Factos, Recomendações, Reflexões, Trends

Portugal faz irrevogavelmente bem – parte 5

shapeimage_1Enquanto continua a nossa silly season, em que Portugal se torna cada vez mais inovadoramente belga, provando-se que o país funciona ainda assim sem governo, eu cá vou continuando a minha demanda por bons exemplos nacionais.

Hoje quero falar-vos do Ricardo Sousa, um jovem extraordinariamente talentoso que, aos 14 anos, criou uma plataforma online de partilha de textos – a Textos & Companhia. Esta plataforma transformou-se num sucesso, com a adesão de mais de 2000 autores, e foi o pontapé de saída para uma caminhada cheia de sucessos.

O Ricardo decidiu aprender a programar sozinho, e três anos depois organizava uma conferência internacional para empreendedores tecnológicos – a SWITCH Conference. Assim, aos 17 anos, estava a gerir um evento com um orçamento de 25.000 euros!

Hoje, com 21 anos, é fundador e CEO da ColorElephant, uma empresa de serviços de marketing e webdesign que trabalha para a BMW e para a Microsoft.

Parabéns Ricardo, por nos inspirares a sonhar com um futuro melhor. Construí-lo depende apenas da nossa vontade…

Deixo-vos com uma intervenção do Ricardo na conferência TEDx Atenas. Um portento! Enjoy it 😉

Eventos, Factos, Trends

Portugal é colossalmente impecável – parte 2

Bandeira Portugal 4Ora aqui se segue um novo post no âmbito da minha campanha para destacar o que de meritório é feito em Portugal ou por portugueses. Só para ver se a nossa auto-estima sobe um bocadinho, ok?

Hoje quero falar-vos do António dos Santos Nunes, que foi capa do Caderno de Economia do Expresso. O António tem 24 anos e já pisou os quatro cantos do mundo. Foi aluno de licenciatura na Católica e fez Erasmus em Copenhaga. Fundou já uma ONG em Moçambique e já trabalhou numa grande consultora – a McKinsey.

Todavia, largou a McKinsey para criar empresas ligadas ao e-commerce. “Aprendi umas coisas, mas criar empresas era o meu sonho…” diz António. Um percurso empreendedor, pois com certeza!

Hoje está no México a gerir a Linio, uma gigantesca “Amazon” para a América latina. Antes, lançou um portal de retalho de Moda na Austrália – The Iconic – e lançou a marca Zalora no Sudeste Asiático.

Será este um dos mais de 40.000 jovens que decidiram emigrar só nos últimos seis meses?

Factos, Recomendações, Trends

Empreendedores em Rede

Acabei de descobrir um blog muito interessante, chamado “Empreendedores em Rede“.

Este blog tem como objectivo apoiar o empreendedorismo, seja através de notícias sobre empreendedorismo, seja atrvés da criação de uma rede de partilha de inteligência social através do Facebook.

Este blog, nas palavras dos seus dinamizadores,  “Abre novos caminhos, explora novos conhecimentos, define objectivos e dá o primeiro passo. O conceito do Empreendedores em Rede assenta na ideia de um espaço agregador de informação em temas de gestão, inovação, criatividade e liderança.”
 
A não perder! Enjoy it 😉
Desafios, Recomendações, Reflexões

Negativismo: o cancro que nos consome

Surge este post da leitura de um breve mas inspirador artigo de opinião do Carlos Coelho no ionline, intitulado “Acordar as marcas de Portugal“.

O artigo é um apelo a que todos nós deixemos de olhar o país de forma negativa, criando assim as pré-condições essenciais para fazer da marca Portugal uma marca apelativa e percepcionada como de elevado valor acrescentado.

Além de ser um apelo cheio de bom-senso, muito apropriado aos momentos que vivemos, a verdade é que o Carlos nos relembra que em grande parte o fraco valor deste país deriva da falta de atenção (nem reparamos nas coisas boas que temos) ou da falta de criatividade (não gastamos um minuto a pensar como tirar mais valor daquilo que temos para oferecer) ou ainda da falta de empreendedorismo (temos um medo do risco que nos pelamos e não trocamos o certo – mesmo que medíocre – pelo incerto – mesmo que com grande potencial!!!).

A lição assim torna-se simples e poderosamente clara:

  1. temos de caminhar de olhos abertos, atentos às oportunidades;
  2. temos de ter a mente aberta a novas ideias e formas de fazer as coisas, atrevendo-nos a “pensar fora do quadrado“;
  3. temos de ter a coragem de arriscar e desbravar novos caminhos, com um mindset de empresário e não de funcionário.

