Reflexões

Crónicas de Tempos Impossíveis I

2017004802O Mentes Brilhantes esteve parado nos últimos três meses, em grande parte devido aos tempos impossíveis que vivemos, e que tanto tempo me consomem…

Seguramente que 2012 deve ter sido o ano mais difícil de sempre para qualquer português vivo. Não vale a pena discorrer sobre as peripécias e dificuldades de 2012: basta ler os jornais ou andar pela rua para percebermos o que foi 2012 e o que será 2013. Prefiro pois falar dos ensinamentos que tirei deste ano.

Os anos difíceis são anos seguramente reveladores, pois é nos momentos de adversidade que as pessoas verdadeiramente se revelam. Foi por isso um ano muito proveitoso, em que tive oportunidade de:

  • ter agradáveis surpresas com muita gente que se revelou de grande honestidade, rectidão, solidariedade e espírito de sacrifício, mostrando de que fibra se fazem os verdadeiros lutadores, “heróis anónimos” desta sociedade em que vivemos;
  • ter surpresas menos agradáveis, com pessoas que eram para mim uma referência de vida mas que se revelaram muito abaixo das minhas expectativas (especialmente no campo dos valores morais);
  • desenvolver um enorme respeito por colaboradores que infelizmente tive de dispensar, e que geriram esse momento com enorme dignidade e elegância;
  • desenvolver uma intolerância visceral por gente que só sabe falar de direitos e jamais abre a boca para falar de deveres. Gente que cultiva uma postura de total improdutividade, destruindo valor sem qualquer peso na consciência. Uns por preguiça, outros por incompetência, mas todos encontrando sempre uma justificação externa a si mesmos para não produzirem e irem vivendo à conta de quem trabalha e é produtivo. Para esses, a minha tolerância é zero!
  • desenvolver as minhas skills de negociação até ao limite: nada como tempos difíceis para aguçar as nossas competências mais críticas 😉
  • desenvolver ainda mais a resiliência: aprendi (ou melhor, recordei) que mesmo nos momentos mais difíceis há sempre uma porta que se abre ou alguém que nos ajuda a fazer a caminhada…
  • ganhar um enorme respeito e admiração (se é que pode ser maior do que aquele que já tinha) pela minha mana, cunhado e sobrinha, que enfrentam com valentia tempos verdadeiramente impossíveis (eles sabem do que falo);

Por muito difíceis que sejam os tempos, há sempre coisas boas que acontecem e que nos fazem achar que valeu mesmo a pena. Evoco aqui algumas delas, sob pena do resumo ser algo injusto, porque incompleto:

  • Foi o ano em que nasceu a minha sobrinha Bea e o meu primo Francisco (o renovar das gerações é sempre um momento de genuína alegria 🙂  );
  • Foi também o ano em que a Diana se juntou ao Sebastião e à Constança (sim, estou a falar dos meus gatos!);
  • Foi o ano em que decidi retomar o meu doutoramento em força (Deus, dai-me forças para acabar isto até Abril!);
  • Foi o ano em que dei algumas das minhas melhores aulas de sempre (aos meus alunos, o meu sentido obrigado 🙂  );
  • 604071_434678983248599_52663879_nFoi o ano em que finalmente saiu o meu segundo livro – Equipas de Alto Rendimento – , cujo lançamento me fez ver os muitos amigos que tenho (mesmo que esteja anos sem os rever);
  • Foi o ano em que a minha Ana fez uma certificação cuja sigla nunca recordo, mas que é um verdadeiro atestado da sua enorme competência 🙂 ;
  • Foi o ano em que concluímos essa verdadeira odisseia que foi a obra colectiva “GRH de A a Z“, cujo lançamento já em Janeiro foi mais uma vez fonte de grandes alegrias!
  • Foi o ano em que o meu amigo Pedro Rebelo concluiu a sua licenciatura e deu o grito do Ipiranga, mudando de vida num acto de verdadeira iluminação e coragem 🙂 Muito me orgulho de ter dado um “empurrãozito” nesse sentido 😉
  • Foi o Ano em que o Afonso começou o seu percurso no Coro de Pequenos Cantores da Portela, provando que o talento surge de onde menos esperamos (nunca sonhei que ele tivesse a voz que tem 🙂  ).
  • E também foi o ano em que me tornei um “Apple User” integral, com todos os idevices que possam imaginar, verdadeiramente convertido ao Appleverse! E meus amigos, para além da minha produtividade ter duplicado, acreditem que trabalhar passou a ser bem mais divertido 😉

Certamente que a lista ficou incompleta, mas terei oportunidade de a completar no futuro.

