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Google Chrome: architectural advantage em construção!

Este meu post surge como resultado da troca de impressões gerada pelo meu último post Architectural Advantage

Mal eu tinha publicado o post, já o meu amigo Pedro Rebelo comentava que a Google, ao lançar o seu novo web browser – o Google Chrome – estava a demonstrar como se aplicava o conceito de architectural advantage, ao inovar de forma colaborativa, mudando as regras e gerando uma nova arquitectura de criação de valor, em que a Google, não detendo todas as partes da equação, no entanto garantiria a apropriação da maior fatia de valor acrescentado.

Foi uma coincidência engraçada, pois quando o Pedro colocou esse comentário no meu post, eu estava a acabar de instalar o Google Chrome na minha máquina, e estava precisamente a comprovar aquilo que o Pedro, sem ter ainda experimentado, tão bem estava a antecipar!

De facto, o Google Chrome representa uma ruptura com o conceito de navegação web que conhecemos.

Porquê? Porque pela primeira vez temos um web browser que, em vez de estar focado na navegação na web, está acima de tudo focado nas necessidades dos utilizadores que acedem à Internet

E isto, apesar de parecer uma diferença subtil, faz toda a diferença! Vejamos alguns exemplos:

  • Barra de endereços – esta barra, onde habitualmente tínhamos de escrever o endereço para onde queríamos navegar, deixou de ser um “serviço postal cego” para ser uma espécie de “DHL dinâmico e personalizado”, uma vez que cruza a funcionalidade de barra de endereços com a funcionalidade de barra de pesquisa, sugerindo dinamicamente endereços similares às palavras que digitamos (sejam resultado de navegações passadas ou não), bem como pesquisas a efectuar no motor de pesquisa que tivermos assumido por default para o Chrome (sim, ao contrário do que faria a Microsoft, a Google não nos obriga a pesquisar na Net através do Google, deixando-nos escolher livremente!);
  • Rapidez – a velocidade do Chrome é impressionante, sendo notória a diferença de velocidade para outros browsers, segundo a Google devido à aposta no “acelerar” das aplicações Java que correm no Chrome;
  • Estabilidade e Segurança – o facto de, no Chrome, cada tab correr de forma independente, faz com que o utilizador, ao aceder a alguma tarefa pesada ou a algum site com muito tráfego, não veja comprometido todo o seu trabalho, sofrendo um crash global do browser. No máximo, apenas o tab afectado sofre o crash, podendo ser fechado sem prejudicar os outros tabs abertos. Também esta filosofia, em termos de segurança, apresenta uma arquitectura mais robusta, pois ao aceder a um site com conteúdo malicioso, o mesmo não se pode espalhar para lá do tab aberto. Para além disso, o Chrome tem uma lista negra permanentemente actualizada, que avisa o utilizador se tentar aceder a algum domínio considerado malicioso. Também a privacidade está garantida através do modo de navegação “incógnito” (vejam o vídeo no fim do post);
  • Integrabilidade e Lógica Aplicacional – no Chrome, podemos aceder a aplicações Web (como o Google Docs ou o Webmail) e convertê-los numa janela aplicacional independente, que corre como se fosse um programa instalado no computador. Podemos criar shortcut’s para as aplicações, e o Chrome abre uma janela aplicacional em vez do browser. Também se torna fácil arrastar um ficheiro para dentro do Chrome, que se abrirá com a aplicação correspondente. A sincronização com os bookmarks e settings dos outros browsers é também uma funcionalidade utilíssima, facilitando a migração das nossas preferências web. Só falta mesmo o Chrome ter uma funcionalidade semelhante ao Foxmarks, que permite ao Firefox sincronizar os nossos marcadores online, seja qual for o computador no qual acedemos ao browser (o que simplifica muito a vida de quem tem de trabalhar em muitos sítios diferentes e com máquinas diferentes!). Fica aqui a sugestão :-);
  • Escalabilidade evolutiva – ao ser uma aplicação open source, a sua evolução será exponencial, à medida que a comunidade de desenvolvimento aderir a esta plataforma. O número de aplicações será muito superior àquele que seria gerado apenas pela Google Labs, criando massa crítica para a sua universalização. Este tipo de inovação colaborativa irá gerar prosperidade a uma vasta comunidade de desenvolvimento, reforçando todavia a competitividade da Google face a outros players como a Microsoft, o que fará com que a sua apropriação de valor seja potencialmente muitíssimo elevada;

Estes são apenas alguns dos aspectos que fazem com que o Google Chrome seja uma verdadeira pedrada no charco, pois despoleta um novo conceito de produtividade com base na Web, potenciando verdadeiramente a Web 2.0 como a nova plataforma de colaboração e trabalho no século XXI. 

A Microsoft tem de questionar-se seriamente sobre o futuro, pois parece cada vez menos evidente que no futuro estejamos a usar o Internet Explorer ou o Office, pagando licenças por produtos que evoluem mais devagar, são mais sujeitos a ataques informáticos e que nos obrigam a pagar pelas suas novas versões

A era dos produtos offline e proprietários pode estar a chegar ao fim. Resta saber como os modelos de negócio nas TI serão então reinventados… 

… uma era de oportunidades para quem tenha talento 😉 

Deixo-vos dois vídeos: um explicando como o Google Chrome surgiu, e outro explicando dez das mais apetitosas características do Chrome. 

Try & enjoy it 🙂