Factos

Os talentos portugueses na ciência são como as cerejas :-)

sciencePois é, quanto mais procuro encontrar talentos em português no mundo, mais me cruzo com cientistas portugueses de elevadíssima qualidade 🙂

Desta vez falo-vos de Cecília Arraiano, investigadora agregada do Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa. A notícia chegou há alguns meses: uma investigadora portuguesa fora distinguida pela Organização Europeia de Biologia Molecular (EMBO) com o título vitalício de membro.

Segundo Cecília Arraiano, o segredo é viver uma carreira apaixonada, para o que pode contribuir uma figura de referência nos “verdes anos”…no liceu teve uma professora de ciências fantástica que a fez sentir que teria de seguir investigação científica. E é aqui que a sua história começa… (para mais detalhes vejam a entrevista à Ciência Hoje).  

Esta história faz-me lembrar a biografia de Carl Sagan, que li há algum tempo, em que ele relata como a sua mãe, Rachel Molly Gruber, aparentemente “uma simples doméstica”,  foi uma peça fundamental para o despertar da sua paixão pela ciência e pela astronomia.

Pois é: o talento é uma chama que por vezes se acende com quem menos esperaríamos, não é? Que nunca esqueçamos esta lição de humildade, dada por essa simples “doméstica” 🙂

Deixo-vos com um dois pequenos vídeos sobre Carl Sagan, que espero sejam inspiradores.

Enjoy it 😉

Eventos, Factos, Trends

Astronomia: também aí o talento fala português :-)

iyaSurge este post da leitura do suplemento do Diário de Notícias de sábado passado, que publicou uma reportagem sobre Pedro Russo, um astrónomo português.

O Pedro Russo trabalha no Instituto Max Planck para a Investigação no Sistema Solar, na Alemanha, e  foi nomeado Coordenador do Ano Internacional da Astronomia 2009

O cientista português tem vindo a desenvolver o seu trabalho recorrendo a dados da missão espacial Vénus Express, uma missão da Agência Espacial Europeia que está a estudar a atmosfera do planeta conhecido como “a estrela da manhã“.

Pedro Russo tem 29 anos e é natural de Figueira de Castelo Rodrigo. Licenciou-se em Astrofísica e é Mestre em Geofísica, estando actualmente a fazer o seu doutoramento.

Mais um exemplo de como o talento em português pode proliferar, vindo dos sítios mais recônditos e das áreas mais inesperadas.

Sobre este tema não deixem de consultar os posts “Ciência: o talento não é exclusivo dos gestores“,  “Ciência e Design: o talento português não pára” e “Ciência e Marketing: um casamento feliz“.

Deixo-vos como mind snack um pequeno vídeo sobre o Ano Internacional da Astronomia.

Enjoy it 😉

Reflexões, Trends

Economia e ciência: ou como a crise pode conviver com o talento

Este post surge da leitura cruzada de dois posts do blog De Rerum Natura.

O primeiro é da autoria de David Marçal, e intitula-se “Cientistas em saldos“. Como o próprio título indicia, neste post o David denuncia a situação verdadeiramente ridícula em que vivem os jovens investigadores em Portugal, país que está em pleno “choque tecnológico”, apostado na criação de vantagem competitiva por via da economia do conhecimento.

É neste país que todavia, há investigadores que ganham o fantástico salário de… 745 euros. Pois é…

Desde já aviso que não vou alinhar no chorrilho de lamentações que esta denúncia pode originar (e originou: basta ler os comentários ao post 😉 !). A minha perspectiva é outra.

A minha perspectiva é optimista e baseia-se no facto de eu (continuar) a acreditar na economia de mercado (apesar da crise, sim! sim, eu sei que não é muito popular dizer isto, eu sei! mas é o que eu penso, so you must live with this…).

O que significa isto? Porquê este optimismo? Porque todas as evidências apontam para o facto incontornável de que, numa economia de mercado livre, as crises se transformam em oportunidades, criando pressão para o desenvolvimento, muitas vezes por caminhos inesperados.

E recordei esta convicção ao ler, mais uma vez no De Rerum Natura, o excelente post da Palmira Silva, intitulado “Economia do conhecimento“. Neste post, a Palmira, denunciando a falta de aposta que Portugal (ainda) faz no hidrogénio como alternativa energética, acaba por destacar de forma exímia a inevitabilidade do desenvolvimento das energias alternativas.