O principal deste “míni-balanço” é a conclusão a que chego: mesmo nestes tempos impossíveis, vale a pena continuar a jornada 🙂 Assim saibamos navegar por estes mares tempestuosos e possamos saborear as coisas boas que todos os dias nos acontecem…

… Céus, que tempos emocionantes estes 😉

Até já!

Recomendações, Reflexões, Trends

Nós e a Crise – V

Há dois dias atrás o Jornal de Negócios publicou a sua edição especial de 7º aniversário (parabéns ao JN!), e dedicou-a a um tema que constituiu um verdadeiro caso de serviço público: Portugal Antidepressivo.

Numa meritória reacção de combate ao estado de maledicência e pessimismo que grassa em Portugal, o Negócios desafiou os leitores a relatar exemplos de casos de sucesso e boas práticas por todo o país, tendo daí resultado um impressionante acervo de exemplos a seguir como inspiração!

Pegaram nesses testemunhos, pediram a um conjunto de personalidades de referência da sociedade portuguesa que acrescentassem os seus “exemplos virtuoso” e saiu um caderno de elevadíssima qualidade, que nos mostra o Portugal de que hoje não se fala: o Portugal dos empreendedores, o Portugal dos criativos, dos talentosos, perseverantes e vencedores, o Portugal que gera os milhões do nosso PIB e que espalha o nosso bom nome no mundo… sim, porque esse Portugal existe!

Obrigado ao Jornal de Negócios pela iniciativa, tão necessário nestes tempos de crise (e não deixem de ler essa memorável edição 😉 !)

Deixo ainda uma referência a uma meritória iniciativa da Liberty Seguros, intitulada Portugal Positivo.

Enjoy it! 😉

Reflexões, Trends

Nós e a Crise – IV

Tive a semana passada o privilégio de participar numa conferência organizada pela Talenter, sob o título “O Talento nas Organizações“.

Coube-me a mim abrir e moderar o primeiro painel, onde tive o privilégio de conhecer o Carlos Coelho, presidente da Ivity Brand e uma das figuras de referência na criação de marcas em Portugal.

O Carlos fez uma intervenção divertida e assombrosamente lúcida, intitulada “Talent Branding”, onde passou um conjunto de mensagens muito fortes, que resumo aqui:

  • o mundo está a mudar, e isso implica que temos de reinventar a nossa proposta de valor continuamente, olhando para o nosso “território” e pensando se é nele que queremos continuar (numa alusão clara às estratégias oceano azul);
  • o talento reside na capacidade de interpretar a realidade, perceber o que é valorizado num determinado contexto e apostar nisso!
  • o talento é aquilo que não se consegue colocar na folha de cálculo – excelente frase! e nela reside a diferença entre “prestação profissional” e contributo talentoso! O contributo talentoso não é capturável por estratégias de explicitação do conhecimento, ele brota dos indivíduos por opção criativa e deliberadamente generosa (não esquecendo que todos usamos o chamado “princípio da retribuição”!);
  • uma marca é como o amor: leva tempo a fazer o seu caminho… e o talento, acrescento eu, reside no valor que percebem em nós, logo, como nossa “marca pessoal”, também requer tempo, paciência e disciplina…
  • se queremos seduzir os outros para o nosso talento, mais do que pensar o que queremos obter deles, temos de pensar o que temos para dar (qual o valor acrescentado que podemos oferecer?)
  • o não-talento hoje não significa não-talento amanhã – mais uma grande frase! porque nos relembra como por vezes desistimos tão depressa das pessoas...
  • ter talento é aprender todos os dias, fazendo a nossa caminhada de olhos bem abertos em busca do que ambicionamos – a ideia é tão boa que fala por si…
  • temos muito e bom talento em Portugal, do qual nos devemos orgulhar e dar como exemplo!

