Reflexões, Trends

A felicidade como motor do talento

Retomo hoje a escrita no Mentes Brilhantes aproveitando uma pausa entre comboios na Estação de Campanhã, hoje particularmente mais animada tendo em conta a renovação do título do FC Porto.

Aproveito este “mood” animado para falar de um tópico curiosamente pouco na moda nos dias de crise que vivemos: a felicidade.

Tenho trabalhado este tema nos últimos dois anos, ajudando pessoas e organizações a aumentarem o seu “rácio de felicidade” e a descobrirem novos sentidos para o que fazem na vida. Tem sido uma jornada apaixonante e motivadora, apesar de ser totalmente contra a “corrente negativista” que abala o nosso velho continente europeu e este cantinho à beira mar plantado em especial 🙂

Aquilo que a experiência me mostra é que está muito mais na mão de cada um de nós decidir o que fazer com o que a vida nos dá do que aquilo que incicialmente pensaríamos. Tenho visto isso acontecer com executivos, com equipas, com pessoas normais e mesmo até com pessoas muito próximas, em circunstâncias muito difíceis, para não lhes chamar extremas… e é impressionante o poder da vontade humana!

No seguimento desta minha reflexão, que já começou com o meu post “Gestão da Felicidade“, não quis deixar de partilhar convosco uma palestra brilhante, feita em 2009 pelo notável Vishen Lakhiani, CEO da MindValley, uma empresa em ascensão que é um modelo exemplar de como a felicidade pode ser usada como uma ferramenta para a produtividade.

Nesta (longa) palestra, que dura mais de 50 minutos, cada palavra é uma fonte de inspiração, valendo cada minuto de visionamento, pelo entusiasmo e lucidez com que Vishen nos conta a sua história e os resultados que atingiu.

O fundador do MindValley apresenta alguns conceitos novos, como o de flow:
Flow is the mental state of operation in which a person in an activity is fully immersed in a feeling of energized focus, full involvement, and success in the process of the activity.
Este conceito vem da psicologia positiva, e tem um apelo tão significativo e poderoso que hoje constitui um dos princípios fundacionais da minha própria empresa e da sua missão!
Vishen defende ainda que é preciso uma combinação entre ser feliz no presente e ter uma visão para o futuro. Seguindo este raciocínio, explica-nos que podemos encontrar-nos num de quatro estádios, a saber:
  1. infelicidade no presente & sem visão para o futuro: o mais negativo, em que a pessoa está perdida e deprimida;
  2. felicidade no presente & sem visão para o futuro: o estado de felicidade transitória, pouco sustentável, sem profundidade;
  3. infelicidade no presente & visão para o futuro: stress do presente, típico de um escravo do status quo;
  4. felicidade no presente & visão para o futuro: estado de total rendimento e energização;
Escusado será perguntar-vos qual o estádio que ele procura que os seus colaboradores vivam, certo? 😉 Esta definição destes quatro estádios faz-me lembrar outra autora que muito admiro, e que é arauta da disciplina do pensamento olímpico, que é a Marilyn King. Se não a conhecem, não deixem de espreitar o site 🙂
Vishen dá-nos ainda 10 recomendações práticas para aumentar a felicidade nas nossas organizações, retiradas directamente da sua experiência na MindValley:
  1. Agradecer diariamente: na MindValley, criaram uma página no site para agradecerem uns aos outros as ajudas que recebem (alargando o conceito a clientes, inclusivé!);
  2. Celebrar o que correu bem: ponto obrigatório nas agendas das reuniões, para celebrar os sucessos e as conquistas e as realizações;
  3. Partilhar os lucros com os colaboradores numa base mensal: como forma de criar comprometimento sustentado, por oposição à “febre dos resultados de curto prazo”, gerada pelas stock options;
  4. Sweet sugar love machine“: software que permite a oferta de pequenas prendas aos colegas e pares, como forma de fomentar o apreço entre colegas;
  5. Regra – 45/5: não se trabalha mais de 45 horas por semana, sendo que 5 dessas horas deve ser investida em aprendizagem e estudo (dentro ou fora da empresa);
  6. Partilha de conhecimento: criaram uma plataforma de partilha de conhecimento que permite que cada colaborador ensine alguma coisa aos outros colegas;
  7. Meditação em grupo – criaram o hábito de meditar em grupo regularmente, como forma de reflectir sobre o futuro e visualizar o mesmo, mantendo a cabeça “limpa”, serena e focada;
  8. Patrocínio do “fun” na comunidade – a MindValley patrocina festas da cidade, como o Halloween, procurando praticar para fora aquilo que é praticado para dentro, conseguindo atrair talento inesperado para a empresa pela forma “cool” como funciona e interage com o meio envolvente;
  9. Stamina positiva” – como explica Vishen, a disseminação de pensamentos positivos na abordagem dos problemas potencia a aprendizagem, dando enfoque à solução em vez de dar enfoque ao erro;
  10. Fomentar experiências e conexões – desenvolver um network activo e vivo, que enriqueça as pessoas. A ideia é aumentar o grau de exposição dos colaboradores a mentes brilhantes, que possam ajudar as pessoas a crescer.

