Reflexões, Trends

O Valor das Pessoas

Surge este post devido a um estudo muito interessante que surgiu no passado mês de Julho, feito pelo Boston Consulting Group, intitulado From Capability to Profitability: Realizing the Value of People Management.

A BCG, em parceria com a World Federation of People Management Association (WFPMA), entrevistou 4.288 executivos em 102 países sobre a capacidade das suas empresas sobre 22 áreas diferentes de actuação dos recursos humanos. Os entrevistados também foram convidados a prestar informações sobre o seu crescimento de receita e margem de lucro e respectiva evolução em relação aos anos anteriores.

Os resultados encontrados foram extremamente elucidativos: encontraram uma correlação positiva entre a capacidade ao nível dos RH e o desempenho empresarial em 21 das 22 áreas estudadas! Isto significa que as empresas que relataram uma “muito alta” capacidade nessas áreas obtiveram um crescimento de receita significativamente maior e margens de lucro mais elevadas do que as empresas que relataram uma capacidade “baixa” nessas mesmas áreas.

Uma das conclusões que podemos tirar de uma correlação tão bem distribuída pelos diversos factores estudados é que as empresas com práticas de gestão de pessoas mais integradas e coerentes acabam por revelar-se os maiores beneficiários da criação de valor através do capital humano, ou seja, a coerência e genuinidade acabam por compensar. Sobre este tópico, já tinha escrito no meu post Genuinidade Empresarial 😉

Dos 22 aspectos analisados, alguns destacaram-se pela positiva:

 Gestão de Talentos

Empresas capazes de recrutar, contratar e integrar novos talentos de forma eficaz e profissional, experimentam um crescimento da receita 3,5 vezes superior ao das empresas que relataram ser menos capazes nesta área. Conclusão: há que diversificar a base de talentos das organizações e atrair talentos de nível world class. Sobre este tópico já tinha dado nota no meu post sobre Talento nos Mercados Emergentes

Desenvolvimento da Liderança

Empresas fortes no desenvolvimento de lideranças eficazes e apostadas no desenvolvimento das pessoas conseguem  um crescimento da receita superior em 2,1 vezes! Conclusão: há que desenvolver objectivos de liderança robustos, actividades de desenvolvimento de talentos com envolvimento dos líderes de equipas, e promover a gestão com base no desenvolvimento de competências das suas pessoas. A isto chama-se ser um multiplier leader, como referi no meu post sobre Talento Residente 😉

Gestão de Desempenho e Recompensas

Empresas capazes na gestão do desempenho tendem a ter duas vezes a margem de lucro média de empresas que relataram ser menos capazes nesta área… Conclusão: há que ter orientações claras sobre o que é ou não valorizado pela empresa, e as recompensas respectivas para o desempenho exemplar, que é o melhor preditor de sucesso do empregado. Sobre este tema podem consultar o meu post sobre Meritocracia 🙂

Recomendo vivamente a leitura integral, bem como este vídeo do prf. Jeffrey Pfeffer sobre a gestão do talento. Enjoy it!  😉

 

Eventos, Reflexões, Trends

Back to basics…

Este meu post surge da minha passagem pelo Fórum Mundial de Alta Performance, que decorreu ontem e hoje no Centro de Congressos de Lisboa.

Foi uma experiência fantástica, com oradores excepcionais. 

Um deles é alguém cujo trabalho acompanho há vários anos: o Professor Jeffrey Pfeffer, da Universidade de Stanford, que desde há muito vem dedicando o seu tempo a estudar as organizações que são lucrativas e prósperas de forma sustentável ao longo de décadas.

Um dos seus livros mais interessantes chama-se “Hidden Value” (já aqui o recomendei), em que demonstra que um dos denominadores comuns de empresas rentáveis e duradouras é a sua genuinidade empresarial.

O seu trabalho tem vindo a quebrar alguns mitos das modas recentes da gestão, como o downsizing. Na verdade, ontem o seu discurso mais uma vez realçou dados surpreendentes revelados pelos seus mais recentes estudos:

 

  • as empresas mais rentáveis não são necessariamente as maiores;
  • as fusões geralmente destroem valor;
  • os downsizings geralmente provocam anorexia organizacional (perda de core competencies e knowledge)
  • reduções de custos com pessoal destroem o commitment;
  • incentivos apenas aos resultados (sem ter em conta competências e valores) podem incentivar gestões danosas;
  • o commitment tem de ser recíproco (empresa-pessoas) e sem ele não há competitividade.

Não estando o seu discurso de ontem ainda disponível na Net, deixo-vos todavia um vídeo sobre um dos seus livros, bastante ilustrativo das pricipais mensagens que deixou, e que ilustra o essencial: que no que toca a gerir o talento, importa antes de mais fazer um exercício de back to basics! 

Enjoy it & keep it simple 😉