Só esta última ideia já tinha valido pela intervenção!

De facto, neste país à beira-mar deprimido, faz-nos falta muitos Carlos Coelhos que nos relembrem o que de bom fazemos por cá, para que a nossa auto-estima reflicta o nosso real valor, e não o valor que a Moody’s quer que tenhamos! 😉

Deixo-vos com uma apresentação do Carlos Coelho.

Enjoy it! 😉

Desafios, Reflexões, Trends

Nós e a Crise – III

Aqui há cerca de 3 semanas estive a dar um seminário sobre Liderança de Equipas a cerca de 180 quadros e empresários do sector da pecuária.

Foi no âmbito da parceria entre a Universidade Católica e a Intervet, sendo uma iniciativa de inscrição aberta aos profissionais da área.

A primeira surpresa que tive foi a adesão à iniciativa: em plena crise, 180 profissionais da pecuária em Portugal prescindiram do seu tempo num fim de semana para aprenderem sobre Liderança de Equipas!

O que significa isto?

  • Que este sector de actividade tem profissionais que já perceberam que o seu negócio passa pelas pessoas (apesar de ser aparentemente um negócio de animais 😉 !!!) – e esta clarividência é de saudar!
  • Que neste sector há a consciência clara que a crise não é desculpa para abandonar o investimento na formação e aprendizagem! Antes pelo contrário: é pretexto para reforçar esse investimento, uma vez que a competitividade sustentável passa pela capacidade de gerar inovação (permanente) e relação com os stakeholders (e isso depende de pessoas qualificadas e motivadas);

A segunda grande surpresa que tive foi com o nível de qualidade dos profissionais que encontrei:

  • ao contrário da ideia feita que poderá ainda prevalecer, a pecuária em Portugal é um sector de actividade moderno e sofisticado, com elevado nível de exigência profissional, onde trabalham pessoas com elevados níveis de qualificação;
  • ao contrário do que se poderia pensar, os profissionais da área estão menos preocupados com potenciais subsídios do Estado e mais focados em como ser competitivos e em como criar valor!

E estas surpresas são um estímulo para quem, como eu, teima em acreditar no potencial deste país 🙂

Crise? Depende em grande parte de nós ver nela uma inevitabilidade ou um obstáculo a superar

O que estão a fazer neste momento? A queixar-se ou a agir?

Abraços e votos de boa reflexão 🙂

Reflexões, Trends

Nós e a Crise – II

Não resisto a recomendar a leitura do excelente artigo do actual Bastonário da Ordem dos Economistas, Francisco Murteira Nabo, que saiu hoje no Diário Económico, intitulado “Profetas da Crise”.

Nele o autor argumenta de forma simples e lúcida que o que falta neste momento ao país é que nos deixem trabalhar em sossego, criando valor e não perdendo tempo com ataques de pânico resultantes de mera actividade especulativa.

Como diz Murteira Nabo, “…dou razão ao ministro das Finanças alemão, quando diz “que basta”, porque as medidas já tomadas pelos países na Europa são por si só já suficientes para restabelecer os necessários equilíbrios financeiros, pelo que o que importa agora é “ter cabeça fria” e firmeza para a sua implementação com sucesso, dando aos países condições e tempo para esperar pelos seus efeitos.”

A verdade é que eu, como empresário, não poderia estar mais de acordo: há que dar tempo ao tempo, há que ter calma e trabalhar, há que fazer negócios e gerar emprego, sem que tenhamos de estar todos os dias de coração na mão a pensar como será o financiamento da banca às empresas.

Que muitos se possam juntar a Francisco Murteira Nabo neste apelo, para que as empresas e os empreendedores deste tão válido país possam ter tempo e espaço para fazer o que sabem fazer melhor: criar valor!

Abraços e votos de boa reflexão! 😉

Para o rol de queixosos do costume que pululam em comentários negativos ao artigo de Murteira Nabo, dedico este pequeno vídeo da Leila Navarro, sobre Talento à prova de Crise (vejam as outras 8 partes desta entrevista no Youtube, que vale a pena):

Reflexões, Trends

Nós e a Crise – I

Ando já há algum tempo para escrever este post, mas a crise não me tem deixado ter tempo para isso.