Obrigado Carlos, por nos recordares isto 🙂

Todavia, há uma outra dimensão que vale a pena ter em conta: no artigo do Carlos Coelho, podemos ler alguns comentários, do qual destaco um particularmente azedo, que, redigido de forma ofensiva e malcriada, deita abaixo o artigo de forma perfeitamente negativista e ausente de argumentação!

Este comentário reflecte, na minha opinião, um cancro que nos consome enquanto povo e enquanto nação: o negativismo!

E o que é o negativismo?

  • É o nosso pior lado, traduzido na propensão para a crítica gratuita e infundada, apenas porque é mais fácil dizer mal do que pensar nos assuntos e debatê-los com elevação e informação;
  • É a expressão da mediocridade vigente, que nos faz dizer mal dos alvos fáceis (políticos, empresários, polícias e genericamente toda a gente que ganha mais do que nós, tem mais estatuto do que nós ou tem alguma espécie de mérito!);
  • É a expressão da inveja e da pequenez intelectual, resultado de um país de “pobrezinhos mas honrados”, directos herdeiros de 50 anos de ignorância, iliteracia e ditadura!

É certo que a herança cultural é pesada (cf. o meu artigo “A Pesada Herança de Roma“), mas isso não é desculpa para teimarmos nesta atitude!

A todos os que partilham esta atitude recomendo: façam o favor de trabalhar e fazer pela vida! Façam o favor de gastar menos energia a dizer mal e comecem a procurar ter algum tipo de mérito!

Experimentem abrir uma empresa e assumir a responsabilidade de criar emprego e pagar salários: vão ver que deixam de ter tempo para gerar tanto fel e passam a ter uma vida mais útil e positiva!

Sugiro aos negativistas pululantes que espreitem este post sobre o José Mourinho: isto ilustra bem como deveríamos aspirar a ser, em vez de dizer mal do homem 🙂 !!!

Votos de boa reflexão!

Desafios, Factos, Reflexões

Mudar de Vida – parte 2

356x237_Entrepreneurship-byDegreesO Mentes Brilhantes tem estado menos agitado nos últimos tempos, fruto da minha mudança de vida mais recente.

Após um trimestre sabático, em que me dediquei exclusivamente à actividade docente, resolvi finalmente regressar ao mundo das organizações, desta feita vestindo o papel do empreendedor.

É de facto completamente diferente quando temos de olhar para a gestão de um negócio na sua globalidade. A pressão para obter resultados deriva da responsabilidade que temos relativamente aos nossos empregados (e suas respectivas famílias). Esta pressão para os resultados convive com a pressão para entregar serviços de elevada qualidade, pela responsabilidade que temos para com os nossos clientes (razão de ser da nossa existência).

Este leque de responsabilidades e preocupações muda profundamente o nosso mindset (para melhor), aumentando a nossa percepção do que temos de fazer e levando-nos muitas vezes a descobrir o que somos capazes de verdadeiramente fazer (e muitas vezes nem sonhávamos). E este ímpeto superador é algo de extremamente valioso…

O desafio da Alter Via levou-me assim a descobrir coisas que nem sabia sobre mim próprio, como por exemplo o gosto que tenho pela actividade comercial e pela gestão dos negócios. O sentido que esta actividade hoje faz na minha vida é uma agradável surpresa, confirmando que, finalmente, faço aquilo que gosto, em vez de gostar daquilo que faço (e isto faz toda a diferença…).

Por outro lado, esta experiência confirma tudo o que tenho vindo a escrever sobre a gestão do talento neste blog: a equipa da Alter Via é um verdadeiro exemplo de elevada produtividade num ambiente de partilha, numa lógica de economia de abundância, por contraponto a uma lógica de economia de escassez.

A generosidade e abertura com que todos os elementos da equipa partilham conhecimento, aprendem uns com os outros e potenciam as sinergias resultantes da combinação dos seus diversos talentos são um exemplo refrescante de como podemos ser competitivos no mercado sem que tenhamos de estar eternamente a combater num “red ocean”, seja externo, seja interno – cf. o meu post sobre estratégias blue ocean.

Esteja em Lisboa, no Porto ou em Luanda, sei que a equipa da Alter Via lá está, a velar para que o barco chegue a bom porto, num trabalho em equipa ímpar, em que a alegria de atingirmos as nossas metas se sobrepõe à necessidade de afirmação de qualquer ego individual.

Valeu a pena mudar de vida.

Não porque me arrependa do que fiz ou vivi: cada segundo valeu a pena e foi fundamental para estar hoje onde estou!