Este desenvolvimento surge não só como resultado de uma opção energética inadiável, mas também como fonte de criação de novas indústrias e de novas linhas de investigação científica (nas quais aliás Portugal tem apostado fortemente nos últimos anos, sendo, por exemplo, a quinta potência mundial nas eólicas).

E é por isso que eu acredito que a própria pressão do mercado levará a que a situação dos investigadores em Portugal acabe necessariamente por mudar: a nossa competitividade disso depende, como já se tornou evidente (até) para os nossos políticos ;-).

Sobre talento e ciência, sugiro a leitura dos meus posts:

Votos de boa leitura 🙂
Desafios, Eventos, Recomendações, Trends

Ciência e marketing: um casamento feliz

Escrevi há tempos um post intitulado “Ciência: o talento não é exclusivo dos gestores“, em que salientava que o talento proliferava em Portugal em áreas menos óbvias, como por exemplo a ciência.

A referência a este conjunto de “heróis silenciosos” que, na discrição dos seus laboratórios fazem história pelo bom nome de Portugal, surgiu após uma animada conversa com um grande amigo meu – Cláudio Gomes -, um dos mais brilhantes investigadores na área da biologia molecular.

Nessa conversa, discutíamos até que ponto a disciplina do Marketing se poderia ou deveria aplicar à Ciência. Esta ideia, que defendi acerrimamente nessa conversa, tem por base o conceito de valor percebido. De facto, diz-me a experiência que o nosso valor depende da percepção que os outros têm de nós. Assim, o nosso valor intrínseco de nada serve se não for percebido pelos outros, ou seja, se não tiver valor de mercado.

E aquilo que eu acho é que os cientistas não são preparados na sua formação de base a pensar na sua actividade como algo marketizável, ou seja, que merece ser alvo de divulgação, que pode ser objecto de uma estratégia de comunicação, que pode ser imaginada em termos de públicos alvo e “imagem de marca”, ganhando um sex-appeal que desmistifique as ideias feitas sobre a inacessibilidade da ciência.

Assim, o desafio provocatório que deixei ao Cláudio foi o de começar a pensar como um “marketeer” e a espalhar essa atitude pelos seus pares da comunidade científica.

Tive hoje a grata notícia de perceber que a provocação resultou: o Cláudio participou ontem num programa de rádio – ‘Prova Oral’, na Antena 3 – na rubrica speed dating com cientistas’, onde, em conjunto com mais três colegas, nos proporcionou uma peça notável de conversa descontraída e pura divulgação sobre a ciência e o dia-a-dia dos cientistas.

Deixo-vos aqui essa peça fantástica, que vale a pena ouvir, e que confirma que o talento não é de facto exclusivo dos gestores:

Entrevista \’speed dating com cientistas\’

Para além desta peça radiofónica, não percam amanhã (5ª feira) uma peça com eles no Telejornal da RTP1! 

 

Aproveito ainda para incitar-vos a aparecerem na Tenda do CCB na próxima 6ª feira, das 14h às 24h: entrada grátis, com actividades para todos os gostos, incluindo o  ‘speed dating com cientistas’!

Para mais detalhes consultem o site Noite dos Investigadores e não percam o blog sobre ciência que lá está instalado. Uma delícia 😉 

Enjoy it 🙂

Eventos, Trends

Ciência e design: o talento português não pára!

Este é um post breve, que resulta da minha passagem de olhos pelas páginas da Revista Única do Expresso.

Numa única edição, destaque para dois talentos emergentes em Portugal:

  • Elvira Fortunato, uma das mais reputadas cientistas mundiais na área da microelectrónica, ganhou recentemente um prémio do European Research Council. Não entrou no curso que queria e nunca saiu da margem sul. Hoje lidera uma equipa multinacional para a qual concorrem investigadores do mundo inteiro!

É caso para dizer que todos dias encontramos mais motivos para ter orgulho no talento português 🙂

Recomendações, Reflexões

Ciência: o talento não é exclusivo dos gestores

Em tempo de férias temos mais tempo para ler jornais, calmamente recostados nas areias quentes do litoral alentejano.

