Factos, Reflexões, Trends

Ainda sobre Steve Jobs

Surge este post devido às diversas mensagens que tenho vindo a receber sobre o texto que publiquei em homenagem a Steve Jobs, por altura do seu falecimento.

Muitas delas são críticas inflamadas ao post, ou porque são admiradores de Bill Gates (poucos), ou porque odeiam Steve Jobs (uns quantos).

Fui devidamente informado das virtudes do patrão da Microsoft (filantropia, através da Fundação Bill & Melinda Gates, por exemplo, a democratização da computação, etc.).

Fui ainda mais bem informado dos defeitos do líder da Apple (mau feitio, egocentrismo, desprezo pelos concorrentes, desprezo pela liberdade dos utilizadores, etc.).

Pois bem, meus caros, coloquemos os pontos nos i’s:

  • neste blog eu publico a minha opinião, que é só minha e com a qual podem e devem discordar quando tal se justifique;
  • publico todas as críticas e comentários, desde que usem o blog para tal e não sejam incorrectos ou mal-educados;
  • conheço bem os méritos do “tio Bill” e admiro-o bastante – basta consultarem as minhas referências ao mesmo no Mentes Brilhantes;
  • conheço bem os defeitos que o Steve tinha, mas não acho que tal lhe retire o mérito das suas realizações e do seu exemplo.

Sugiro que façam uma breve leitura à biografia não-oficial do Steve: lá terão oportunidade para perceber a grandeza da sua visão e a pequenez dos seus defeitos, mas também perceberão que Steve evoluiu ao longo dos tempos, e cresceu como homem e empreendedor (como qualquer ser humano, aliás).

Ter sido despedido da Apple, ter sido pai ou ter sido vítima de um cancro do pâncreas são apenas exemplos de episódios que o transformaram profundamente, fazendo dele uma pessoa melhor, mais humilde e mais sábia.

Deixo-vos um vídeo da sua apresentação no MacWorld de S. Francisco em 2000. Nesse vídeo, em que ele anuncia o seu regresso como CEO pleno à Apple, Steve é ovacionado de forma entusiástica, mas não hesita em dedicar essa ovação a todos aqueles que trabalharam na Apple com dedicação e empenho. “Um extraordinário trabalho de equipa” e “o melhor trabalho do mundo” são as palavras por ele usadas para definir o que era trabalhar com os profissionais da empresa de Cupertino…

Vejam o vídeo, e digam sff se podemos chamar a este homem egocêntrico 😉

Por fim, deixo-vos outro vídeo, o do famoso discurso de Stanford, mas desta vez legendado em português! É sempre bom revê-lo 🙂

Enjoy it! 😀

Factos, Reflexões, Trends

Steve Jobs: o talento imortalizado

Hoje ao comprar o jornal, o meu dia ficou muito triste.

Morreu um dos mais emblemáticos heróis da minha geração: Steve Jobs. Um homem que, com recurso apenas ao engenho, à paixão pela perfeição e à estética, conseguiu mudar o mundo.

E mudar o mundo sem disparar uma bala é algo notável, e infelizmente menos comum do que desejaríamos 😦  No entanto, Steve Jobs conseguiu fazê-lo.

Steve Jobs não é um herói clássico.

Não foi um tipo bonzinho, do género Charlie Brown. Perdia a paciência com a incompetência ou a mediocridade. Não foi um tipo certinho, do género Clark Kent. Largou a universidade para cumprir o seu sonho. Não foi um tipo desenrascado, como o McGyver. Sabia que a perfeição era possível e ela estava nos detalhes obsessivamente preparados.

Ao contrário do Bill  Gates, fundador da Microsoft (que é um cromo simpático que gostaríamos de ter ao pé de nós, do tipo “Nuno Markl da informática”), Steve Jobs é aquele tipo de cromo que gostaríamos de ser um dia. Bill Gates é porreiro e simpático. Steve Jobs é uma referência. Ponto final.

E isto é escrito por alguém que (ainda) não comprou um único produto da Apple!

Mas deixem-me confessar-vos… tenho passado a vida a sonhar como seria ter comprado 🙂 E isto é a “mística” que Steve Jobs criou: o poder de um conceito que alia a estética à funcionalidade, a paixão à fiabilidade, a sofisticação à simplicidade, e que desperta nas pessoas o desejo.

Eu sou aquele consumidor que (como muitos, certamente), se esmifra para ter o último ultrabook da moda, com 8 GB de RAM e um disco SSD ultra-rápido, mas com Windows (clientela oblige 😦 !). Por isso, o meu desporto favorito depois é kitar o dito ultrabook com skins a imitar o Mac OS X Lion!

Eu sou aquele early adopter que se rendeu à Google e ao universo Android. Por isso escrevo os meus post do meu Samsung Galaxy S II, considerado por muitos como o melhor smartphone Android do mercado, mais conhecido por ser o melhor “iPhone killer“!! E também já não largo o meu Asus Eee Pad transformer, considerado o melhor tablet Android da actualidade, que tem tudo o que o iPad não tem, e no qual passo a vida a instalar skins do iPad!!!

Portanto, meus amigos, vejam só: mesmo quando consumimos outros “gadgets” fora do universo Mac, a verdade é que a referência por excelência para explicar o que quer que seja sobre eles ou as tendências de consumo que levaram à sua aquisição, acabam SEMPRE por ir parar ao universo criativo de Steve Jobs!