É verdade: o principal efeito da crise é estar cheio de trabalho, razão pela qual já não postava no Mentes Brilhantes há mais de mês e meio!

A ajudar a isto está a natureza das minhas duas profissões:

  • consultor – alguém que ajuda pessoas e organizações a resolver problemas e a desenvolverem-se;
  • professor (universitário) – alguém que ajuda profissionais a desenvolverem-se através da aquisição de novos conhecimentos e perspectivas;

Sim, sem dúvida que estas são actividades profissionais que podem transformar a crise num manancial de oportunidades, mas não são, por definição, à prova de crise!

Então o que pode levar-nos a estar imunes à crise actual? Na minha perspectiva, a receita para um bom “sistema imunitário” passa por:

  1. Capacidade de reinventar constantemente a nossa proposta de valor, ou seja, de perceber o que está a mudar no mercado em que estamos, o que os nossos “clientes” procuram (sejam mesmo clientes ou potenciais empregadores), e como podemos satisfazer as suas necessidades (de forma original, apelativa e mais flexível/competitiva). Diz-me a experiência recente que, no seio desta crise, há dois tipos de pessoas: i) as que se queixam da situação e que ficam à espera que passe; ii) as que já lutavam para ser competitivas antes da cris e e que ainda não tiveram tempo de dar por ela;
  2. Elevadíssimo rigor na gestão do negócio – seja ele negócio próprio ou gerido por mandato de terceiros. Isto não se deve confundir com “febre de redução de custos”, que tem levado muitas organizações à anorexia organizacional. Mas significa que só devemos criar custos com a garantia firme de geração de proveitos. Em caso de dúvida, deveremos ter a imaginação de desenhar modelos de trabalho suficientemente flexíveis para que o risco operacional seja partilhado por todos os intervenientes na cadeia de valor;
  3. Obsessão pela qualificação, aprendizagem, actualização e informação – ou seja, garantir que estamos sempre na posse do conhecimento indispensável para que possamos continuar a ser excelentes e a inovar;
  4. Profissionalismo na gestão da marca – seja ela corporativa ou pessoal, a nossa marca, o nosso prestígio e a nossa reputação são o nosso valor percebido no mercado. Devemos cuidar dela com tanto ou mais cuidado com que cuidaríamos de um bonsai… pois sem ela não teremos procura para a nossa oferta (pelo menos de forma consistente e sustentada);
  5. Optimismo e energia positiva – ou seja, acreditar na nossa proposta de valor, e transmitir essa crença à nossa equipa e aos nossos clientes, criando um efeito de “contágio positivo” que alavanca de forma determinante a produtividade profissional e a dinâmica comercial.

Esta tem sido a receita que tenho aplicado, e que tem feito de 2010 um ano excelente em termos profissionais.

Sei que muitos terão tido a infelicidade de perder o seu emprego. A esses, acrescentaria um sexto princípio: nunca parar! Façam coisas, mesmo que isso implique actividade não remunerada!

A inactividade é uma espiral descendente e depressiva da qual é muito difícil sair. Façam voluntariado, abram um pequeno negócio (mesmo que seja apenas para enquadrar com uma “marca” a vossa actividade como profissionais independentes), mas nunca, nunca fiquem parados: não fica bem no CV e não faz bem à auto-estima 😉

Descubram o vosso talento e apliquem-no, seja ele qual for. A probabilidade de termos sucesso a fazer o que gostamos é grande, pois tendemos a ser melhores a fazer aquilo que gostamos (e esta recomendação vale para todos).

A crise não está aí para todos: apenas para quem desiste…

Votos de boa reflexão e toca a partir para a luta: nada como uma boa crise para distinguir (a bold) os competentes e talentosos!

Sobre este tema deixo-vos dois artigos inspiradores:

Cultivar talentos na crise

As dificuldades da gestão de talentos em épocas de crise

Recomendações, Trends

Actua Contra a Crise!