Mas valeu a pena fundamentalmente porque a opção que fiz se revelou acertada, e justificou o risco de, em plena crise, o meu destino passar a depender apenas de mim em vez de continuar a depender de um “emprego” clássico.

É menos seguro e confortável? Sim. É mais recompensador? Sem dúvida!

Pode vir a correr mal? Talvez… mas isso está acima de tudo nas minhas mãos… e há que olhar o futuro com confiança 🙂 !

Espero que este testemunho possa inspirar ou encorajar outros potenciais empreendedores.

À equipa da Alter Via, o meu sincero obrigado 😀 !!!

Deixo-vos com dois pequenos vídeos do Tom Peters sobre empreendedorismo.

Enjoy it 😉 !

 

Reflexões

Microcrédito: afinal, onde estão os empreendedores?

Apesar de estar de férias, não consigo deixar, nem por quinze dias, a minha fiel “tribo” de leitores 🙂!

Assim, aqui vai mais um post, enviado directamente das quentes areias da praia da Comporta, suavemente acariciadas pelas frescas águas do nosso amado Atlântico… (Agradeçam a imagem ao João Leitão 😉 )

O post de hoje resulta de uma notícia que acabei de ler no Semanário Económico: ao fim de dez anos, já foram concedidos em Portugal mais de quatro milhões de euros de empréstimos em microcrédito!

Para quem não conheça o fenómeno, o microcrédito surge no Bangladesh, através da ideia de um visionário, hoje Prémio Nobel, de nome Muhammad Yunus. Para Yunus, era claro que muitas pessoas que estavam no limiar da probreza no seu país poderiam mudar substancialmente a sua vida se, através de um pequeno empréstimo, pudessem começar o seu próprio negócio.

Todavia, o grande problema que estas pessoas enfrentavam era o modelo de concessão de crédito tradicional, em que os bancos basicamente só emprestam dinheiro a quem já o tem em quantidade suficiente para garantir o pagamento das respectivas prestações.

Neste modelo, baseado num modelo económico de escassez e desconfiança, o empreendedorismo tem de andar a par da detenção de capital, ou então fica excluído.

E foi precisamente um modelo inclusivo aquele que Muhammad Yunus criou: um modelo baseado na confiança como motor de abundância e desenvolvimento económico.

Assim nasceu o microcrédito. Um modelo de concessão de pequenos empréstimos (no Bangladesh o empréstimo médio rondará os 150 dólares, aqui em Portugal não pode ultrapassar os 1500 euros), em que há uma apreciação cuidadosa do pedido, mas sem os critérios de exclusão tradicionais nem as asfixiantes condições de garantia habituais. Com este modelo nasceu o Grameen Bank no Bangladesh, vocacionado para o microcrédito, e que já tirou da miséria milhares de pessoas.

Em Portugal, o projecto do microcrédito, dinamizado pela Associação Nacional do Direito ao Crédito e pelo Millennium bcp, já permitiu criar 1341 postos de trabalho, apresentando uma taxa de sucesso de quase 85%!

Este é um dos factos mais notáveis: quem recebe crédito é bem sucedido na maioria dos casos, e é muito melhor pagador das suas dívidas que o cliente normal de crédito!

E porquê? Apesar de não haver estudos sobre o assunto, estou certo que a razão por detrás deste sucesso tem a ver com o sentido dos projectos. O que quero eu dizer com isto? Que o financiamento é feito para pessoas que acreditam num projecto, que valorizam a ajuda recebida, que por sua vez constitui fonte atribuidora de sentido para a sua vida.

E isto, na minha opinião, é um enabler fortíssimo da conduta moral dos indivíduos, bem como do commitment que colocam no que fazem. E tudo isto se consegue porque alguém acreditou neles…

Deixo neste post algumas reflexões e questões:

  1. Será a economia da abundância, baseada na confiança, a alternativa para o modelo económico actual?
  2. O espírito empreendedor não dependerá muitas vezes da força com que a vida questiona as nossas pequenas verdades, feitas para nos dar o conforto de acreditarmos que estamos bem se continuarmos na mesma?
  3. O talento e o empreendedorismo estão muitas vezes onde menos se espera, e não dependem nem da educação nem do capital (vejam os exemplos tocantes do Miguel Pinho, da Ana Maia e do Renato Luís no Semanário Económico desta semana!)

Termino com o exemplo inspirador de Muhammad Yunus, que descreve, da forma apaixonada e tocante a que já nos habituou, o projecto da sua vida; o microcrédito.

Enjoy it 🙂!