Recomendações, Reflexões

Metáfora – arte ou moda?

metaphor-illustrationLi hoje um artigo de opinião absolutamente delicioso no Semanário Económico, da autoria da Lucy Kellaway, intitulado “As metáforas no mundo da gestão.

Recomendo vivamente a leitura deste artigo, uma vez que o mesmo demonstra, de forma divertida mas muito acutilante, como o recurso à metáfora, enquanto instrumento de comunicação, se pode tornar absolutamente ridículo, quando se limita a ser usado como fenómeno de moda.

Na verdade, o uso de metáforas disparatadas na literatura de gestão é um exemplo típico de um instrumento que se tornou um fim em si mesmo.

Alguns pretensos gurus da gestão perceberam que quanto mais sensacionalista for o seu discurso mais tendem a vender . Vejam o exemplo do Tom Peters, que gosto imenso de ler mas que não se priva de disparatar amiúde, se isso lhe render mais uns dólares 😉

Seguindo esta lógica, recorreram a todos os meios para “colorir” o seu discurso, sendo que um deles foi o recurso à metáfora. Como a Lucy Kellaway bem nos recorda, o recurso a uma metáfora deve facilitar o processo de comunicação, simplificando ideias e tornando mais fácil a sua compreensão.

Ora, aquilo que ela demonstra de forma tão divertida, é que o recurso indiscriminado à metáfora leva a construções tão floreadas e barrocas do ponto de vista comunicacional que acabam por tornar a ideia absolutamente incompreensível!

… o que mais me gera perplexidade todavia é que isto não significa que estes adulteradores do uso da metáfora vendam menos… o que diz muito sobre a verdadeira literacia dos leitores de livros de gestão.

Estou todavia convicto que, a prazo, o aumento dessa mesma literacia levará ao subir dos standards de exigência dos leitores, desvalorizando esta linha de escrita e preferindo quem usa bem a arte de comunicar, recorrendo de forma adequada à metáfora, bem como a outros recursos comunicativos, como o storytelling.

Divirtam-se com a leitura do artigo da Lucy Kellaway e façam favor de bem usar a arte da metáfora 🙂

Recomendações, Trends

Roots of resilience: capitalismo criativo e ambiente

wrr_smUma breve nota para um post em que tropecei, intitulado “World resources 2008: roots of resilience – growing the wealth of the poor”.

Neste post é dado destaque ao World Resources Report 2008, do World Resources Institute, que foca a relação de interdependência existente entre a pobreza e a defesa do meio ambiente.

O desenvolvimento de resiliência económica, social e ambiental é defendida por via da criação de um novo tipo de empresas, orientadas para a defesa do meio ambiente, para a criação de prosperidade para os mais pobres e para a defesa do bom uso dos recursos locais, como agentes de mudança económica e social.

Esta via de transformação implica:

  • o ownership da gestão destas empresas por parte de membros das classes mais pobres (parte interessada na sua prosperidade e na boa gestão dos recursos locais);
  • a necessidade destas empresas terem a capacidade instalada de gerar negócios baseados na natureza e na defesa do meio ambiente, sendo todavia rentáveis;
  • o desenvolvimento de uma network entre empresas e stakeholders, comprometidos na defesa do meio ambiente como enabler da sua prosperidade

Esta nova perspectiva ganha grande complementaridade com as temáticas do capitalismo criativo e do microcrédito que já apresentei neste blog.

Novas tendências para o futuro, certamente…

Votos de boa leitura 🙂

Recomendações

A arte da implementação

A Harvard Business School publicou no passado mês de Agosto uma entrevista com Robert Kaplan, um dos autores do famoso Balanced Scorecard.

A entrevista, sob o título “Strategy Execution and the Balanced Scorecard”, centra-se no seu mais recente livro – The Execution Premium – que aborda aquilo que eu chamo a arte da implementação.

Esta arte, que tenho vindo a aprender nos últimos anos de actividade executiva, é talvez uma das actividades mais difíceis no dia-a-dia dos gestores.

Porquê?, Porque, tal como Kaplan tão bem enfatiza, é muito fácil os gestores perderem-se naquilo a que ele tão bem chama “fighting fires” – a nossa tão portuguesa actividade de apagar fogos!

Do que estamos a falar? Daquilo que foquei no meu anterior post – O Efeito Laplace – ou seja, o imediatismo, o curto prazo, a gestão do dia-a-dia, perdendo o focus na estratégia que nos deveria guiar.

Como se desenvolve a arte da implementação? Através de algumas regras básicas:

  • separar os momentos de planeamento estratégico dos momentos de gestão operacional;
  • criar hábitos regulares de monitorização da estratégia;
  • gerir de forma integrada a estratégia, o orçamento e o plano de acções;
  • criar transacções executivas periódicas de planeamento, decisão, implementação e controlo da estratégia.
O livro The Execution Premium dá ainda variados exemplos de desenho de transacções executivas, de frameworks de trabalho e outras ferramentas práticas de aplicação no quotidiano dos gestores. Uma leitura a não perder!
Reflexões

Primus Inter Pares: como escolher (mal) um líder

Este post ocorreu-me ao ler um excelente resumo de um artigo da Harvard Business Review, chamado Are You Picking the Right Leaders?”, gentilmente disponibilizado pelo blog Lugar do Conhecimento.

