Reflexões, Trends

Crise: oportunidade para os talentos

successfailureTive oportunidade de reler há uns dias um artigo da McKinsey chamado “Upgrading Talent”.

Este artigo, escrito em Dezembro de 2008, permanece actual e só comprova como a McKinsey desde cedo apontou o caminho e liderou a reacção à crise ao nível da gestão do talento.

Neste artigo, a ideia de força é a de que a crise não é necessariamente uma ameaça, mas sim uma oportunidade. Tudo depende da forma como olhamos para ela e aquilo que estamos dispostos a fazer para tirar partido dela: ou seja, é tudo uma questão de criatividade!

A primeira tentação quando surge uma crise é reduzir custos em grande volume e velocidade e, naturalmente, a área de recursos humanos é uma das primeiras vítimas: contenção ou mesmo congelamento do recrutamento, fortes cortes nos investimentos em formação, redução do efectivo and so on.

Como a McKinsey bem observa, uma fase de optimização do efectivo pode ser aproveitada para redesenhar funções de forma mais ambiciosa, criando posições com mais responsabilidade, autonomia e span of control, de forma a poder colocar nelas os colaboradores mais talentosos, que se vêm perante desafios profissionais que aumentam a proposta de valor que a empresa lhes dá. E a isto se chama ser competitivo em tempos de crise, aproveitando uma fase de redesenho do modelo organizativo.

Este foi o caso da Cisco, que aproveitou um momento de redução do efectivo em mais de 8500 posições para redesenhar funções e movimentar talentos, aumentando a satisfação e a produtividade.

Para além da oportunidade para fazer o redesenho funcional, é necessário acautelar que a “febre reducionista” não atinge os investimentos em formação e desenvolvimento. Eles são absolutamente essenciais para suportar precisamente o redesenho funcional anteriormente preconizado! Esta foi a filosofia adoptada pela IBM, por exemplo, na sua fase de maior mudança organizacional.

Para além destas duas sugestões, a McKinsey defende ainda o recurso a sistemas de avaliação robustos para identificar os melhores colaboradores, aproveitando os sistemas meritocráticos para efectuar algo a que poderíamos chamar uma versão simplificada de uma human due diligence.

Outra área que tem de ser acautelada com criatividade é a vertente da cultura organizacional e do employer branding. Em momentos de downsizing, a moral e a coesão internas tendem a ficar fortemente abaladas, levando a que os melhores possam querer sair e levando a que a performance seja seriamente afectada.

Uma marca forte é um activo precioso, especialmente numa fase em que o downsizing nas empresas faz com que o mercado de trabalho esteja fortemente populado de pessoas altamente qualificadas e disponíveis.

Assim, este momento de crise mais não é do que uma forte oportunidade de fazer o upgrade do talento residente nas empresas, bem como de conseguir um maior engagement do talento que já temos dentro de casa!

Do que estamos à espera? 😉

Reflexões

Lições sobre Corporate Culture

corporate-cultureLi há alguns dias um paper da Harvard Business School intitulado “10 Reasons to Design a Better Corporate Culture”. Não resisti a partilhá-lo convosco, atendendo ao pragmatismo das lições que postula para a construção de culturas corporativas fortes e adaptadas aos tempos de mudança em que vivemos, e das quais destaco as seguintes:

  1. A liderança é uma peça-chave para a criação e manutenção de um propósito organizacional, de valores e de uma visão fortes;
  2. A cultura é algo em que é preciso investir (a cultura não se forma através de discursos, mas sim através de acções e aprendizagem grupal);
  3. Todos os colaboradores escrutinam os elementos da cultura. Todas as decisões de gestão são permanentemente avaliadas e a sua coerência julgada – cf. meu post sobre Genuinidade Empresarial;
  4. Culturas bem definidas e comunicadas têm custos com pessoal optimizados – cf. meu post HR Branding;
  5. Uma cultura forte deve ser gerida com cuidado, para não cair no dogmatismo e na inflexibilidade organizacional – cf. meu post Sobre Argumentos de Autoridade e outros relacionados.

Uma nota breve sobre a mensagem final, que basicamente nos relembra que o sucesso é efémero. O mesmo se passa com culturas bem sucedidas: há que manter permanentemente o espírito crítico e os horixontes abertos 😉

Votos de boa leitura e reflexão 🙂