tem caracterizado 2009.

É assim uma excelente “montra” de boas práticas, casos de sucesso e acções positivas, que provam que há vida para lá da crise!

Não deixem de ler o seu Manifesto e de contribuir com boas histórias e/ou comentários!

Enjoy it!!! 😉

Recomendações, Reflexões

Síndroma do Contentamento: uma questão de perspectiva

pastsignEstando em fase de releituras, foi muito interessante rever um artigo genial da Lucy Kellaway, escrito no Financial Times em Maio passado, com o título “Recusa, Medo, Resignação e um certo Contentamento“.

Nele, a autora constata, por observação do seu quotidiano, um fenómeno a que poderíamos chamar a “Síndrome do Contentamento“: segundo a Lucy, parece que a natureza humana nos impele a não ficar demasiado tempo deprimidos com as más notícias (leia-se crise), muito provavelmente porque não aguentaríamos essa “espiral depressiva”.

De onde provém essa constatação? Do facto de observar um conjunto de amigos ou conhecidos que, após estarem fortemente preocupados e ou pessimistas com a crise, meses depois a olhavam com outros olhos, mais positivos, apesar de nada de substancial ter mudado!

Parece de loucos, não acham? Pois não é!

Aquilo que a Lucy constata é que a natureza humana nos permite olhar para a realidade de diversas perspectivas, e acontece que algumas são mais adequadas que outras para reagirmos e superarmos os obstáculos que a vida nos coloca pela frente!

O nosso cérebro, tão complexo mas tão perfeito, ao interpretar a informação correspondente a uma realidade, atribui-lhe uma determinada valoração, mais ou menos positiva, mais ou menos negativa. Do que é que isso depende? De várias coisas:

  1. da nossa história de vida passada;
  2. dos significados positivos ou negativos que atribuímos aos episódios mais marcantes;
  3. das aprendizagens que realizámos em face desses episódios;
  4. da nossa auto-estima (desenvolvida em função da nossa história de vida);
  5. da nossa percepção de capacidade (acreditamos em nós?);
  6. do nosso locus de controle (o meu destino depende de mim?).

Da conjugação destes diversos factores resulta a forma como olhamos o mundo:

  • olhamos para o copo meio-cheio ou meio-vazio?
  • temos a ousadia de mudar o que podemos e a sabedoria de não tentar mudar o que não podemos?
  • calibramos as nossas expectativas em função disso e aprendemos a ser felizes?
  • combinamos ambição e realismo e agimos de forma a seguir em frente?

Da forma como olhamos o mundo resulta a nossa capacidade de regeneração, ou resiliência, que nos permite olhar para os obstáculos com o optimismo para que tenhamos a coragem e o engenho de descobrir novas formas de superar as dificuldades, de nos transformarmos e crescermos, em suma… de fazer brilhar os nossos talentos 🙂

Votos de boa reflexão 😉

Factos, Recomendações, Reflexões

Clube do Optimismo: incubadora de talento

optimism-784009Tomei contacto com o Clube do Optimismo através de uma peça do Diário de Notícias, intitulada “Aprender a Dizer Adeus a Maus Sentimentos“.

Confesso que ainda não tive tempo para me ir inscrever como sócio, mas a vontade de o fazer ficou, e o interesse pelo tema também 🙂

Fundado por Maria do Carmo e Manuel Oliveira, psicólogos clínicos, o clube tem por objectivo promover uma educação mais positiva, que aumente a auto-estima e a auto-confiança, desenvolvendo competências com base na crença do que somos capazes de realizar, e não no medo de falhar.

Este clube foi criado com base nos princípios da psicologia positiva, que defende o poder das emoções positivas no processo de aprendizagem e no desenvolvimento do talento, promovendo uma ética da felicidade no alcance do sucesso adaptativo.

O potencial desta abordagem, que tenho defendido ao longo do tempo e que a minha experiência comprova – cf. posts “Talentologia – parte II”  e “Inteligência Emocional na Gestão do Talento” -, tem sido também defendido por inúmeros amigos e companheiros de jornada, como por exemplo o Miguel Pereira Lopes – cf. a entrevista dele no DN Online, em que advoga a psicologia positiva como enabler da educação para o empreendedorismo.

A verdade é que esta corrente tem muito para dar à nossa sociedade e à forma (não) saudável como hoje procuramos ser competitivos. A verdade é que a nossa herança cultural nos formata para a obediência e conformidade ao poder, e sempre com medo das punições (ainda agora acabei de dar um berro ao meu filho Afonso, para que obedeça ao avô…), e praticar algo contrário a esta herança torna-se uma disciplina difícil – cf. o meu artigo “A Pesada Herança de Roma“.

Por isso mesmo quero inscrever-me rapidamente num dos cursos ou das workshops do Clube do Optimismo, que se destinam não só a crianças como a adultos, com reflexos positivos seja na educação que damos aos nossos filhos, seja na forma como interagimos com os nossos colegas, chefes ou subordinados (e vejam só a carga simbólica destas palavras, herdadas da nossa “cultura castigadora”!).

Deixo-vos assim alguns recursos adicionais sobre o Clube do Optimismo e a Psicologia Positiva. Enjoy it 😉 !

Positive Psychology Center

“Tristezas não pagam dívidas”

“O copo está meio cheio ou meio vazio?”

TED TALKS – Martin Seligman: What positive psychology can help you become