Surgem-me assim mais pretextos para escrever posts, pois o material é mais vasto e variado.

Este post nasce da leitura de um excelente artigo de opinião do Desidério Murcho, filósofo e colunista do Público, cujo título é, sugestivamente, “Ciência e Poder”, que também podem encontrar reproduzido num dos meus blogues preferidos, o De Rerum Natura.

O artigo surge a pretexto do lançamento do novo livro do Nuno Crato, A Matemática das Coisas, que, segundo o autor, é a mais recente obra de divulgação da matemática, na senda de uma vasta caminhada que vem sendo feita por vários cientistas, com o objectivo de democratizar a ciência.

A par da obra de Nuno Crato, outros cientistas portugueses são citados, como por exemplo Carlos Fiolhais ou Jorge Buescu que, quebrando o espírito corporativista da classe científica e académica, se despem dos maneirismos, rituais e linguagem simbólica inerentes ao seu status, e resolvem explicar a ciência às pessoas comuns, numa linguagem simples, acessível e cativante.

Como Nuno Crato sublinha na edição de hoje da revista Única do Expresso, Carlos Fiolhais acumula o recorde nacional de citações científicas (mais de 5.000!).

Nuno Crato tem estado aliás bastante produtivo, e cita na prestigiada revista Ler deste mês um conjunto de 5 livros que nos ajudam a gostar de Matemática, a saber:

  1. Conceitos Fundamentais de Matemática, de Bento de Jesus Caraça
  2. Matemática e Ensino, de Egon Lages de Lima
  3. O Fim do Mundo Está Próximo? de Jorge Buescu
  4. Como Resolver Problemas Matemáticos, de Terence Tao
  5. A Conjectura de Poincaré, de George Szpiro

A acrescentar a esta breve resenha de mind snacks, acrescento o excelente blog “Blogs de Ciência”, que agrega tópicos riquíssimos para quem queira explorar estes temas.

À homenagem de Desidério Murcho feita a estes science evangelists, gostaria de acrescentar a minha referência a António Damásio e a João Magueijo que, nas suas áreas de especialidade, não usando necessariamente uma linguagem tão acessível como os anteriores, mas explorando temas apaixonantes e de vanguarda, ajudam a dar à ciência o sex appeal necessário para inspirar tantos e tão promissores futuros cientistas nas camadas jovens.

A esse propósito, não posso deixar de evocar aquele que é para mim o percursor desta tendência, o “pai” da democratização da ciência à escala global, o saudoso Carl Sagan que, desde a sua obra mais popular – Cosmos – inspirou milhares e milhares de jovens da minha geração a abraçar a ciência como paixão e vocação.

Um deles é certamente o meu grande amigo Cláudio Gomes, brilhante cientista que desenvolve o seu trabalho ao nível da biologia molecular, e que faz parte de um numeroso grupo de “heróis silenciosos” que, no quase anonimato do dia-a-dia do seu trabalho, vão fazendo de Portugal uma referência no mundo da ciência, através de investigação fundamental e numerosas publicações.

E isto leva-me ao meu tópico de reflexão de hoje: os gestores e os empresários são apenas a face mais visível do talento em Portugal.

Mas ele é muito mais vasto: é feito de artistas, pensadores, jornalistas, filósofos, poetas e também cientistas, entre muitos outros.

Recomendo a visita à rede social The Star Tracker, que já mencionei anteriormente, para nos espantarmos com a enorme diversidade de actividades e profissões dos talentos portugueses espalhados pelo mundo.

Tal como mencionei no meu post “Estamos a educar funcionários ou empreendedores?”, temos de batalhar para que os nossos filhos sejam educados de uma forma rica e variada, que possa fazer brotar o talento, seja no formato empresarial ou noutro qualquer. Para isso, o exemplo de generosidade didáctica de Sagan, Damásio, Magueijo, Fiolhais, Buescu ou Crato (entre tantos outros, anónimos, que vão cumprindo o seu papel por esse mundo fora) deve constituir um referencial inpirador, seja para professores, seja para pais ou mesmo (apenas) para os comuns cidadãos, que somos todos nós.

Assim estejamos à altura do desafio…