Mas para além dos ícones tecnológicos que deixa como legado, o que Steve Jobs deixa como sinal mais marcante da sua passagem pelo mundo pode ser resumido numa célebre frase que usou nm discurso na Universidade de Stanford, em 2005: “stay hungry, stay foolish“. Com esta frase, Steve resumia o essencial da sua filosofia de vida: devemos permanecer com “fome” de realização, com “fome” de criação, bem como nunca esquecendo de alimentar a “loucura” dos nossos sonhos, que são o que nos dá sentido à vida e nos faz progredir, evoluir, perseverar.

E Steve foi um exemplo vivo de como se pode praticar esta filosofia de vida, que potencia os nossos talentos e ajuda a cumprir os nossos sonhos, que acabam por ser o nosso legado, o testemunho da nossa passagem por este mundo.

E devemos aproveitar essa passagem ao máximo, vivendo cada momento não como se fosse o último, mas o único que temos, pois não sabemos se a jornada será curta ou longa. E é essa condição de mortalidade, em que a vida é uma benção efémera e preciosa, que nos faz querer fazer coisas com sentido, que nos faz querer deixar a nossa marca no mundo. De facto, se fôssemos imortais, podíamos deixar essa (árdua) tarefa sempre para amanhã. Mas não podemos, e por isso vivemos a correr atrás da vida, com mais ou menos prazer, com mais ou menos consciência do valor daquilo que fazemos.

Como Steve Jobs dizia “Tens de encontrar a tua paixão. Se ainda não a encontraste, continua a procurar. Não te conformes. Lembrar-me de que vou estar morto em breve é a ferramenta mais importante que encontrei para me ajudar nas grandes decisões da vida…”.

Steve Jobs viveu a vida como a proclamou: intensamente e com prazer, até ao último suspiro. Que o exemplo dele nos inspire. Vou sentir a falta dele…

Em sua homenagem, para além da nova imagem do “Mentes Brilhantes”, deixo-vos um caderno especial sobre Steve Jobs do Expresso, o vídeo com o depoimento emocionado do seu parceiro de negócios Steve Wozniak, um vídeo que recorda o percurso notável da Apple e um vídeo final evocativo deste verdadeiro herói dos nossos tempos.

Enjoy it! 😉

Reflexões, Trends

Capitalismo Criativo

Um recente artigo da Harvard Business School despertou-me o interesse sobre o tópico de hoje: capitalismo criativo.

O conceito torna-se objecto de forte discussão pública desde o famoso discurso de Bill Gates, feito em Janeiro passado no World Economic Forum, em Davos.

Nesse discurso, Gates afirma, no seu polémico estilo, que muitos dos grandes problemas mundiais não podem ser resolvidos através de filantropia, mas requerem em alternativa que as empresas e o mercado livre contribuam de uma forma nova para os resolver: daí o nome de “capitalismo criativo”.

Segundo o artigo da HBS, esta nova tendência cruza os ganhos financeiros com a contribuição social, num mundo que está em forte mudança, e em que as tendências são radicalmente diferentes das que vivemos num passado recente.

São cinco as grandes forças que levam ao emergir do capitalismo criativo, a saber:

  1. Recursos – actualmente, as empresas e o mundo dos negócios em geral são a maior fonte de recursos mobilizáveis para a resolução dos problemas de forma eficaz, a larga distância do Estado, das ONG’s ou das organizações religiosas;
  2. Procura – existe uma cada vez maior força de potenciais consumidores, cidadãos, votantes, líderes de opinião para quem a postura ética e a responsabilidade social são drivers de escolha e recomendação (o que vai de encontro ao que defendi no meu artigo Business Ethics). Por outro lado, existe um imenso mercado potencial de pessoas com poucos recursos, que necessitam de uma oferta específica para as suas necessidades. O exemplo mais marcante desta tendência é precisamente o fenómeno do microcrédito, que referenciei noutro post, em que se concede crédito a quem não tinha a ele acesso, devolvendo ao circuito do mercado milhares de empreendedores e futuros consumidores.
  3. Modelação Corporativa – a forma como as organizações se moldam e interagem entre si está a mudar radicalmente. Redes, colaboração e conectividade são buzzwords que simbolizam o quebrar das barreiras tradicionais (geográficas, organizacionais, legais). Sobre este tema já escrevi nos meus posts Web 2.0: a competitividade pós-capitalista e Inovação Colaborativa.
  4. Transparência – uma geração de novos cidadãos e consumidores globais e exigentes, cada vez mais informados online numa comunidade de conectividade permanente, exigem uma gestão cada vez mais ética e transparente, especialmente após os escândalos da Enron (cf. Business Ethics).
  5. Exemplo Inspiracional – cada vez mais pessoas valorizam líderes e organizações com valores, com uma conduta moral irrepreensível e inspiradora, com uma visão de longo prazo, que faça crescer quem os rodeia. No fundo, o grau de desafio e inspiração que refiro no meu post O Paradoxo de Ícaro.

No artigo da HBS, reforça-se o emergir destas tendências com os exemplos de companhias como a Southwest Airlines, a Google ou a Starbucks, que estão orientadas para satisfazer as necessidades de um vasto leque de stakeholders, que não apenas os accionistas. Um recente estudo demonstra que estas companhias cresceram em ROI cerca de 10 vezes mais que as companhias do S&P 500!

Para quem esteja interessado em aprofundar este tópico, recomendo o blog Creative Capitalism, que é uma fonte riquíssima de pensamento e informação.

Deixo ainda aqui dois vídeos de Bill Gates. O primeiro, breve (5 mins.), explica rapidamente o conceito de capitalismo criativo. O segundo, longo (+ 30 mins.), reproduz integralmente o discurso de Davos.

Enjoy it 😉