Factos, Reflexões, Trends

Steve Jobs: o talento imortalizado

Hoje ao comprar o jornal, o meu dia ficou muito triste.

Morreu um dos mais emblemáticos heróis da minha geração: Steve Jobs. Um homem que, com recurso apenas ao engenho, à paixão pela perfeição e à estética, conseguiu mudar o mundo.

E mudar o mundo sem disparar uma bala é algo notável, e infelizmente menos comum do que desejaríamos 😦  No entanto, Steve Jobs conseguiu fazê-lo.

Steve Jobs não é um herói clássico.

Não foi um tipo bonzinho, do género Charlie Brown. Perdia a paciência com a incompetência ou a mediocridade. Não foi um tipo certinho, do género Clark Kent. Largou a universidade para cumprir o seu sonho. Não foi um tipo desenrascado, como o McGyver. Sabia que a perfeição era possível e ela estava nos detalhes obsessivamente preparados.

Ao contrário do Bill  Gates, fundador da Microsoft (que é um cromo simpático que gostaríamos de ter ao pé de nós, do tipo “Nuno Markl da informática”), Steve Jobs é aquele tipo de cromo que gostaríamos de ser um dia. Bill Gates é porreiro e simpático. Steve Jobs é uma referência. Ponto final.

E isto é escrito por alguém que (ainda) não comprou um único produto da Apple!

Mas deixem-me confessar-vos… tenho passado a vida a sonhar como seria ter comprado 🙂 E isto é a “mística” que Steve Jobs criou: o poder de um conceito que alia a estética à funcionalidade, a paixão à fiabilidade, a sofisticação à simplicidade, e que desperta nas pessoas o desejo.

Eu sou aquele consumidor que (como muitos, certamente), se esmifra para ter o último ultrabook da moda, com 8 GB de RAM e um disco SSD ultra-rápido, mas com Windows (clientela oblige 😦 !). Por isso, o meu desporto favorito depois é kitar o dito ultrabook com skins a imitar o Mac OS X Lion!

Eu sou aquele early adopter que se rendeu à Google e ao universo Android. Por isso escrevo os meus post do meu Samsung Galaxy S II, considerado por muitos como o melhor smartphone Android do mercado, mais conhecido por ser o melhor “iPhone killer“!! E também já não largo o meu Asus Eee Pad transformer, considerado o melhor tablet Android da actualidade, que tem tudo o que o iPad não tem, e no qual passo a vida a instalar skins do iPad!!!

Portanto, meus amigos, vejam só: mesmo quando consumimos outros “gadgets” fora do universo Mac, a verdade é que a referência por excelência para explicar o que quer que seja sobre eles ou as tendências de consumo que levaram à sua aquisição, acabam SEMPRE por ir parar ao universo criativo de Steve Jobs!

Mas para além dos ícones tecnológicos que deixa como legado, o que Steve Jobs deixa como sinal mais marcante da sua passagem pelo mundo pode ser resumido numa célebre frase que usou nm discurso na Universidade de Stanford, em 2005: “stay hungry, stay foolish“. Com esta frase, Steve resumia o essencial da sua filosofia de vida: devemos permanecer com “fome” de realização, com “fome” de criação, bem como nunca esquecendo de alimentar a “loucura” dos nossos sonhos, que são o que nos dá sentido à vida e nos faz progredir, evoluir, perseverar.

E Steve foi um exemplo vivo de como se pode praticar esta filosofia de vida, que potencia os nossos talentos e ajuda a cumprir os nossos sonhos, que acabam por ser o nosso legado, o testemunho da nossa passagem por este mundo.

E devemos aproveitar essa passagem ao máximo, vivendo cada momento não como se fosse o último, mas o único que temos, pois não sabemos se a jornada será curta ou longa. E é essa condição de mortalidade, em que a vida é uma benção efémera e preciosa, que nos faz querer fazer coisas com sentido, que nos faz querer deixar a nossa marca no mundo. De facto, se fôssemos imortais, podíamos deixar essa (árdua) tarefa sempre para amanhã. Mas não podemos, e por isso vivemos a correr atrás da vida, com mais ou menos prazer, com mais ou menos consciência do valor daquilo que fazemos.

Como Steve Jobs dizia “Tens de encontrar a tua paixão. Se ainda não a encontraste, continua a procurar. Não te conformes. Lembrar-me de que vou estar morto em breve é a ferramenta mais importante que encontrei para me ajudar nas grandes decisões da vida…”.