Este artigo foca o problema recorrente em muitas organizações, e que está ligado à gestão das sucessões. A escolha de um novo líder é muitas vezes feita sem critério, ou com recurso a uma framework de análise pouco rica e rigorosa.

Em muitos casos, o novo líder é escolhido pelo facto de ser parecido com o líder anterior ou superior (o que decide a sucessão), caindo-se no erro de acreditar que se a pessoa imitar o estilo do líder de referência, as coisas vão correr bem. Pois bem, não vão: as pessoas são singulares, únicas e irrepetíveis, e o que funciona bem com uma pode não funcionar com outra!

Outro erro, esse muito comum nas organizações inspiradas no modelo latino de gestão (ver o meu artigo “A Pesada Herança de Roma”), é aquilo que eu chamo o critério Primus Inter Pares.

Este latinismo, que significa “primeiro entre iguais” (quem não se lembra de ver isto escrito nos selos dos maços de SG, há uns anos atrás?), simboliza claramente o critério para escolha de um novo chefe no seio da equipa: tradicionalmente, o critério adoptado é escolher o melhor dos executantes.

Qual o racional que está por detrás deste critério? Simples: se aquela pessoa se destaca das outras por ser a referência na execução das tarefas da equipa, então é naturalmente respeitada, vai ser naturalmente aceite como chefe e tem de ser recompensada (o que se faz através da promoção a chefe, a única evolução nas organizações estruturadas em função das relações de poder).

Ora bem, ao fazermos (apenas) isto, estamos a dar um tiro no escuro, que, em muitos casos, resulta no fantástico efeito de perdermos o nosso melhor executante para ganharmos um mau chefe!

Porque é que isto acontece? Porque a base de competências em que assenta cada um destes papéis é naturalmente diferente: o melhor executante tem de se destacar pelo seu portfolio de competências técnicas, enquanto que o chefe tem de se destacar pelo seu domínio das competências de gestão e de relação.

Isto implica pois preparação: temos de largar mão das nossas competências antigas (o que custa, pois foram a base do nosso sucesso passado) para conseguirmos desenvolver competências novas.

Se isto não for feito, a base da autoridade informal (respeito), que no bom executante era alavancada nas suas competências técnicas, não passa a ser sustentada pelas novas competências de gestão. Ora aí a reacção natural é o recém-nomeado chefe recuar para a sua zona de conforto, procurando alavancar a sua autoridade nas suas competências passadas (técnicas), tornando-se no típico “chefe metediço”, que acha que tem de controlar tudo, que tem de interferir em tudo, que sabe mais de tudo que os outros.

E isto é o oposto do que queremos quando procuramos os melhores talentos para os lugares críticos da organização.

Duas regras a não esquecer:

a) nem todos os lugares críticos são de chefia (nada se faz sem as equipas);

b) os talentos não nascem connosco (o seu potencial tem de ser desenvolvido em acção).

O resumo apresenta ainda um conjunto de falsos mitos sobre a liderança, que são um excelente “mind snack”.

Boa leitura!

Reflexões, Trends

Game-changing strategies: a chave do sucesso é ser diferente

Chega-me hoje da London Business School uma leitura extremamente interessante, do Professor Costas Markides, chamada “Game-changing strategies”.

Este paper é de extremo interesse, pois sendo um tema de estratégia e de gestão geral, vem todavia confirmar a pertinência da busca por talentos, de que se fala neste blog.

Neste paper, o Professor Markides confirma que os pequenos players são muito pouco eficazes na conquista de mercado aos concorrentes já instalados. Estudos confirmam que um líder de mercado tem cerca de 96% de hipóteses de se manter líder de mercado, o que é quase uma certeza.

Todavia, algumas pequenas startups contrariaram de forma inquestionável esta tendência, afirmando-se como líderes do seu mercado pouco tempo depois. Exemplos: IKEA, Canon, K-Mart, Starbucks ou Amazon, entre dezenas de outros.

O que explica o segredo do seu sucesso? Simples: em vez de atacarem directamente os seus oponentes, tentando ser melhor do que eles, estes player atreveram-se a ser diferentes.

Em vez de imitarem os líderes, jogando o jogo no seu tabuleiro e com as suas regras, estas startups quebraram as regras do jogo, inovaram, fizeram propostas de valor divergentes, criando um business model diferenciado e redefiniram o próprio mercado em que operavam!

Esta é uma grande lição para empreendedores e gestores de talento, e que se resume num lema, bandeira da Apple: THINK DIFFERENT!

Pois é: e a inovação derivada do pensamento divergente é uma característica fundamental dos talentos que procuramos. Assim os saibamos encontrar…

Boa procura!

Recomendações

Os Melhores Livros de Gestão

Hoje recomendo o blog de um amigo de longa data: o Phillipe Geyr, actual representante em Portugal da London Business School.

O seu blog dedica-se a divulgar Os Melhores Livros de Gestão (na opinião do Phillipe, claro).

Tive oportunidade de espreitar e recomendo vivamente: as suas sugestões são muito interessantes e pertinentes, apresentando excelentes sinopses das obras referenciadas, o que nos desperta o apetite para sua leitura.

Não deixem de visitar!