Recomendações, Trends

Corporate Social Networks – como usar as redes sociais nas empresas

Acabei de receber um estudo da Forrester intitulado “Corporate Social Networks Will Augment Strategic HR Iniciatives”.

Apesar do título ser demasiado “afunilado”, pois dirige o interesse apenas para os profissionais de recursos humanos, o estudo tem um interesse que vai muito para lá desse âmbito.

Este estudo reforça a pertinência da Web 2.0 , e muito especialmente das redes sociais naquilo que é hoje o focus das empresas em termos de competitividade:

  • Inovação através da colaboração (ou inovação colaborativa);
  • Retenção de talentos através de networking forte (como defendi no Paradoxo de Ícaro);
  • Reforço da capacidade comercial por via das relações e networking;
Alguns exemplos interessantes são dados, como o caso da IBM e as suas iniciativas intituladas de “InnovationJam“, onde mais de 150.000 pessoas participam no processo de inovação, investindo a IBM mais de 100 milhões de dólares nas 10 melhores ideias!

 

Em termos de aplicabilidade prática imediata, também são dados vários exemplos que podem ajudar à implementação de redes sociais corporativas:

  • Alumni programs – como fonte de recomendações e recontratações;
  • Internship programs – como “viveiro” de recrutamento e integração;
  • Mentoring – como reforço do desenvolvimento de talentos;
  • Plataforma colaborativa – como base de aprendizagem sustentada em comunidades de prática;
  • Onboarding programs – como acelerador da integração;

Algumas destas aplicações são boas formas de demonstrar o value for the money na implementação de um projecto deste tipo, sendo um bom starting point  para um business case.

O estudo aponta ainda outras recomendações sobre estratégias de implementação a adoptar e fornecedores de soluções existentes no mercado. A não perder, portanto 😉

Recomendo igualmente a leitura do comentário ao estudo feita no blog The Connectbeam Social Computing Blog, feito por Puneet Gupta.

Boas leituras!

Reflexões, Trends

Architectural Advantage: inovação e competitividade numa economia em rede

Recebi hoje um paper oriundo da London Business School, da autoria do Professor Michael G. Jacobides.

Este paper fala-nos do conceito de architectural advantage, ou seja, a capacidade de controlar uma indústria sem sequer ter de adquirir uma parcela significativa da mesma.

Este conceito emerge com a recente evolução económica global, em que constatamos que a prosperidade das empresas não depende apenas delas mesmas, mas sim de uma vasta e subtil rede de interdependências económicas e empresariais, ou seja, de um ecossistema empresarial.

Fenómenos recentes como a crise do sub-prime ou a emergência do outsourcing e do offshoring são exemplos de como esta dinâmica de interdependência pode ter efeitos à escala global, provocando mudanças radicais na forma como as economias evoluem e as empresas trabalham e se relacionam entre si, gerando novos modelos de criação de valor.

A competitividade hoje não depende só da capacidade de inovar no produto ou no processo, mas sim de determinar quem faz o quê e quem ganha o quê na cadeia de valor.

A recente relevância dos produtores de conteúdos na indústria da telefonia móvel é um caso evidente de como novos players podem emergir subitamente, e ter uma prosperidade á escala global absolutamente inesperada. Veja-se o caso da portuguesa Tim.We, que em pouco tempo se tornou num player mundial em conteúdos para telemóveis.

Outros exemplos podem ser dados, e que são exemplos de como empresas podem condicionar todo um sector de actividade, não porque o detenham, mas porque inovaram de forma radical, colaborativa e mudando as regras do jogo, navegando para mercados não saturados.

Veja-se o exemplo da Google, ao avançar com um sistema operativo para telemóveis – o Android. Aparentemente, estaria a entrar num mercado saturado. Todavia, ao lançar o primeiro sistema open source para telemóveis, está a criar as bases para toda uma nova plataforma colaborativa de desenvolvimento de software (cf. Inovação Colaborativa), que irá mudar completamente as regras do jogo na indústria da telefonia móvel.

Ao mudar as regras do jogo (cf. Game Changing Strategies), está a criar uma nova arquitectura de negócio, em que uma nova rede de empresas interage de forma nova, podendo a Google apropriar-se dos segmentos da rede que irão ter mais valor. Ao fazer isto apropria-se de mercados ainda por explorar, numa estratégia “blue ocean“. É isto pois a architectural advantage: gerir a inovação colaborativa, numa lógica de mercado e não de empresa. E isto exige uma lógica de empreendedorismo e visão de longo prazo.

Citando o Professor Jacobides: “Innovation is not about the creative genius of a solitary inventor; it’s about new ways of orchestrating and managing the benefits we can create. And that will transcend the boundaries of traditional sectors.

Votos de boa leitura 🙂

Reflexões

Wikipedia: liberdade para colaborar

Este é um post rápido, para vos referenciar um caso de sucesso já conhecido de todos vós: a Wikipedia.

A Wikipedia, hoje a maior enciclopédia do mundo, é um ícone incontornável do que deve ser a Internet: o maior espaço de liberdade do mundo!

Liberdade não implica necessariamente caos, como alguns pensarão. A Wikipedia é disso exemplo. Feita com base numa plataforma colaborativa, a Wikipedia é construída por milhares (se não mesmo milhões) de “contributors” que, decidindo livremente colaborar com a Fundação Wikipedia, cedem um pedacinho do seu conhecimento, para que muitos (mas mesmo muitos) o possam partilhar e fruir.

Perguntarão: o que nos impede de ter “falsas entradas” ou imprecisões numa enciclopédia destas?

Simples: num espaço de liberdade nada melhor que um modelo de mercado livre para criar auto-regulação. Se a Wikipedia for percepcionada como pouco fiável, tenderá a perder leitores. É basicamente por isso que existe um modelo de pré-aprovação e quase peer-review actualmente montado, que escrutina a fiabilidade das entradas/contributos.

Assim, num espaço de liberdade, responsabilidade e partilha, conseguimos criar um dos mais fantásticos acervos de conhecimento do mundo, em várias línguas (que não apenas o “inglês fundador”).

Actualmente as plataformas wiki estão a ser cada vez mais usadas por empresas privadas, como plataformas colaborativas e de gestão do conhecimento.

Até eu a usei para começar a escrever um livro em co-autoria com uma colega minha que estava “do outro lado do mundo”. E o resultado foi… surpreendentemente positivo 🙂

Não percam o vídeo do Jimmy Wales, numa das famosas palestras da TEDTalks, em que apresenta de forma apaixonada a sua criação.

Enjoy it!

Trends

Inovação Colaborativa

Partilha o nosso amigo Ruben Eiras, no seu blog “Capital Intelectual”, a sua reflexão sobre uma tendência recente verificada ao nível da geração da inovação.

Segundo um estudo recente, grande parte da produção inovadora hoje resulta do esforço colaborativo entre organismos e instituições do sector público (bons a criar novo conhecimento) e empresas privadas (boas a comercializar a inovação).

A confirmar-se esta tendência, estamos perante várias boas notícias, a saber:

  • afinal, ainda podem vir coisas boas do sector público;
  • há espaço para a chamada “investigação fundamental” (virada para a produção de novo conhecimento, mesmo sem uma “agenda comercial” por trás);
  • a colaboração é possível e desejável, entre instituições com vocações distintas, mas complementares;
  • é da colaboração e da partilha que nasce a abundância na era pós-capitalista, como Drucker e outros visionários tão bem previram!

Obrigado, Ruben, por trazeres a boa-nova 🙂 !