Nada como começar 2010 numa onda positiva! Assim, e no seguimento natural do último post, damos aqui destaque ao Movimento ACC – Actua Contra a Crise!

O que é o ACC? Um movimento que nasce como um grande projecto de responsabilidade corporativa da Inforpress. O objectivo é criar um movimento para actuar contra a crise, explicar as histórias que merecem ser contadas e contagiar com o exemplo dos grandes líderes de pequenas, médias e grandes empresas de Portugal e Espanha.

Este blog fala apenas de feitos contados pelos próprios protagonistas, na primeira pessoa, assinados e com foto. Em 15 linhas, os presidentes de empresas contam que acções desenvolveram para superar com entusiasmo o contexto que tem caracterizado 2009.

É assim uma excelente “montra” de boas práticas, casos de sucesso e acções positivas, que provam que há vida para lá da crise!

Não deixem de ler o seu Manifesto e de contribuir com boas histórias e/ou comentários!

Enjoy it!!! 😉

Reflexões, Trends

Crise: oportunidade para os talentos

successfailureTive oportunidade de reler há uns dias um artigo da McKinsey chamado “Upgrading Talent”.

Este artigo, escrito em Dezembro de 2008, permanece actual e só comprova como a McKinsey desde cedo apontou o caminho e liderou a reacção à crise ao nível da gestão do talento.

Neste artigo, a ideia de força é a de que a crise não é necessariamente uma ameaça, mas sim uma oportunidade. Tudo depende da forma como olhamos para ela e aquilo que estamos dispostos a fazer para tirar partido dela: ou seja, é tudo uma questão de criatividade!

A primeira tentação quando surge uma crise é reduzir custos em grande volume e velocidade e, naturalmente, a área de recursos humanos é uma das primeiras vítimas: contenção ou mesmo congelamento do recrutamento, fortes cortes nos investimentos em formação, redução do efectivo and so on.

Como a McKinsey bem observa, uma fase de optimização do efectivo pode ser aproveitada para redesenhar funções de forma mais ambiciosa, criando posições com mais responsabilidade, autonomia e span of control, de forma a poder colocar nelas os colaboradores mais talentosos, que se vêm perante desafios profissionais que aumentam a proposta de valor que a empresa lhes dá. E a isto se chama ser competitivo em tempos de crise, aproveitando uma fase de redesenho do modelo organizativo.

Este foi o caso da Cisco, que aproveitou um momento de redução do efectivo em mais de 8500 posições para redesenhar funções e movimentar talentos, aumentando a satisfação e a produtividade.

Para além da oportunidade para fazer o redesenho funcional, é necessário acautelar que a “febre reducionista” não atinge os investimentos em formação e desenvolvimento. Eles são absolutamente essenciais para suportar precisamente o redesenho funcional anteriormente preconizado! Esta foi a filosofia adoptada pela IBM, por exemplo, na sua fase de maior mudança organizacional.

Para além destas duas sugestões, a McKinsey defende ainda o recurso a sistemas de avaliação robustos para identificar os melhores colaboradores, aproveitando os sistemas meritocráticos para efectuar algo a que poderíamos chamar uma versão simplificada de uma human due diligence.

Outra área que tem de ser acautelada com criatividade é a vertente da cultura organizacional e do employer branding. Em momentos de downsizing, a moral e a coesão internas tendem a ficar fortemente abaladas, levando a que os melhores possam querer sair e levando a que a performance seja seriamente afectada.

Uma marca forte é um activo precioso, especialmente numa fase em que o downsizing nas empresas faz com que o mercado de trabalho esteja fortemente populado de pessoas altamente qualificadas e disponíveis.

Assim, este momento de crise mais não é do que uma forte oportunidade de fazer o upgrade do talento residente nas empresas, bem como de conseguir um maior engagement do talento que já temos dentro de casa!

Do que estamos à espera? 😉

Reflexões

Criatividade: uma arma para combater a crise

creativitySurge este post da leitura de um apontamento genial do Jorge Nascimento Rodrigues, no seu blog Janela na Web, sob o título “Regra nº 1 em tempos de crise: Criatividade no posto de comando“.