Steve Jobs viveu a vida como a proclamou: intensamente e com prazer, até ao último suspiro. Que o exemplo dele nos inspire. Vou sentir a falta dele…

Em sua homenagem, para além da nova imagem do “Mentes Brilhantes”, deixo-vos um caderno especial sobre Steve Jobs do Expresso, o vídeo com o depoimento emocionado do seu parceiro de negócios Steve Wozniak, um vídeo que recorda o percurso notável da Apple e um vídeo final evocativo deste verdadeiro herói dos nossos tempos.

Enjoy it! 😉

Recomendações, Reflexões, Trends

As cinco disciplinas dos inovadores

Surge este post da leitura de um artigo muito interessante da Harvard Business School, intitulado “Five Discovery Skills that Distinguish Great Innovators“, e que apresenta o excelente livro de Jeff Dyer, Hal Gergersen, e Clayton M. Christensen, com o apelativo título de “The Innovator’s DNA“.

Neste livro, os autores divulgam as suas principais conclusões relativas à criatividade e inovação, lançando algumas pedradas no charco relativamente a algumas ideias feitas.

A primeira ideia feita a ser questionada prende-se precisamente com o carácter quase “iluminado” da criatividade, segundo as suas concepções mais populares.

Os lugares comuns apontam a criatividade como um “dom” que só alguns têm a sorte de possuir, como algo que é herdado pelo código genético que nos define ou como algo que deriva do chamado “factor geral de inteligência”, que é segundo os autores que defendem esta teoria da inteligência, a explicação para as nossas capacidades cognitivas, que seriam em grande parte herdadas.

Ora os estudos mais recentes feitos a este nível provam que apenas 30% da produção criativa pode ser explicado por factores herdados, o que evidencia que a criatividade pode, em grande medida, ser aprendida, treinada e praticada!

Já desde há mais de 20 anos que o conceituado Robert Sternberg  defende esta perspectiva, no seu modelo triárquico da inteligência, em que a inteligência criativa assume um papel destacado. Mas é sempre bom haver mais estudos que comprovam empiricamente esta concepção de inteligência como um conceito dinâmico e desenvolvimental.

Assumido o pressuposto de que a criatividade pode ser aprendida, treinada e desenvolvida, os autores partem para as cinco disciplinas dos inovadores, ou seja, as cinco skills que podem ser treinadas e que distinguem os grandes inovadores dos restantes indivíduos.

As cinco disciplinas dos inovadores, segundo os autores são:

  1. Associating – esta é a skill central dos inovadores, ou seja, a capacidade de associar ideias e conceitos por forma a produzir novas construções, novos modelos e respostas, que muitas vezes derivam de associações não tradicionais, oriundas de disciplinas distintas, resultando numa conjugação eclética também conhecida como “efeito Medici“. Associar é aquilo que Steve Jobs referiu como “connecting the dots“…
  2. Questioning – uma das capacidades centrais dos criativos e inovadores consiste na capacidade de fazer boas perguntas. Praticar a arte de questionar de forma sistemática e construtiva, procurando compreender o porquê das coisas, com mente aberta e espírito crítico conjugados, é uma das formas mais eficazes de poder associar ideias e conceitos de forma produtiva. Quem não questiona não aprende e não conhece, como já o velho Sócrates sabia 😉
  3. Observing – perguntar sem observar é como conhecer apenas as coisas superficialmente. A curiosidade de um bom perguntador só pode ser eficazmente alimentada pela sgacidade de um bom observador. A arte de observar implica a conjugação da disciplina da atenção (tão dispersa no nosso mundo global e digital), com as disciplinas da paciência e da persistência (que permita uma observação consistente, profunda e não “apressada”).
  4. Networking – os grandes inovadores não funcionam em circuito fechado, como já vimos em anteriores posts… o ser criativo é um ser aberto ao mundo, sedento de aprendizagem e partilha. Assim, a capacidade de gerar boas redes de conhecimento são uma condição indispensável para a criação de alto valor acrescentado – algo a que se pode chamar inovação colaborativa
  5. Experimenting – por fim, a quinta disciplina dos grandes inovadores é a experimentação, ou seja, a capacidade de passar à prática novas ideias e testá-las. Algo a que Robert Sternberg chamaria de inteligência prática

Deixo-vos ainda um link para um primeiro artigo do INSEAD  sobre este excelente livro, outro link para uma excelente sinopse do livro com um vídeo do autor, e por fim com um vídeo interessante sobre o tema e um dos seus autores.

