Desafios, Recomendações, Reflexões

Crónicas de Tempos Impossíveis II

changeÉ impressionante como o tempo passa depressa quando a mudança nos acompanha de forma insistente.

Mesmo quando essa mudança implica dificuldades ou perdas, a sensação é a de que não temos nem sequer tempo de respirar, tantas são as solicitações, actividades, decisões, ou mesmo simples tarefas. O esforço de superar as dificuldades é compensado pelas pequenas conquistas e pelos pequenos afectos, e a isso me tenho agarrado nos momentos menos fáceis, em que a força parece faltar.

Para conseguir manter a minha vida organizada, tenho tido alguma ajuda digital, sem a qual não passo hoje. Como me tem ajudado bastante, passo a recomendar:

  1. Evernote: aplicação de gestão de notas, instala-se no smartphone, no tablet e no computador, e sincroniza todas as nossas notas entre dispositivos, guardando cópia na nuvem. A nota pode ser escrita, uma foto, um ficheiro, uma captura de página de internet (webclipper), enfim, o que nós quisermos capturar. Já não uso outra coisa para guardar informação solta ou para tomar apontamentos em reuniões 🙂
  2. Dropbox: a melhor versão de armazenamento digital de ficheiros na nuvem que conheço. Mais uma vez, instala-se no smartphone, no tablet e no computador, e sincroniza todos os nossos ficheiros entre dispositivos, guardando cópia na nuvem. A portabilidade levada ao extremo 😉
  3. Wunderlist: a melhor versão de gestão de tarefas do momento. Tal como os anteriores, instala-se no smartphone, no tablet e no computador, e sincroniza todas as nossas tarefas entre dispositivos, guardando cópia na nuvem. Acciona lembretes por notificação e por mail e a versão Pro, prestes a sair, vai permitir assignar tarefas a outras pessoas. Do melhor em termos de produtividade!
  4. YouSendIt: o melhor aplicativo para envio de ficheiros de grande dimensão. E imaginem: também ele se instala no smartphone, no tablet e no computador, e permite enviar todos os nossos ficheiros por FTP, libertando peso do tráfego por mail. A portabilidade levada ao máximo da leveza 😉
  5. Harvest: a melhor versão de gestão de tempo do momento. Tal como os anteriores, instala-se no smartphone, no tablet e no computador, e sincroniza todas as nossas timesheets entre dispositivos, guardando cópia na nuvem. E tudo isto em segundos, sem roubar tempo!
  6. Mail Pilot: ainda só em versão para iPhone e iPad, este aplicativo gere os nossos mails como se fossem to-dos, permitindo “arrumar” a inbox em função de listas, de tarefas completadas ou por completar, remeter mails para datas de revisão especificas, etc. A primeira versão estava muito instável, mas o update que saiu hoje já resolveu boa parte dos problemas. Infelizmente, ainda não integra todas as contas Exchange ou POP, uma vez que a lógica inicial foi integrar contas IMAP. Ainda assim é uma grande ajuda!
  7. Podio: por fim, a menina dos olhos do trabalho digital, o verdadeiro Nirvana do trabalho colaborativo. Imaginem uma intranet só vossa, que funciona como se fosse uma rede social e para a qual podem convidar as pessoas com quem querem interagir. Isto pode servir para trabalhar em equipas de projecto remotamente, para criar intranets de pequenas empresas, para ter um espaço de aprendizagem e colaboração online no âmbito de um curso, entre outras possibilidades! Para saberem mais, não deixem de ler a review feita pela Ana Neves do portal KMOL!

Aproveito ainda este post para vos dar uma novidade: este mês deixei de fazer parte do Conselho de Administração da Alter Via.

Após quatro anos de intenso trabalho, felizmente muito bem sucedido, decidi que era hora de virar uma página na minha vida.

Não me arrependo nem de um segundo passado na Alter Via. Foi aí que desenvolvi uma prática de consultoria a partir do zero, que desenvolveu projectos vencedores de Norte a Sul do país nos mais diversos sectores de actividade. Foram quatro anos de intensa aprendizagem, mobilizando mais de uma dezena de profissionais e gerando sempre resultados líquidos positivos 🙂 A todos com quem tive o privilégio de colaborar e aprender, o meu sentido bem-hajam!