O próprio nome do post é perfeitamente elucidativo sobre o tema e sobre a opinião do autor, que surge alinhada com a corrente positiva de gestores que, face à crise, defendem que a resposta passa não por posturas mais conservadoras e por apostas em downsizings e reduções de custos, mas sim por posturas mais inovadoras e por focalização na criação de valor, através do desenvolvimento de novos produtos e mercados.

Todas as evidências parecem comprovar que prepararmo-nos bem para enfrentar a crise não passa por “emagrecimentos organizacionais” indiscriminados. Estes geram, quase sempre, aquilo que costumo chamar de “anorexia organizacional” (disfunção organizacional resultante do excesso de saída de capital humano, que se manifesta através de ineficiências, perda de capacidade produtiva e incapacidade de inovar).

Prepararmo-nos para a crise consiste em reduzir ineficiências e em concentrar-nos no nosso core business, é certo – de forma a reduzir o risco operacional e a ter uma gestão lean, mas acima de tudo em conseguir desbravar novos mercados, numa estratégia blue ocean e inovar de forma a redefinir as regras do jogo de mercado, numa lógica game changing.

E tudo isto passa por fazer florescer a criatividade nas organizações… e criatividade sem talento é como cerveja morna e sem gás 😉

JNR relembra que não há receitas únicas e infalíveis para fomentar a criatividade nas organizações, sendo necessário ler os sinais da cultura organizacional e do modelo de negócio, de forma a encontrar a maneira (específica e única) de fazer com que as medidas de promoção da criatividade sejam encaradas como naturais e necessárias à organização. sem esta percepção de valor e utilidade, não haverá genuína adesão por parte dos intervenientes – cf. post sobre genuinidade empresarial.

Mas, como cimento comum a todas as variantes, JNR recorda-nos que há cinco ingredientes fundamentais:

  1. envolva gente com diferentes perspectivas e competências;
  2. evite a microgestão no processo criativo e admita que há sempre redundâncias;
  3. proporcione tempo e recursos suficientes para o período de discussão;
  4. alimente um ambiente de desafio intelectual e de reconhecimento público;
  5. mande outros tomar conta do processo de comercialização (são muitos poucos os criativos que o conseguem fazer bem).

Outras dicas interessantes são:

  • cultivar a tolerância ao erro, como modelo de aprendizagem e experimentação inovativa – cf. post sobre inteligência emocional na gestão;
  • combater o “espírito Dilbert”, que promove a burocracia e a (des)implementação – cf. artigo sobre A Pesada Herança de Roma;
  • apostar nos interesses e paixões individuais dos colaboradores – cf. artigo sobre O Paradoxo de Ícaro;
  • apostar na inovação colaborativa, não acreditando no mito do “génio solitário” (somos seres sociais, também no acto criativo!)

A título de inspiração, deixo-vos um artigo de Valdemir Ribeiro, que, do outro lado do Atlântico, escreve sobre Como Vencer a Crise e Construir um Futuro Melhor.

Outro exemplo bem português é o site PORTUGAL EM GRANDE, em que vemos como temos um conjunto de recursos surpreendentemente vasto para vencer a crise. Muitas vezes o que acontece é que não prestamos atenção…

Por fim, deixo-vos um inspirador vídeo de Frank Gehry sobre criatividade e aprendizagem com os erros.

Enjoy it e boa reflexão 😉 !

Reflexões

Gerir num mundo pós-racional

humanNão resisti a partilhar convosco um artigo de Harvard, que surge a título de começo de conversa, chamado “Are You Ready to Manage in an Irrational World?”. Esta bela peça de comunicação alerta-nos para os resultados dos mais recentes estudos sobre a irracionalidade do comportamento humano e, logo, do comportamento dos mercados.

Estes estudos têm vindo a questionar a abordagem clássica da gestão e da economia nos tempos de incerteza que vivemos, colocando de forma contundente a tónica na pertinência daquilo que hoje fazemos como gestores ou ensinamos como professores.

Confesso que recebi com alegria estas perplexidades, uma vez que elas vêm ao encontro do que tendo praticado e ensinado ao longo dos anos.