Enjoy it 😉

Reflexões, Trends

Criatividade: lendas e narrativas + novas perspectivas

NEw creative mindEis um post que quase é mais curto que o seu próprio título, mas o qual não resisti escrever, pois tropecei em alguns conteúdos que são verdadeiras “pérolas” e que quero partilhar…

Do outro lado da fronteira, o nosso amigo Juan Carrión escreveu há tempos um post chamado “Mitos Y Realidades de la Creatividad“.

Está uma delícia, e relembra-nos algumas verdades simples:

  • A criatividade não tem nada a ver com o QI nem é sinal de inteligência (no sentido clássico do termo);
  • A criatividade não é apanágio de mentes jovens – cf post O Talento não tem Idade;
  • Quem corre mais riscos não é necessariamente mais criativo;
  • A criatividade não é uma produção solitária – cf post Criatividade: uma arma para combater a crise;
  • A criatividade pode ser gerida (não necessariamente controlada)

Sobre este tema recomendo ainda o excelente artigo Creativity 2.E, que nos explica como a criatividade nos negócios hoje evoluiu para um novo patamar.

Enjoy it 😉

Reflexões

Criatividade: uma arma para combater a crise

creativitySurge este post da leitura de um apontamento genial do Jorge Nascimento Rodrigues, no seu blog Janela na Web, sob o título “Regra nº 1 em tempos de crise: Criatividade no posto de comando“.

O próprio nome do post é perfeitamente elucidativo sobre o tema e sobre a opinião do autor, que surge alinhada com a corrente positiva de gestores que, face à crise, defendem que a resposta passa não por posturas mais conservadoras e por apostas em downsizings e reduções de custos, mas sim por posturas mais inovadoras e por focalização na criação de valor, através do desenvolvimento de novos produtos e mercados.

Todas as evidências parecem comprovar que prepararmo-nos bem para enfrentar a crise não passa por “emagrecimentos organizacionais” indiscriminados. Estes geram, quase sempre, aquilo que costumo chamar de “anorexia organizacional” (disfunção organizacional resultante do excesso de saída de capital humano, que se manifesta através de ineficiências, perda de capacidade produtiva e incapacidade de inovar).

Prepararmo-nos para a crise consiste em reduzir ineficiências e em concentrar-nos no nosso core business, é certo – de forma a reduzir o risco operacional e a ter uma gestão lean, mas acima de tudo em conseguir desbravar novos mercados, numa estratégia blue ocean e inovar de forma a redefinir as regras do jogo de mercado, numa lógica game changing.

E tudo isto passa por fazer florescer a criatividade nas organizações… e criatividade sem talento é como cerveja morna e sem gás 😉

JNR relembra que não há receitas únicas e infalíveis para fomentar a criatividade nas organizações, sendo necessário ler os sinais da cultura organizacional e do modelo de negócio, de forma a encontrar a maneira (específica e única) de fazer com que as medidas de promoção da criatividade sejam encaradas como naturais e necessárias à organização. sem esta percepção de valor e utilidade, não haverá genuína adesão por parte dos intervenientes – cf. post sobre genuinidade empresarial.

Mas, como cimento comum a todas as variantes, JNR recorda-nos que há cinco ingredientes fundamentais:

  1. envolva gente com diferentes perspectivas e competências;
  2. evite a microgestão no processo criativo e admita que há sempre redundâncias;
  3. proporcione tempo e recursos suficientes para o período de discussão;
  4. alimente um ambiente de desafio intelectual e de reconhecimento público;
  5. mande outros tomar conta do processo de comercialização (são muitos poucos os criativos que o conseguem fazer bem).

Outras dicas interessantes são:

  • cultivar a tolerância ao erro, como modelo de aprendizagem e experimentação inovativa – cf. post sobre inteligência emocional na gestão;
  • combater o “espírito Dilbert”, que promove a burocracia e a (des)implementação – cf. artigo sobre A Pesada Herança de Roma;
  • apostar nos interesses e paixões individuais dos colaboradores – cf. artigo sobre O Paradoxo de Ícaro;
  • apostar na inovação colaborativa, não acreditando no mito do “génio solitário” (somos seres sociais, também no acto criativo!)