Termino deixando para vosso deleite o vídeo da palestra do Vishen. Enjoy it! 😉

Factos, Trends

Obrigado a todos!

Surge este post para celebrar uma marca especial na vida do Mentes Brilhantes: após quase 3 anos de existência, este blog passou a marca das 100.000 visitas! 🙂

Tendo em conta a vida atribulada que levo e a irregularidade com que me posso dedicar à escrita, é com muito orgulho que vejo o fruto desta minha “carolice”, que se deve apenas a um público generoso e fiel, que partilha comigo esta paixão pelas pessoas e pelo talento 😉

Por isso, meus amigos: a todos o  meu sentido OBRIGADO!

Resta-me retribuir continuando a escrever, de preferência com mais regularidade, mas sempre com a mesma paixão!

Para vós, deixo um dos meus vídeos preferidos (em versão actualizadíssima!) que foca os temas das pessoas e do talento, bem como da Web 2.0 num tempo de mudança exponencial. Chama-se “Did You Know?”.

Enjoy it!

Factos

O Mentes Brilhantes faz hoje um ano!

mentesPois é: e num instante se passou um ano! O Mentes Brilhantes sopra hoje a vela do seu primeiro aniversário, com a alegria de ter sido neste primeiro ano uma aventura emocionante e uma agradável surpresa.

Aquilo que começou como uma pequena brincadeira nascida no meio de uma workshop sobre Web 2.0, passou de umas modestas 26 visitas por mês para umas surpreendentes 3000 visitas mensais. Confesso que nunca esperei que este blog ganhasse a popularidade que ganhou. Começou por ser um sítio onde fazia algo que gostava (escrever) sobre um tema que gostava (talento). Era pois juntar o útil ao agradável.

Da mera fruição intelectual inicial, o propósito do Mentes Brilhantes evoluiu para algo mais sério e responsável: o prazer e a responsabilidade de corresponder às expectativas dos mais de 100 leitores diários que nos acompanham. Mais sério, certamente, mas sempre divertido!

A todos os que me encorajaram a levar por diante este projecto, o meu sentido obrigado 🙂 A todos os que me lêm e me têm estimulado com os seus comentários e desafios, o meu profundo agradecimento!

Espero continuar a ser merecedor da vossa confiança e preferência.

Vamos-nos vendo por aqui 😉

Reflexões

Mentes brilhantes… e porque não?

O blog Mentes Brilhantes surge duma aula sobre Web 2.0 que frequentei, em que aprendi a mexer com esta ferramenta fantástica, que nos torna “reais” no mundo digital.

Uma das questões centrais que se coloca à partida é: porquê fazer um blog? Temos alguma coisa para dizer? Pois bem, surge aí a ideia do Mentes Brilhantes: um blog sobre Talento, dedicado a pessoas intelectualmente “irrequietas”, curiosas, empreendedoras, que acham que têm algo a dizer ao mundo e aos seus pares (outras mentes brilhantes que por aí andem).

Lanço este blog não porque me considere necessariamente um talento, mas sim porque a minha profissão passa pela Gestão do Talento. A minha obsessão diária é descobrir pessoas com talento, trazê-las para dentro da minha organização e criar condições para que as mesmas decidam colocar esse talento ao serviço de todos nós, todos os dias.

Naturalmente que desse caminho diário que vou fazendo surgirão muitas reflexões, muitas coisas para dizer e partilhar, pelo que conto ir recebendo vários comentários e contributos, que certamente crescerão ao longo do tempo.

“Partilha” é aliás uma palavra essencial quando falamos de talento. O talento, sendo um activo de grande valor e não necessariamente abundante, precisa de ser alimentado e cuidado, como se de um bonsai se tratasse. Não porque seja frágil ou o queiramos moldar à nossa imagem, mas porque necessita da nossa dedicação e atenção permanentes.

E porquê? Porque o talento brilha, e brilha para lá de todas as capas ou muros que queiramos erguer. E esse brilho chama as atenções. As atenções da concorrência, que nos tentará capturar esse talento, mas também de outros talentos, que quererão saber porque é que na nossa organização as pessoas podem brilhar.

Isto implica pois que tomemos consciência de que o talento saudável atrai mais talento. E para o talento ser saudável tem de partilhar, tem de colaborar, tem de interagir com outras mentes brilhantes que o mantenham sempre estimulado, sempre inquieto, sempre a pulsar por novos desafios.

Este é o meu desafio diário. Sobre ele irei partilhando as minhas reflexões e aprendizagens. Conto com a vossa participação.