Decidi que era hora de criar um projecto novo, algo que pudesse nascer de uma ideia original minha, logo era hora de sair da “incubadora” 😉

Por enquanto, tenho estado concentrado a dar aulas (este trimestre leccionei algumas das minhas melhores aulas de sempre, o que me “lavou a alma” e me deu forças para a mudança).

Para além das aulas, estou a “sprintar” para acabar de redigir a tese de doutoramento (está quase, está quase!).

No fim do mês sigo em missão para a minha saudosa Angola (que saudade do calorzinho de Luanda!) 🙂

… e depois veremos que novidades me esperam 😉 os meus leitores serão certamente dos primeiros a saber!

Até breve!

Reflexões

Elasticidade Organizacional

flexibilityAcabei de ler um artigo muito interessante do Professor Michael Jarrett, da London Business School, intitulado Are You Ready?. Neste artigo é abordado o tema da gestão da mudança, sendo que o Professor Jarrett nos recorda que muitos processos de mudança falham porque:

  • a gestão não conhece as capacidades internas que tem no seio da sua organização;
  • a gestão por vezes não se apercebe da complexidade e velocidade da mudança que ocorre na sua envolvente, não conseguindo assim endereçar adequadamente os desafios que tem de enfrentar.

Os actuais tempos de crise económica, financeira e social (endémica e viral), não nos deixam esquecer a amplitude desta verdade. No artigo é referido que a capacidade de prontidão para a mudança (readiness) depende assim em grande parte da capacidade de conseguir ler os sinais do contexto, bem como de ajustar as capacidades internas à mudança.

Desta forma, esta perspectiva complementa a necessidade de termos gestores que olham para o talento interno como um mercado que precisa de ser trabalhado de forma segmentada e alinhada com a política de marketing externo – e isto revela uma prática emergente de marketing interno.

Gerir o talento com os olhos de um marketeer é algo que eu já tinha aqui defendido – cf. post sobre Brand Management -, e cuja pertinência este paper parece claramente reforçar. A colocação das capacidades de cada um ao serviço de objectivos organizacionais é uma decisão que cada um de nós toma (todos os dias) e a capacidade de mobilizar as vontades e gerar estas decisões é uma responsabilidade que os líderes de equipa não podem ignorar, e uma capacidade que têm imperativamente de desenvolver.

Em contextos de mudança este apelo é claro – cf. o meu artigo sobre Gestão da Mudança -, mas a verdade é que a mudança é cada vez mais permanente, e mesmo em contexto que não representam uma disrupção a verdade é que esta necessidade se verifica, seja através do contínuo esforço de inovação – imperativo actual de sobrevivência das organizações – seja através do contínuo esforço de desenvolvimento de relações de confiança com os clientes – o segundo imperativo de sobrevivência -, que exigem um contrato psicológico forte entre colaboradores e organizações.

Votos de boa reflexão 🙂

Desafios, Factos, Reflexões

Mudar de Vida :-)

 

feeling-stuckO Mentes Brilhantes volta ao activo após uma pausa de alguns dias, que aproveitei para retemperar forças e que é o culminar de uma fase de reflexão e mudança na minha vida.

Após 3 anos de mandato na Capgemini, integrando o seu Comité Executivo e assumindo a Direcção de Recursos Humanos, é com o sentimento de missão cumprida que dou por terminado um ciclo profissional que só posso classificar de extremamente recompensador e gratificante.

Tendo tido o gosto e o privilégio de liderar um processo de reengenharia de recursos humanos que alavancou um movimento mais vasto de transformação organizacional, reconhecido hoje como um case study divulgado na obra de referência Humanator  e premiado publicamente com o Prémio RH 2008, entendi ser a hora de assumir desafios diferentes que me levam por outros caminhos.

Porquê a mudança? Porque na vida devemos ter a ousadia e a ambição de inovar, mudar e progredir sempre que podemos, mas também devemos ter a sabedoria de perceber qual o momento certo de partir para deitar novas sementes à terra.

A competitividade profissional só se consegue se conseguirmos estar sempre a criar valor percebido pelo mercado e a ultrapassar novas metas e desafios que nos obriguem a crescer e a desenvolver-nos.

Tem riscos? Concerteza. Mas só assim conseguimos concretizar plenamente os nossos sonhos: com esforço, sacrifícios e capacidade de correr riscos. 