A título de inspiração, deixo-vos um artigo de Valdemir Ribeiro, que, do outro lado do Atlântico, escreve sobre Como Vencer a Crise e Construir um Futuro Melhor.

Outro exemplo bem português é o site PORTUGAL EM GRANDE, em que vemos como temos um conjunto de recursos surpreendentemente vasto para vencer a crise. Muitas vezes o que acontece é que não prestamos atenção…

Por fim, deixo-vos um inspirador vídeo de Frank Gehry sobre criatividade e aprendizagem com os erros.

Enjoy it e boa reflexão 😉 !

Recomendações, Reflexões, Trends

Génio: ser ou ter?

genius2Acabei de visionar um dos mais fabulosos vídeos dos últimos tempos sobre talento. A sua autora é a escritora Elizabeth Gilbert, que num dos famosos momentos das TED Talks nos fala sobre “A different way to think about creative genius.

Esta é uma intervenção que me deixa inspirado, apesar de não concordar totalmente com as conclusões a que a autora chega. Todavia, a forma como apresenta o assunto é tão empolgante e feliz, que recomendo vivamente o seu visionamento, mesmo discordando (parcialmente) da sua perspectiva.

Passo então a explicar:

  • Diz a Elizabeth Gilbert que vivemos numa sociedade em que o medo de falhar destrói em grande parte o nosso potencial criativo. Eis algo com que concordo totalmente! Na verdade, a nossa sociedade é construída tendo por base um ideal de sucesso que torna (erradamente) inaceitável o erro ou o falhanço, quando o mesmo é uma fase natural do processo de aprendizagem, que nos ensina a lidar com a adversidade e a superar dificuldades. É construindo em cima de erros que evoluímos, crescemos e nos desenvolvemos, sendo que as emoções negativas associadas ao facto de não termos conseguido os nossos objectivos não deveriam ser alvo de um reforço negativo social tão esmagador que levasse ao “bloqueio criativo”. E, na verdade, ao tentarmos criar uma geração de “executivos de sucesso”, corremos o risco de transformar os nossos filhos em “candidatos a génios mimados”, que não aceitam falhar e não usam os erros cono alavancas para o sucesso futuro! Não estaremos a cruar uma geração de “potenciais frustrados”?
  • Vivemos uma cultura da penalização do erro, grande responsável da inibição do potencial criativo e do espírito empreendedor, que limita fortemente a nossa capacidade competitiva nos tempos que correm. Apesar de ser produto de uma herança histórica e cultural fortíssima – cf. o meu artigo “A Pesada Herança de Roma” – está nas nossas mãos mudar essa visão do erro e do sucesso, de forma a podermos usar todo o nosso potencial cerebral. Isso passa igualmente por combater a inveja: essa reacção medíocre dos que não se atrevem a descobrir e libertar o seu potencial criativo, achando mais fácil criticar e destruir os que ousam arriscar. A construção desta nova forma de aprender e realizar – na escola, na profissão e mesmo no seio da família – não deve banalizar o erro, mas também não deve diabolizá-lo. Ele é parte natural da performance humana, tal como o sucesso: essa conotação positiva, esse sinal de reconhecimento, essa medida de aceitação pelos outros e de excelente capacidade adaptativa. Não nos podemos esquecer que o sucesso mais não é que o valor percebido pelos outros, traduzido na capacidade de adaptação aos desafios, mas todavia transitório, pois transaccional – cf. o artigo “Smart People or Smart Contexts?“, citado no meu post “Talentologia – parte I“. O facto do sucesso ser efémero deve ser visto assim como algo natural e não redutor, que não deve implicar sofrimento ou culpa, mas sim prazer e felicidade (na superação permanente e na alegria de dar sentido ao que fazemos, dia após dia) – tal como defende a corrente da Psicologia Positiva;
  • Criatividade – como lidar com ela? Esta é uma das questões centrais deste vídeo em que a Elizabeth defende que devemos deixá-la fluir, e assumi-la como natural, pois a criatividade é um processo intelectual em que as emoções têm um papel fundamental e que não deve ser excessivamente racionalizado. Na minha perspectiva, o que deve ser profissional e racionalizado é a forma de canalizar esse potencial criativo para resultados, sendo que um erro clássico que cometemos, enquanto gestores de empresas, passa por tentar racionalizar o processo criativo, em vez de profissionalizar o processo de capitalização desses mesmos inputs criativos!
  • Todos temos o nosso génio, em vez de alguns de nós serem uns (raros) génios! Este é um conceito com que me identifico absolutamente, pois não só evidencia o conceito transitório de sucesso – já atrás referenciado através do artigo “Smart People or Smart Contexts?” -, como reforça a perspectiva de que o talento (ou génio) não é um dom raro, mas um potencial que todos podemos descobrir e libertar, desde que o saibamos procurar, trabalhar, treinar e adaptar às circunstâncias. E esta perspectiva de “democratização do talento” é absolutamente vanguardista e marca as tendências de futuro neste século da gestão – cf. os meus posts sobre Talentologia, em que refiro o contributo inestimável do meu amigo Tiago Forjaz, bem como o meu recente artigo no SOL “Talento: o mito do recurso escasso“.
  • A Elizabeth conclui defendendo o conceito de que o nosso potencial criativo é uma manifestação de algo externo e superior a nós. Esta tese, com a qual discordo, apesar de denunciar uma perspectiva da autora em que evidencia que o seu locus de controle parece ser externo, é, na minha opinião, uma alegoria para o facto de que nos poderemos sempre superar se persistirmos em libertar esse mesmo potencial criativo, em vez de nos tornarmos reféns dos sucessos ou falhanços passados. Mas enfim, posso ser eu a querer tirar conclusões onde elas não existem…