Significa isto que eu acho que as pessoas decidem irracionalmente? Não. Significa que eu acho que as pessoas decidem de forma por vezes imprevisível, devido à sua singularidade e ao modelo tendencialmente perfeito com que tomam decisões. E essa perfeição tendencial reside no segredo mais bem guardado de sempre: a sua intrínseca imperfeição!

Confusos? Espero que sim 😉 . Agora que despertei a vossa atenção, passo a explicar…

Como funciona o cérebro humano? De uma forma notável. Porquê? Porque consegue aprender e tomar decisões com base em informação incompleta. De que forma? Muito simples: todos nós apreendemos a realidade através dos cinco sentidos, e essa realidade é enviada para o nosso cérebro com uma “codificação” específica, que determina o grau de importância da informação e a sua natureza positiva ou negativa.

Como é feita essa codificação? Através das emoções: se a informação ligada a uma determinada experiência ou vivência estiver associada a uma emoção pouco intensa, a mesma tenderá a ser classificada como pouco importante, não prevalecendo na nossa memória de forma efectiva. Se porventura estiver associada a uma emoção forte, a informação é alvo daquilo a que António Damásio chama um “marcador somático“, ou seja, uma categorização feita através da descarga química no nosso corpo de adrenalina (se a emoção for negativa) ou de endorfinas (se a emoção for positiva). Assim, a classificação da informação é feita ao nível da relevância (é ou não para reutilizar mais tarde) e ao nível da conotação prática com o sucesso e a capacidade de adaptação (é uma experiência a repetir ou a evitar, em condições semelhantes?).

Esta forma de processarmos a informação é o que nos permite aprender com a experiência  e tomar tendencialmente melhores decisões (com base no histórico registado).

E é por isto que é algo tão singular, único e irrepetível como as nossas impressões digitais: porque a nossa história de vida é uma sucessão de factos e de emoções que só aconteceu connosco, levando-nos a acumular e catalogar a informação de uma forma única e irrepetível, criando uma matriz decisional que é só nossa! Assim, aquilo a que chamam irracionalidade, não o é: é sim a incerteza resultante da imprevisibilidade!

Isto tornaria a gestão um caos impossível não fora o carácter universal da vertente económica do processo de tomada de decisão (o que vimos até agora é aquilo que eu chamo a vertente psicológica, somatório de razão e emoção). O que é a vertente económica do processo de tomada de decisão? Simples: é o facto (universal e invariável) de todos nós tomarmos decisões em função do balanço de ganhos e perdas potenciais que prevemos face à situação que percepcionamos e o histórico de informação relevante que podemos activar no nosso cérebro.

E, invariavelmente, todos optamos pela alternativa que achamos que maximiza os ganhos e minimiza as perdas!

Logo, todos tomamos as melhores decisões para nós, sendo que aquilo que varia é aquilo que cada um de nós valoriza e considera um ganho no seu caso em concreto.

Por isso a gestão das pessoas e do talento não é uma ciência exacta. Por isso os mais recentes estudos sobre a gestão apontam para um exercício da liderança menos declarativo e mais socrático (do velho Sócrates, claro ;-)!), em que o focus está nas pessoas e no conhecimento que podemos ter delas, de forma a proporcionarmos às mesmas um conjunto de opções que lhes permita tirar delas o melhor que têm a dar.

Não esquecendo nunca que fazemos essas opções todos os dias, relativamente às mais variadas dimensões…

Quer isto dizer que tomamos sempre boas decisões? Não, pois a informação de que dispomos varia e a realidade muda sempre, mas a capacidade que temos de regenerar os nossos juízos e de evoluir é algo único no mundo, fazendo com que a imperfeição do nosso modo de pensar, agir e decidir acabe por ser o “motor” que nos leva a buscar (incessantemente) a perfeição.

Fascinante, não acham? Abençoados tempos agitados, que nos fazem singrar num mundo pós-racional, repleto de desafios e descobertas 😉

A todos fica lançado o desafio de gerir cada vez melhor, aprendendo com os erros e ambicionando sempre mais…

… do que estamos à espera?!

Votos de boa reflexão 😉 !