Faz sentido à beira de uma crise sem precedentes? Claro. A crise não é só uma ameaça. É também um manancial de oportunidades. Quem arrisca agora ganha vantagem!

É também isto a gestão do talento. Só que aplicado à gestão da nossa própria carreira 😉

Concluído um exigente processo de sucessão que me ocupou nos últimos meses de 2008,  estou plenamente confiante na condução futura da gestão das pessoas na casa que generosamente me acolheu há três anos e da qual agora parto com as melhores recordações e a certeza de que a ela regressarei amiúde para rever colegas e amigos.

No que toca à Capgemini o momento não é pois de “adeus”, mas sim de “até já” 🙂

Nos próximos meses estarei dedicado à minha actividade docente na universidade, bem como ao meu doutoramento e a mais alguns projectos ainda em curso. Dentro de algum tempos dar-vos-ei nota do novo desafio empresarial que irei abraçar.

Até lá, vemo-nos por aqui 😉 !

Trends

Web 2.0: a competitividade pós-capitalista

Um estudo recente da McKinsey confirma as boas novas que muitos de nós anteviam: a Web 2.0 veio para ficar!

No survey “Building the Web 2.0 Enterprise”, fica clara a tendência das empresas para apostar nas ferramentas da Web 2.0, especialmente após um período de “experimentação controlada”, que permita a confirmação do “value for the money”. O crescimento do uso das ferramentas em empresas que as experimentaram no ano passado é simplesmente de 100%!

Esta atitude de experimentação controlada, tendencialmente prudencial, reflecte uma adequada gestão do risco operacional, mesmo na adopção de inovações. Nos tempos que correm, de acelerada mudança e generalizada incerteza, é uma abordagem de gestão poderosa e adequada, em que temos de ousar fazer diferente, experimentar, errar, mas sem cair nas precipitações optimistas que levaram ao estourar da bolha tecnológica no início do milénio.

Assim, a confirmação da validade do recurso à Web 2.0 numa abordagem deste tipo é particularmente robusta, uma vez que não se limita à adesão a mais uma moda.

De destacar a relevância assumida por blogs, wikis, RSSs e Podcasts, usados crescentemente nas empresas como:

  1. ferramentas de gestão da mudança
  2. ferramentas de gestão do conhecimento
  3. plataformas colaborativas entre empregados, mas também com clientes e fornecedores
  4. enablers da inovação
  5. potenciadores do estreitamento da relação com os clientes

É curioso constatar como as redes sociais ainda não foram alvo de tanta atenção e uso como as outras ferramentas da Web 2.0. Muito provavelmente, ainda não ficou claro o retorno que tal recurso pode gerar em termos de investimento. Espero que o exemplo do Star Tracker possa ajudar a perceber o “value for the money” deste tipo de ferramenta 🙂

Das principais barreiras à implementação das ferramentas Web 2.0, destaco as seguintes:

  • Falta de valor percebido (ROI) – o que reforça a minha suspeita sobre a ainda menor adesão às redes sociais…
  • Cultura organizacional pouco receptiva ao uso de tecnologias web 2.0;
  • Falta de incentivos à sua adopção por parte das empresas.

Estas barreiras confirmam que o ponto decisivo no salto para a Web 2.0 é conseguir colocar as organizações a experimentar, o que dá muito espaço de intervenção para quem tenha responsabilidades ao nível da gestão da mudança.

De destacar igualmente o forte sucesso dos blogs na região da Ásia-Pacífico e dos wikis na Índia, chegando mesmo a superar a relevância dos web-services. Tendo em conta o seu forte desenvolvimento tecnológico e económico, estas são tendências a que não podemos deixar de estar atentos.

Por fim um destaque para a constatação de que as tecnologias Web 2.0 aparecem como enablers de mudança:

  • ao nível da forma como as empresas comunicam com clientes e fornecedores;
  • ao nível da forma como captam e retêm talento nas organizações…

Tendo em conta que as duas únicas fontes de vantagem competitiva sustentável são a inovação permanente e a criação de relações de cumplicidade e confiança com os clientes, o contributo da web 2.0 parece ser incontornável.

Assim estejamos à altura do desafio…

Votos de boa leitura 🙂