    … Para que possam tirar as vossas próprias conclusões, deixo-vos com o vídeo da Elizabeth nas TED Talks.

    Enjoy it 😉

Factos

O Mentes Brilhantes vai de férias :-)

new-york-cityPois é, até os executivos têm direito a gozar umas férias 🙂

A pretexto de um passeio a Nova Iorque, o Mentes Brilhantes vai entrar de férias durante os próximos dias, com votos de muitas visitas vossas e muitas leituras e (re)leituras.

Esperamos refrescar a cabeça e voltar com novas perspectivas, ideias, interesses e motivações, que possam também alimentar de muitos e novos posts este blog que tanto tem sido uma fonte de prazer, pela escrita e reflexão.

Como mind snack de férias, deixo-vos um pequeno vídeo de Tom Peters, sobre a forma como (não) educamos os nossos filhos para coisas tão simples e fundamentais nos dias de hoje como a criatividade.

Enjoy it 😉

Reflexões

Estamos a educar funcionários ou empreendedores?

Este é um tema que me é muito caro.

A minha área de investigação é a inteligência e a criatividade, e nunca imaginei encontrar na Psicologia tantas perguntas e respostas ligadas às nossas perplexidades sobre a Economia.

Uma das coisas que mais me impressionou nos estudos que fiz foi a profunda distância que vai entre o que ensinamos aos nossos filhos e aquilo que eles vão precisar para construir o futuro.

Na escola, os nossos filhos são ensinados a obedecer, a estar em conformidade, a encaixar no padrão.

Raramente aprendem a pensar pela sua cabeça, a questionar o que lhes é dito, a saber fazer perguntas (de preferência inteligentes).

Na escola, os nossos filhos aprendem a resolver problemas bem definidos, sobre os quais têm toda a informação necessária, e para os quais só há uma resposta certa.

Raramente são preparados para enfrentar o que a vida real lhes vai proporcionar: problemas mal definidos, sobre os quais não têm toda a informação e para os quais há mais do que uma resposta certa.

Fora a particularidade de que são treinados exclusivamente para competir individualmente (senão vejamos o tipo de avaliação que têm) e nunca desenvolvem competências de cooperação e partilha.

Para além disso, é-lhes criada a ideia de que devem ter um emprego (estável, certinho, socialmente aceite), em vez de se prepararem para definirem uma missão de vida, um propósito, uma ideia mobilizadora, um projecto.

Como podemos construir o futuro dum país sem cultivarmos o gosto pela inovação e a fome de empreendedorismo?

Esta responsabilidade não é só das escolas… é também de todos os pais, todos os dias.

Pensei muito nisto quando tive de escolher a escola para onde iam os meus filhos. Espero nunca me esquecer de fazer esta reflexão, todos os dias, quando os educo na correria do nosso quotidiano.

Convido-vos a assistir a uma conferência dada por Sir Ken Robinson, nas famosas TEDtalks. De uma forma simples, tocante e fascinante, somos levados a reflectir para o que estamos a educar os nossos filhos.

Enjoy it 🙂